quinta-feira, 20 de agosto de 2009

PUMA® lança linha L.I.F.T.


A PUMA® traz para o Brasil a sua mais recente coleção, a L.I.F.T. (Lite Injected Foam Technology), uma linha ergonômica, de alta tecnologia e proteção, que mistura funcionalidade e estilo.

Sua principal característica é a leveza dos produtos. Todos os materiais em excesso foram removidos e descartados, criando assim produtos leves, ergonômicos, sem atrito e respiráveis.

O tênis L.I.F.T. Racer – o mais leve do mundo, na categoria, com apenas 179 gramas - traz inovação para a linha de corrida, com uma construção exclusiva ideal para treinos leves. A sola é construída através da utilização do processo de injeção EVA (Espuma Vinílica Acetinada) em duas cores, combinado com um desenho inovador que permite ao EVA envolver inteiramente a parte superior, proporcionando ao calçado suas características mais importantes: baixo peso e perfil de menor visibilidade.

Uma malha respirável é completamente costurada na parte superior do tênis, utilizando menos cola e tornando-o ecologicamente correto. Inspirado pelo PUMA H Street, o L.I.F.T. Racer é um calçado de corrida versátil que pode ser usado em qualquer lugar. O tênis perfeito para homens e mulheres que procuram uma corrida sem grande esforço. Seu design se torna eficiente ao eliminar elementos desnecessários. Seu principal componente de inspiração vem do ZAHA HADID’S, Centro de Artes e Performance de Abu Dhabi.

Os tênis L.I.F.T. serão vendidos no Brasil, exclusivamente, nas lojas Centauro, enquanto os outros produtos da coleção poderão ser encontrados em todas as PUMA Stores.

Confira: http://www.pumalift.com.br/

segunda-feira, 29 de junho de 2009

MICHAEL JACKSON - VÍTIMA OU VILÃO?




Nos anos 80, quando então explodiu o sucesso do álbum Thriller, eu era um adolescente testemunhando um dos maiores fenômenos da mídia de todos os tempos. Quem viveu a época com certeza vai se recordar. Por meses a fio após o lançamento do álbum e videoclip, ligava-se a TV e lá estava: Michael Jackson, em rede internacional 24 horas por dia, sete dias por semana. Abríamos jornais e revistas, e aparecia: Michael Jackson. Ligava-se o rádio, passava-se de estação em estação e lá se ouvia: Michael Jackson - lembrando que o rádio na época não era tão segmentado como hoje, as emissoras tocavam um pouco de tudo, nada de rádios especializadas em rock, sertanejo, clássico e outras. Ao sair pelo comércio, olhávamos vitrines e lá estava: Michael Jackson, em tudo, tudo, TUDO o que se pode imaginar, tudo mesmo, não é exagero. Recordo-me que até nas festas juninas da igreja do bairro, ao invés das tradicionais canções, tocava-se Thriller e Billy Jean. Ao invés de quadrilha, os jovens tentavam imitar as coreografias de Michael Jackson, e não com chapéus de palha, mas sim com gel de cabelo e jaquetas vermelhas ao invés de camisas xadrez.
A impressão era a de que seria fácil encontrar no comércio produtos como papel higiênico, detergente, pimenta do reino, agulhas para costura, cimento, inseticida, pneus, pregos e outros produtos vendidos com a marca Michael Jackson – isso é uma brincadeira, mas dado o alcance do fenômeno, em verdade não seria difícil imaginar isso.
Até hoje ainda não testemunhei nada igual, salvo a Menudomania que se seguiu à saturação do fenômeno Michael Jackson, do qual beneficiou-se em grande parte imitar seus elementos básicos, dando assim sobrevida à moda em pseudorenovação, mas mesmo assim longe da força inicial.
Na mesma época eu aderi à moda Heavy Metal. Naqueles tempos, o Heavy Metal era algo muito diferente de hoje. A tendência era essencialmente marginal. Discos de bandas como Iron Maiden e Judas Priest só eram encontrados em lojas especializadas no centro de SP. O visual incluía cabelo muito comprido, braceletes e cintos com tarrachas, com muita agressividade, elementos estéticos que desapareceram das tendências rockeiras após o furacão grunge do Nirvana & Cia.. Como já foi dito, não havia segmentação nas rádios, assim, ouvir um hit Heavy Metal ou ver um clip na TV era coisa raríssima, para não dizer impossível.
Diante disso, os metaleiros simplesmente odiavam Michael Jackson como odiavam toda e qualquer moda consumista e comercialesca, ressalvando que, como eu já expliquei, ser metaleiro naqueles tempos tinha um significado e status muito diferente dos dias atuais. Por isso talvez eu não seja a pessoa mais indicada para fazer um balanço sobre o significado da figura de Michael Jackson para a cultura ocidental, já que o ícone marcou de forma muito negativa um significativo momento de minha vida.
Falar de Michael Jackson como gênio... pois bem, é um tema controverso. No que diz respeito à sua obra musical em essência, discordo radicalmente, já que se formos fazer uma análise mais apurada de seus maiores sucessos como Thriller, Black or White, Billy Jean, Beat It e outros, não teremos algo além de comercialescos ritmos eletrônicos pré-fabricados, pobres em composição (se é que se pode falar em composição nestes casos) que talvez nem possam ser classificados como obras musicais propriamente ditas.
Porém, quando o assunto recai sobre as coreografias... aí sou obrigado a me render. Se eu falar que a catarse proporcionada pelas coreografias de Michael Jackson não me causam forte impressão positiva eu estaria mentindo; o videoclip Thriller inovou e revolucionou não somente por ter lançado bases de uma nova perspectiva cinematográfica do gênero, mas também pelo estupendamente primoroso trabalho de coreografia. Trata-se de um trabalho em que cada vez que o assistimos, o fazemos sem nos cansar e observamos cada vez mais detalhes impressionantes. Particularmente, o que me chama a atenção neste trabalho são os movimentos com o pescoço. Nesta perspectiva, acredito que podemos sim classificá-lo como gênio artístico, mas como coreógrafo. Músico, pelo menos na minha modesta opinião, nunca.
O famoso “andar do robozinho”, aquele passo de pés arrastados que causa a ilusão de ótica de se estar deslizando no solo tal como se houvesse articulações eletrônicas nas pernas e rodinhas sob os pés é, sem dúvida, uma das mais marcantes criações da história da arte coreográfica.
Comparar Billy Jean a A Nigth of The Opera do Queen, ou Thriller a Stairway to Heaven do Led Zeppelin é ofender os músicos. Porém, comparar o balet de Thriller e as performances de palco de Michael Jackson com obras como O Quebranozes ou O Lago dos Cisnes é exaltar a arte coreográfica.
Quanto à personalidade de Michael Jackson, muita controvérsia. Se levarmos em conta o significado para a cultura da presença enquanto personalidade pública de artistas como John Lennon e Bono Vox, ou mesmo o seu próprio produtor cinematográfico, Mr. Spike Lee, aí o Sr. Jackson deveria apanhar o trapo para lustrar os seus sapatos. A genialidade, a presença política, a contestação das injustiças do establishment foram coisas pouco ou nada observadas em Michael Jackson o qual, pela própria origem negra num país racista, a princípio deveria seguir um caminho natural.
No entanto, o que se viu foi exatamente o contrário. Excêntrico, destemperado e constantemente envolvido em escândalos, Michael Jackson passava a impressão de ser um homem de perturbada cabeça, personalidade revoltada e depressiva, exemplo típico do velho ditado que diz: o dinheiro não traz a felicidade.
DOENTIA – talvez seja esta a palavra que melhor resume a personalidade de Michael Jackson. Acusações de pedofilia somadas a relacionamentos esquisitos com mulheres famosas ou outrora anônimas são alguns dos traços daquilo o que, na personalidade de Michael Jackson representou a agonia de uma modernidade que não cumpriu suas promessas de Liberdade, Igualdade e Fraternidade, de um capitalismo que não consegue preencher os anseios humanos dos pés ao topo de sua pirâmide social, de um Liberalismo que não distribui progresso e conforto para a humanidade, enfim, a decadência de uma ideologia que proclamou-se vitoriosa e senhora agonia e morte de seu primo-irmão-desafeto socialismo, ou da insuficiência das perspectivas religiosas do ocidente para a busca incessante e insaciável da eternamente insatisfeita alma humana.
Um aspecto, extremamente doentio nos chama atenção em especial: a loucura do empenho de uma vasta fortuna pela troca de raça. Difícil entender o que leva uma pessoa a praticar uma verdadeira mutilação a qual Michael Jackson impôs a si próprio – alguém acredita na esfarrapada desculpa de vitiligo? Se assim o foi, então o porque das várias cirurgias plásticas para eliminar do rosto as características negras? E pergunto: o porque de tanta veneração por parte da comunidade negra americana e mundial? A veneração a um negro que renunciou à própria raça, trocando-a por um patético rosto no qual eliminou os lábios grossos, nariz largo, e cabelos crespos, renunciando à própria saúde, preferindo a ridicularidade à beleza negra, num mundo em que se percebe um esforço internacional das personalidades midiáticas em se combater o racismo, uma das piores doenças da humanidade.
Enfim, ele pode representar uma reflexão: que tipo de doença da alma moveu Michael Jackson a tal ato?! Será que ele é um vilão que desferiu uma agressão histórica aos seus irmãos de raça, ou simplesmente uma vítima do preconceito, marcado desde a infância de forma indelével, ansioso por se livrar da cicatriz que lhe provocou severa dor?


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domingo, 1 de março de 2009

REDES SOCIAIS - OUSADIA QUE PODE RENDER SUCESSO!


Desenvolver uma estratégia de relacionamento entre uma marca e seus clientes a partir de uma rede social virtual – a idéia ainda pode assustar alguns profissionais de marketing e de comunicação corporativa.
Criar uma rede de relacionamento em torno de um tema, alcançar determinado nicho, trabalhar no desenvolvimento de uma lovemark, juntar as vértebras de uma long tail em torno de um único objetivo entre outras possibilidades do uso de uma rede social pode soar como algo muito arriscado para uma empresa ou gerencia de marca, ainda mais em tempos de crise em que o raciocínio é: se diante da tempestade o negócio é ancorar o barco no porto mais seguro, para que pensar em navegar por rotas ainda pouco conhecidas?
No século XVII, filósofos como Pascal e Descartes entre outros já se preocupavam em relacionar a virtualidade com as questões vivenciais e emocionais das pessoas. Não é à toa que frases como “penso, logo existo” de Descartes e “o coração tem razões que a própria razão desconhece” de Pascal se tornaram populares. Isso só demonstra que, na virtualidade, os interesses e emoções mais pessoais são o mote de reunião das pessoas – e aí está a força das redes sociais.
Uma rede social, é constatado, funciona na medida em que surge a partir de uma comunidade por interesse; a marca em si dificilmente terá a força de motivação que uma comunidade por interesse pode promover. Aí então surgem aqueles planejadores que optam por ir direto ao Orkut ou MySpace, casando a ação com outras estratégias, como por exemplo: os virais. Pode ser uma boa idéia, já que um site de relacionamento como o Orkut não somente tem uma posição mais que consolidada e popularizada, o que pouparia aí a necessidade dos investimentos divididos com outras mídias para recrutamento de interessados na rede que ali já estaria pra lá de formada, porém, há de se considerar a concorrência e dispersão à qual esta estratégia estaria sujeita.
Apesar de ser uma minoria de marcas que lançam mão da estratégia de construir uma rede social própria, fato é que existem vários cases de sucesso que se formam em torno desta tendência, tal como a Nike Plus cuja participação é vinculada à compra de um tênis e já garantiu cerca de 40 milhões de acessos em 160 países, a Penalty Max voltada para os aficionados do futsal, a Claro que é Rock entre outros. Afinal, 85% dos internautas brasileiros maiores de 15 anos visitaram ao menos uma rede social em 2008 (ComScore).
A rede Skol Beats que congrega fãs de música eletrônica em torno da marca Skol acumula cerca de 300.000 acessos mensais (AmBev). E o sucesso tem sido tão constante que desdobramentos da estratégia estão acontecendo – o Skol Sensations, que vai trabalhar com brand sense e multisensorialidade a partir do uso do entretenimento como linguagem, a ser lançado em abril deste ano.
Uma vez definido o target, o que se deve buscar é seu perfil comportamental e um mote de interesse que pode congrega-lo. Observem os exemplos: Nike Plus, aficionados de corridas, Penalty Max, futsal, Skol Beats, musica eletrônica – o interesse, não a marca, é que move a comunidade. Por isso mesmo, talvez, é que se encontre tanta resistência em se lançar mão dessa estratégia, já que na perspectiva em que o marketing se desenrola a partir das redes, fica difícil justificar um aumento de vendas relacionando-o com o crescimento da rede.
Definido o target e linha de comunicação em torno do interesse e aberta a comunidade, o importante é fazer com que o internauta saiba os porques e objetivos – se a comunidade surgiu em torno de um evento, se ela tem vida indefinida, se a adesão está vinculada a uma compra, e assim por diante.
Por conseguinte, virais, advergames, mushups, brand space, blogs e outras estratégias interativas online e offline não podem ser jamais desprezadas, muito pelo contrário, quanto mais estratégias de comunicação poderem ser agregadas, com certeza as probabilidades de sucesso da ação serão multiplicadas na mesma medida.
E enfim, como complemento da estratégia, a oferta de serviços sempre são um fator de geração de acessos e de fidelidade do internauta para com a frequencia, como aquelas dicas de diminuição de custos com o taxi em comunidades de usuários de companhias aéreas, informações de desenvolvimento de performance em interesses diversos como esporte, música e arte, cuidados de conservação e rendimento quando o interesse for automóveis, dicas de lojas ou trocas de peças para colecionadores e hobbistas diversos e assim por diante, nunca se esquecendo de identificar as necessidades do target, sem subestimar as mais triviais.
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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

VOCÊ ESTÁ DEMITIDO.


Stephen Kanitz - Artigo Publicado na Revista Veja, edição 1726, ano 34, nº45, 14 de Novembro de 2001.

Você é diretor de uma indústria de geladeiras. O mercado vai de vento em popa e a diretoria decidiu duplicar o tamanho da fábrica. No meio da construção, os economistas americanos prevêem uma recessão, com grande alarde na imprensa. A diretoria da empresa, já com um fluxo de caixa apertado, decide, pelo sim, pelo não, economizar 20 milhões de dólares. Sua missão é determinar onde e como realizar esse corte nas despesas.Esse é o resumo de um dos muitos estudos de caso que tive para resolver no mestrado de administração, que me marcou e merece ser relatado. O professor chamou um colega ao lado para começar a discussão. O primeiro tem sempre a obrigação de trazer à tona as questões mais relevantes, apontar as variáveis críticas, separar o joio do trigo e apresentar um início de solução."Antes de mais nada, eu mandaria embora 620 funcionários não essenciais, economizando 12 200 000 dólares. Postergaria, por seis meses os gastos com propaganda, porque nossa marca é muito forte. Cancelaria nossos programas de treinamento por um ano, já que estaremos em compasso de espera. Finalmente, cortaria 95% de nossos projetos sociais, afinal nossa sobrevivência vem em primeiro lugar". É exatamente isso que as empresas brasileiras estão fazendo neste momento, muitas até premiadas por sua responsabilidade social. Terminada a exposição, o professor se dirigiu ao meu colega e disse:-Levante-se e saia da sala.-Desculpe, professor, eu não entendi - disse John, meio aflito.-Eu disse para sair desta sala e nunca mais voltar. Eu disse: PARA FORA! Nunca mais ponha os pés aqui em Harvard.Ficamos todos boquiabertos e com os cabelos em pé. Nem um suspiro. Meu colega começou a soluçar e, cabisbaixo, se preparou para deixar a sala. O silêncio era sepulcral. Quando estava prestes a sair, o professor fez seu último comentário:-Agora vocês sabem o que é ser despedido. Ser despedido sem mostrar nenhuma deficiência ou incompetência, mas simplesmente porque um bando de prima-donas em Washington meteu medo em todo mundo. Nunca mais na vida despeçam funcionários como primeira opção. Despedir gente é sempre a última alternativa.Aquela aula foi uma lição e tanto. É fácil despedir 620 funcionários como se fossem simples linhas de uma planilha eletrônica, sem ter de olhar cara a cara para as pessoas demitidas. É fácil sair nos jornais prevendo o fim da economia ou aumentar as taxas de juros para 25% quando não é você quem tem de despedir milhares de funcionários nem pagar pelas conseqüências. Economistas, pelo jeito, nunca chegam a estudar casos como esse nos cursos de política monetária.Se você decidiu reduzir seus gastos familiares "só para se garantir", também estará despedindo pessoas e gerando uma recessão. Se todas as empresas e famílias cortarem seus gastos a cada previsão de crise, criaremos crises de fato, com mais desemprego e mais recessão. A solução para crises é reservas e poupança, poupança previamente acumulada.O correto é poupar e fazer reservas públicas e privadas, nos anos de vacas gordas para não ter de despedir pessoas nem reduzir gastos nos anos de vacas magras, conselho milenar. Poupar e fazer caixa no meio da crise é dar um tiro no pé. Demitir funcionários contratados a dedo, talentos do presente e do futuro, é suicídio.Se todos constituíssem reservas, inclusive o governo, ninguém precisaria ficar apavorado, e manteríamos o padrão de vida, sem cortar despesas. Se a crise for maior que as reservas, aí não terá jeito, a não ser apertar o cinto, sem esquecer aquela memorável lição: na hora de reduzir custos, os seres humanos vêm em último lugar.

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Carlos OrtegaConsultant - Marketing DivisionMichael Page International Brasil

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Campus Party 2009 - um verdadeiro Woodstock Digital.


Juventude: eis uma palavra que lembramos de forma constante quando estamos visitando a Campus Party 2009, que aconteceu aqui em SP, no Pavilhão Imigrantes, entre os dias 19 e 25 do mês de janeiro.


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Para aqueles que não sabem o que é o Campus Party, trata-se de uma idéia surgida na Espanha, nos anos 90. Tal como um “Woodstock digital”, dezenas, centenas, milhares de internautas do mundo todo, os chamados campuseiros se reunem num mesmo lugar, levando consigo seus computadores. Durante sete dias, o intercâmbio é intenso na medida em que transcorrem as palestras e workshops referentes aos 12 temas debatidos: CampusBlog, Games, Simulação, Modding, Música, Design, Fotografia, Vídeo, Desenvolvimento e Software Livre.

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Segundo o site oficial do evento http://www.campusparty.com.br/ foram 6655 campuseiros inscritos, e é claro que este número não inclui as outras milhares de pessoas que participaram como visitantes e profissionais envolvidos.

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Depois de 12 anos acontecendo na Espanha, o evento de lá saiu e veio acontecer aquí no Brasil, em 2008, depois na Colômbia e também em El Salvador. Este ano há a promessa de uma expansão ainda maior pela América Latina.

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Havia uma área expo onde os patrocinadores montaram seus stands, a única área aberta aos visitantes não inscritos como campuseiros. Porém, como ser bem relacionado é fundamental, acabei tendo acesso à área restrita aos campuseiros, interagindo com os mais variados tipos de internautas para trocar idéias, participar de debates, cursos e palestras, sentindo o clima do significado da Revolução Digital neste início de século: juventude, muita juventude e muita irreverencia também, o que não excluí aqueles que possuem o “R.G. baixo”.

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Na área expo havia um mirante pelo era possível uma visão panorâmica daquela imensa cidade internet. Esta visão fez com que eu me sentisse como se estivesse no set de filmagem de Matrix: intermináveis fileiras de computadores conectados, cada qual com seu respectivo internauta ali, entretido, numa verdadeira osmose wachovskyana, circundados por núcleos de debates temáticos, com a galera acomodada de forma bem descontraída,, semi-deitados naquelas mesclas de poltrona e almofada que nos anos 70 recebiam o nome de “puff’.

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Ali, naqueles sete días conviveram desde experts em informática e web até pessoas que jamais haviam sentado diante de um computador, já que uma das áreas mais ativas foi a do “batismo digital”, criada com função de inclusão social.

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Aquele clima neo-woodstock se reforçava ainda mais quando tínhamos a visão da área de acampamento, um verdadeiro mar de pequenas barracas padronizadas e organizadas onde os campuseiros se hospedavam.

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Entre os destaques podemos citar a robótica que todo o tempo chamava a atenção dos presentes com seus curiosos trabalhos, ou ainda a presença de indígenas internautas, os quais obviamente não perderam a oportunidade de fazer o seu marketing com suas pinturas, cocares e danças tribais, mas com o objetivo de mostrar que eles não são mais os “índios de 1500”, e que a sua cultura e suas etnias só sobreviverão se adaptarem-se e integrarem-se à cultura contemporânea globalizada cada vez mais na velocidade da Revolução Digital. Tanto que sua presença online vai além de MSN e orkut, mantendo sites e portais por eles desenvolvidos e construídos, com o objetivo de difundir e modernizar a cultura indígena na perspectiva da união e intercâmbio entre as dezenas de nações e etnias que ainda sobrevivem pela América Latina afora: http://webradiobrasilindigena.wordpress.com/ e também http://www.indiosonline.org.br/ .

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E ainda merece atenção a expressão artística verificada no design das CPUs levadas para o evento. Incrementados automóveis estilizados, caveiras, dragões, esculturas abstratas, muitos temas serviram de inspiração a artistas que desenvolveram gabinetes diferenciados para os seus computadores, incrementando o clima de diversidade cultural do evento, transformando determinados setores das extensas mesas de conexão em galerías de cyberarte.

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Como um banquete para sociólogos, planners e outros interessados mais, a experiencia do Campus Party leva-nos a refletir com profundidade o significado da Revolução Digital para as gerações futuras, além de, é claro, pensar sobre os múltiplos significados da Revolução Digital para os nossos hábitos, valores éticos e estéticos, conceitos de socialização, produção e tempo, entre varios outros.

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Douglas Gregorio – janeiro de 2009.

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terça-feira, 16 de dezembro de 2008

E QUE VENHA 2009! SEM CRISE!

Caros amigos, publicitários, planners, comunicadores e todos os que acompanham o Reatorama - abraços!
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Fé e vontade, empenho - vamos minimizar esta crise e esperar que 2009 seja um ano que nos surpreenda! (positivamente, é lógico).
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Um grande abraço a todos e obrigado por acompanhar o Reatorama, que a partir de hoje entra em recesso e retorna na segunda quinzena de janeiro de 2009.
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Caso você ainda não faz parte do mailing de avisos do Reatorama, basta enviar um e-mail para o editor em protheos@terra.com.br, se quiser dando seus dados básicos (não obrigatório) como empresa/instituição, função, interesses, opiniões sobre o Reatorama etc. - com certeza o Reatorama não utilizará seus dados e e-mail para outros fins senão este, simplesmente quer saber quem são seus leitores.
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Também vale se você tiver interesse de divulgar avisos de eventos/realizações/novidades/cursos etc. e mesmo publicar artigos e comentários sobre temas pertinentes ao nosso foco.
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Seja sempre bem-vindo ao Reatorama!
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Douglas Gregorio
planejador - professor - pesquisador universitário.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Se fosse para usar só um lado do cérebro, não existiriam dois... Plano 1 Comunicação.

Nesta quarta-feira, 19/11, tive a oportunidade de conhecer o Maurício da Plano 1 Comunicação.
A Plano 1 está há sete anos no mercado oferecendo soluções criativas em comunicação integrada, e no momento apresenta ênfase em eventos e promoção.
Entre seus clientes encontram-se marcas que dispensam maiores apresentações, como a Coca-Cola, Bayer, Nestlé, Novartis, Aché, Unimed entre diversas outras do mesmo nível.
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Parabéns Maurício! Sucesso!

terça-feira, 11 de novembro de 2008

HIBERNAÇÃO DE PRIMAVERA.

Caros amigos, o Reatorama está passando por uma fase de hibernação devido à fase de intensos compromissos profissionais e acadêmicos do responsável, e talvez permaneça assim por mais alguns dias.
Por outro lado, o Reatorama é um blog aberto, e todo aquele que queira participar deste espaço enviando textos e trabalhos pertinentes ao nosso foco, faça porque com certeza serão apreciados e, confirmada a pertinência, publicado.
Um grande abraço aos publicitários, planners, comunicadores e interessados em comunicação na Cybercultura - voltaremos logo!
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Douglas Gregorio::.
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quinta-feira, 23 de outubro de 2008

ESPÍRITO DE GARAGE - BUUUUUU!

Na tarde de hoje tive a oportunidade de conhecer o Willian, um dos sócios da Garage Interactive, agência online que já atuou no Grupo YPY, e hoje segue adiante em "carreira solo".
Dispondo de um curioso Museu de Traquitanas Tecnológicas e de uma comunicação super interessante. O bom humor somado à criatividade é uma das características da sua comunicação, e uma amostra disso está logo aqui, confira: http://www.garageim.com.br/ .
A agência dispõe de um design de interior um tanto que sugestivo, valorizando a arte, a tão inspiradora que configura o ambiente perfeito para comunicadores web.
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Sucesso para a Garage Willian!
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Douglas Gregorio
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domingo, 19 de outubro de 2008

Entrevista com MANUEL CASTELLS.

EL PODER TIENE MEDO DE INTERNET.
Milagros Pérez Oliva para EL PAÍS - 06/01/2008.
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S i alguien ha estudiado las interioridades de la sociedad de la información es el sociólogo Manuel Castells (Hellín, 1942). Su trilogía La era de la información: economía, sociedad y cultura ha sido traducida a 23 idiomas. Es uno de los primeros cerebros rescatados: volvió a España, a dirigir la investigación de la Universitat Oberta de Catalunya, en 2001, después de haber investigado e impartido clases durante 24 años en la Universidad de California, en Berkeley. Una de sus investigaciones más reciente es el Proyecto Internet Cataluña, en el que durante seis años ha analizado, mediante 15.000 entrevistas personales y 40.000 a través de la Red, los cambios que Internet introduce en la cultura y la organización social, y acaba de publicar, con Marina Subirats, Mujeres y hombres, ¿un amor imposible? (Alianza Editorial), donde aborda las consecuencias de estos cambios.
Internet amplifica la más vieja brecha social de la historia, que es el nivel de educación
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Pregunta. Esta investigación muestra que Internet no favorece el aislamiento, como muchos creen, sino que las personas que más chatean son las más sociables.
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Respuesta. Sí. Para nosotros no es ninguna sorpresa. La sorpresa es que ese resultado haya sido una sorpresa. Hay por lo menos 15 estudios importantes en el mundo que dan ese mismo resultado.
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P. ¿Por qué cree que la idea contraria se ha extendido con éxito?
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R. Los medios de comunicación tienen mucho que ver. Todos sabemos que las malas noticias son más noticia. Usted utiliza Internet, y sus hijos, también; pero resulta más interesante creer que está lleno de terroristas, de pornografía... Pensar que es un factor de alienación resulta más interesante que decir: Internet es la extensión de su vida. Si usted es sociable, será más sociable; si no lo es, Internet le ayudará un poquito, pero no mucho. Los medios son en cierto modo la expresión de lo que piensa la sociedad: la cuestión es por qué la sociedad piensa eso.
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P. ¿Por miedo a lo nuevo?
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R. Exacto. Pero miedo, ¿de quién? De la vieja sociedad a la nueva, de los padres a sus hijos, de las personas que tienen el poder anclado en un mundo tecnológica, social y culturalmente antiguo, respecto de lo que se les viene encima, que no entienden ni controlan y que perciben como un peligro, y en el fondo lo es. Porque Internet es un instrumento de libertad y de autonomía, cuando el poder siempre ha estado basado en el control de las personas, mediante el de información y comunicación. Pero esto se acaba. Porque Internet no se puede controlar.
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P. Vivimos en una sociedad en la que la gestión de la visibilidad en la esfera pública mediática, como la define John J. Thompson, se ha convertido en la principal preocupación de cualquier institución, empresa u organismo. Pero el control de la imagen pública requiere medios que sean controlables, y si Internet no lo es...
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R. No lo es, y eso explica por qué los poderes tienen miedo de Internet. Yo he estado en no sé cuántas comisiones asesoras de gobiernos e instituciones internacionales en los últimos 15 años, y la primera pregunta que los gobiernos hacen siempre es: ¿cómo podemos controlar Internet? La respuesta es siempre la misma: no se puede. Puede haber vigilancia, pero no control.
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P. Si Internet es tan determinante de la vida social y económica, ¿su acceso puede ser el principal factor de exclusión?
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R. No, el más importante seguirá siendo el acceso al trabajo y a la carrera profesional, y antes el nivel educativo, porque, sin educación, la tecnología no sirve para nada. En España, la llamada brecha digital es por cuestión de edad. Los datos están muy claros: entre los mayores de 55 años, sólo el 9% son usuarios de Internet, pero entre los menores de 25 años, son el 90%.
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P. ¿Es, pues, sólo una cuestión de tiempo?
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R. Cuando mi generación haya desaparecido, no habrá brecha digital en el acceso. Ahora bien, en la sociedad de Internet, lo complicado no es saber navegar, sino saber dónde ir, dónde buscar lo que se quiere encontrar y qué hacer con lo que se encuentra. Y esto requiere educación. En realidad, Internet amplifica la más vieja brecha social de la historia, que es el nivel de educación. Que un 55% de los adultos no haya completado en España la educación secundaria, ésa es la verdadera brecha digital.
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P. En esta sociedad que tiende a ser tan líquida, en expresión de Zygmunt Bauman, en que todo cambia constantemente, y que cada vez está más globalizada, ¿puede aumentar la sensación de inseguridad, de que el mundo se mueve bajo nuestros pies?
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R. Hay una nueva sociedad que yo he intentado definir teóricamente con el concepto de sociedad-red, y que no está muy lejos de la que define Bauman. Yo creo que, más que líquida, es una sociedad en que todo está articulado de forma transversal y hay menos control de las instituciones tradicionales.
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P. ¿En qué sentido?
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R. Se extiende la idea de que las instituciones centrales de la sociedad, el Estado y la familia tradicional, ya no funcionan. Entonces se nos mueve todo el suelo a la vez. Primero, la gente piensa que sus gobiernos no la representan y no son fiables. Empezamos, pues, mal. Segundo, piensan que el mercado les va bien a los que ganan y mal a los que pierden. Como la mayoría pierde, hay una desconfianza hacia lo que la lógica pura y dura del mercado le pueda proporcionar a la gente. Tercero, estamos globalizados; esto quiere decir que nuestro dinero está en algún flujo global que no controlamos, que la población se ve sometida a unas presiones migratorias muy fuertes, de modo que cada vez es más difícil encerrar a la gente en una cultura o en unas fronteras nacionales.
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P. ¿Qué papel desempeña Internet en este proceso?
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R. Por un lado, al permitirnos acceder a toda la información, aumenta la incertidumbre, pero al mismo tiempo es un instrumento clave para la autonomía de las personas, y esto es algo que hemos demostrado por primera vez en nuestra investigación. Cuanto más autónoma es una persona, más utiliza Internet. En nuestro trabajo hemos definido seis dimensiones de autonomía, y hemos comprobado que cuando una persona tiene un fuerte proyecto de autonomía, en cualquiera de esas dimensiones, utiliza Internet con mucha más frecuencia e intensidad. Y el uso de Internet refuerza a la vez su autonomía. Pero, claro, cuanto más controla una persona su vida, menos se fía de las instituciones.
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P. Y mayor puede ser su frustración por la distancia que hay entre las posibilidades teóricas de participación y las que ejercen en la práctica, que se limitan a votar cada cuatro años, ¿no cree?
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R. Sí, hay un desfase enorme entre la capacidad tecnológica y la cultura política. Muchos municipios han puesto puntos Wi-Fi de acceso, pero si al mismo tiempo no son capaces de articular un sistema de participación, sirven para que la gente organice mejor sus propias redes, pero no para participar en la vida pública. El problema es que el sistema político no está abierto a la participación, al diálogo constante con los ciudadanos, a la cultura de la autonomía, y, por tanto, estas tecnologías lo que hacen es distanciar todavía más la política de la ciudadanía.
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terça-feira, 16 de setembro de 2008

ERGO - é como se diz na Grécia AÇÃO, TRABALHO, ESFORÇO - OBRA - uma ferramenta de vendas, talvez mais que isso, um conceito de planejamento da BOTELHO

Na tarde de hoje tive o prazer de conhecer Cláudio Botelho em pessoa, diretor da BOTELHO COMUNICAÇÃO e responsável por ERGO um conceito o qual vale muito a pena ser estudado pelos planejadores.
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A princípio minha visão entende ERGO a partir da visão integrada de todos os atores da ação publicitária e seu papel na definição das bases de desenvolvimento das ações de comunicação e marketing.
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ERGO se coloca acima da compartimentalização verticalizada dos departamentos de uma agência de comunicação, visando objetivamente a construção conjunta de resultados.
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Parece complicado, mas não é. É objetivo, sem contudo deixar de ser específico quando necessário.
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ERGO apresenta um roteiro de prática publicitária, mercadológica e comunicacional que não pode ser ignorado pelos planejadores.
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Meu grande abraço ao Cláudio e meus parabéns por ERGO - conheçam: http://www.botelho.com.br/flash_content/flash_content.html
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quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Hypnotiq - Rafael Meireles.

A Hypnotiq é uma agência digital precursora. Orientada para atender diversos setores do mercado nacional e internacional. Foi idealizada por profissionais com mais de duas décadas de experiência no mercado de imóveis, o que possibilita uma perfeita integração com planejamento, tecnologias e mídias... este é o prefácio de apresentação da agência online Hypnotiq - www.hypnotiq.com.br , dirigida por Rafael Meireles, a quem tive o prazer de conhecer no dia de hoje em visita à agência.
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Parabéns Rafael, sucesso!
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Usuários residenciais de internet batem recorde

Números do Ibope//NetRatings do mês de julho é o maior da história da pesquisa
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O mês de julho marca a história da pesquisa IBOPE//NetRatings, que mensura o número de usuários de internet residenciais no Brasil. A pesquisa apontou que 23,7 milhões de pessoas usaram a rede de casa no mês passado - total 3,5% superior ao apurado em junho de 2008 e 28% maior que os 18,5 milhões divulgados em julho de 2007. Este é o número mais representativo já observado desde o início da pesquisa, em setembro de 2000. Outro dado também é importante: o brasileiro continuou a ser o internauta residencial que mais navega no planeta, com 24 horas e 54 minutos por pessoa ? o número é uma hora e 42 minutos a mais do que o tempo de junho e maior patamar já alcançado no país desde o início da pesquisa. Segundo Alexandre Sanches Magalhães, gerente de análise do Ibope//NetRatings, "tradicionalmente, o mês de julho, por ser férias escolares e por ser a internet a principal atividade para parte dos jovens estudantes, mostra crescimento no tempo de consumo desta mídia".
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Meio & Mensagem.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Internet cresce 45%

Segundo dados do Projeto Inter-Meios, a internet foi o meio que mais cresceu em termos de investimentos publicitários: 45% a mais neste semestre, em relação ao mesmo período de 2007.
Um montante de R$ 321 milhões foram investidos no meio, o que representa participação de 3,36% no bolo publicitário. No total, foram investidos R$ 9,57 bilhões em mídia, neste primeiro semestre, o que significa crescimento de 16,32% em relação ao mesmo período de 2007.
A TV continua sendo o meio com maior participação no bolo: R$ 5,6 bilhões ou 58,53% do total e crescimento de 14,76% em relação ao ano passado.A participação dos jornais no bolo publicitário chegou a 17,2%, com R$ 1,65 bilhões de faturamento publicitário, crescimento de 19,8%, em comparação com o mesmo período do ano passado.
A TV por assinatura faturou R$ 311 milhões no período, com crescimento de 25,46% e participação de 3,26%. Até mesmo o meio cinema cresceu no período: 18,72%, com 0,36% de participação no bolo e investimentos de R$ 34 milhões.Guias e Listas foram os únicos meios com decréscimo no semestre: -13,63% e investimentos de R$ 206 milhões.
Fonte: CCSP

UGAH! UGAH! UGAH!

"O homem de Neanderthal não era criativo. Passaram-se 200 mil anos e ele continuava fazendo o mesmo tipo de machado de pedra".
O Homo Sapiens, por sua vez, começou a construir tacapes, transformar gravetos em palitos, e forjar diversas outras ferramentas. Então, eles mataram todos os Neanderthal com seus novos instrumentos. Moral da história: vale a pena ser criativo. Não vale a pena fazer as mesmas coisas o tempo todo".
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Peter Souter, líder da Abbott Mead Vickers BBDO, Londres, em palestra no Clube de Criação de São Paulo, 25/ago/2008.
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quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Gustavo Gontijo, gente finíssima!

Outro profissional formidável que me foi apresentado pela Robi Carusi da SD é o Gustavo Gontijo, planejador da B/Ferraz, responsável por um "senhor" blog, indispensável aos planejadores, especialmente os planejadores da área promocional: Promo Planners, o 1º blog para planejadores de promoção - confiram: http://promoplanners.blogspot.com/
É isso aí Gustavo, sucesso!

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segunda-feira, 18 de agosto de 2008

NEW STYLE - Idéias que pulsam!

Quero aqui mandar meu cordial abraço à Tatiana Fauza, da New Style, com a qual tive a oportunidade trocar impressões e informações sobre o planejamento e o mercado no dia de hoje.
Parabéns à New Style, muito sucesso! - www.newstyle.com.br

Douglas Gregorio::.
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domingo, 17 de agosto de 2008

Bem-vindo, Cisneiros!

O Reatorama conta com mais um reforço de peso em seu networking - Ricardo Cisneiros, profissional de marketing digital que atua na Aché Laboratórios. Arquiteto de informação com experiência diversificada, Cisneiros também teve passagens pelo Banco Real e pela Agência Click. O Reatorama cresce em quantidade e qualidade!

AS LIÇÕES DO MONGE SHAOLIN - para transformações de impacto, comunicação de impacto.



O marketing esportivo sem dúvida é uma das vertentes que mais reflete a nova realidade da comunicação publicitária.

Tive o privilégio de anos atrás desenvolver alguns projetos em parceria com Amauri, ouro no vôlei em Barcelona, e mais recentemente participar de uma complexa reunião com a cúpula da Penalty na América Latina estudando e redefinindo conceitos no concorrido mercado de calçados esportivos.

Num Brasil e num mundo onde é incrível a velocidade com a qual conceitos mercadológicos como classe social, desejo do consumidor, necessidades e outros se transformam, invertem, reinvertem, a exigência que recai sobre os publicitários em geral faz com que soframos uma pressão quase que insuportável.

No atendimento, como fazer a ponte entre cliente e agência satisfazendo aos dois extremos? Na mídia, qual a melhor forma de se atingir o consumidor que ora está na TV aberta, ora está na Internet e ora exige diferenciais no ponto de venda? Criativos então, parecem que se sentem tal qual o Dr. Frankstein em busca do segredo da geração da vida juntando retalhos de cases de sucesso combinados a elementos de ponta na tecnologia e novos paradigmas comunicacionais na ânsia de definições, ainda que efêmeras, sobre o target. E o planejamento então? Como realizar a alquimia do norteamento estratégico de todo este processo mutante e veloz, sendo ao mesmo tempo solicitado pela agência a convencer o cliente de que a proposta tem bases sólidas que garantirão retorno dos investimentos... uma salada.

Porém... será que todo este desafio e toda esta dinâmica não é justamente aquilo que nos provoca prazer?

Alguns radicais gostam de escalar montanhas, saltam de aviões, arriscam-se com altíssimas velocidades... outros radicais buscam a melhor forma de comunicar-se e compreender o consumidor gerando altas doses de adrenalina na produção e lançamento de campanhas e ações mercadológicas.

Ser diferente dentro da onda comum – o desafio... se a onda é olimpíadas, como garantir o diferencial diante disso tudo?

Perplexo diante de tanta dinâmica e multiplicidade, o mercado publicitário hoje apresenta uma forte tendência a absorver em suas fileiras profissionais com sólida base em conhecimentos humanísticos, como antropólogos, sociólogos, psicólogos e filósofos que os assessorem na compreensão desta transição civilizatória entre a cultura industrial e a cybercultura, uma revolução que não pode ser ignorada.

Assim, aproveitando esta vertente, cabe lembrar que no imaginário social a imagem do atleta esteve profundamente ligada à devoção – desde a antiguidade muitos campeões se divinizaram – constituindo na verdade uma versão ligth da figura do guerreiro.

Representantes de identidades nacionais, atletas e campeões conferem ao povo o orgulho e a positividade na segurança existencial de que estão no caminho certo.

A campanha “Conspiração Pequim” da Olympikus reflete este espírito. Confiram as informações que seguem:

A Olympikus, marca que veste a delegação brasileira com 53 mil peças, aproveitou os jogos para colocar no ar a maior campanha de sua história, com verba de R$ 20 milhões e que será veiculada até o final de agosto. A iniciativa, intitulada Conspiração Pequim, inclui um comercial estrelado pelo técnico do vôlei Bernardinho e pelo jogador Giba, criado pela DCS. O filme teve verba de R$ 1,5 milhão. Sites, blogs e um game exclusivo, com qualidade de playstation, também integram a ação. O site da campanha, que marcou a segunda fase da iniciativa, foi criado pela agência gaúcha em parceria com a agência digital AG2. Esta é a terceira vez que a Olympikus investe nos jogos olímpicos. “Uma parceria de sucesso com o COB e com o esporte olímpico brasileiro. Mais uma oportunidade de mostrarmos ao mundo o avançado estágio de tecnologia e design dos nossos produtos. Estamos seguros que teremos uma grande visibilidade na China sendo a marca oficial dos atletas brasileiros”, conta Marcio Callage, gerente da divisão de marketing da Olympikus. E a marca vai além do Brasil na presença nos jogos. A Olympikus também veste os atletas das Ilhas Cayman, República Dominicana, Granada, Haiti, Nicarágua, Suriname e Uruguai. (Fonte: Propmark).

No espírito antropológico acima descrito, a comunicação da campanha faz a ponte entre estes heróis do passado – evocados no Bernardinho, velho monge e mestre da milenar China – que misticamente se faz presente na mente de Giba, herói da atualidade o qual se vê importunado num ataque de inimigos, tal como os antigos e valorosos guerreiros Shaolin que se destacam na história chinesa por seus incríveis feitos e habilidades praticamente mágicas.

Esta é a associação de idéias que aparece nesta fortíssima campanha publicitária que não pode ser ignorada, ainda mais nos paradigmas que rompe.

Rompe com o monopólio das grandes e badaladas empresas de comunicação, top ones que costumam encabeçar investimentos deste porte; rompe com a planejadíssima e inovadora estratégia de mídia que adapta-se liquidamente aos mais variados recipientes de contato com o consumidor; inova nos conceitos estratégicos, ousados no posicionamento dos ícones associados à marca desvinculando-a do complexo de colonização, realçando seus valores de marca internacional de origem brasileira.

Depois das chocantes revelações de “O Código da Vinci”, a civilização ocidental aproxima-se da oriental via olimpíadas, numa grande conspiração que segue a mesma tônica da revisão de suas raízes místicas, revelando no fim o Grande Herói, divinizado pelos louros olímpicos, Giba, que trás consigo a insígnia triunfante Olympikus – mensagem forte, não acham?!

Tradicional potência olímpica, os Estados Unidos vêem-se subjugados pela ascensão da China que, além de sediar com distinção o evento, lhe furta o podio muitas vezes de forma inesperada; uma conspiração internacional civilizatória em que tadicionais inimigos – comunistas e capitalistas – encontram-se tal qual a profecia que a nós chega de trem na arte de nosso saudoso Raul Seixas: “Ói, olha o bem, vem de braços e abraços com o mal num romance astral”... parceria que reflete igualmente no comércio internacional. Eles se amam.

Com toda certeza, estas olimpíadas refeletem de forma muito especial o espírito de transição civilizatória dos nossos tempos, cuja compreensão e estudo publicitários que almejam ao sucesso não podem abrir mão.

Douglas Gregorio::.
Agosto de 2008.
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terça-feira, 12 de agosto de 2008

A RETOMADA

Caros amigos
O curso na Miami Ad School/ESPM acabou não acontecendo por motivos de força maior. Uma pena.
De qualquer forma esta semana que passou tive o privilégio de conhecer pessoalmente o Julio Cesar, publicitário baiano que já interagiu bastante com o Reatorama e esteve visitando a capital da pizza.
Aproveitou para fazer uma série de visitas profissionais ampliando seu network, seus conhecimentos, suas experiências e muito pudemos falar sobre tudo isso, inclusive com a experiência de um estágio relâmpago que ele desenvolveu junto ao pessoal do planejamento da Publicis, e também conheceu a Beth Furtado, da QG, grande planejadora do network do Reatorama.
Nos últimos dias igualmente o Reatorama nada produziu por uma série de motivos, entre eles e o mais forte, os problemas técnicos... mas agora tudo está aos poucos voltando ao normal.
Amanhã começo uma especialização na ECA-USP referente à questão das tecnologias digitais, sob a orientação da Profa. Dra. Lucilene Cury. Assim, mais material teremos a divulgar nas próximas semanas sobre os debates e conteúdos que espero obter lá.
Um grande abraço a todos os leitores e amigos do Reatorama. Em breve, mais informações e conteúdos sobre temas do mundo da comunicação.
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O Editor
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segunda-feira, 28 de julho de 2008

VOLTANDO DAS FÉRIAS

O editor do Reatorama tirou pequenas férias não tão lúdicas, porém mais reflexivas sobre a atuação no mercado da comunicação.
A semana que vem estarei participando na Miami Ad School - ESPM do curso de Pensamento Estratégico, e com certeza estarei publicando muito daquilo o que eu espero obter com o curso.
Aproveito e deixo aqui um grande abraço para algumas pessoas que recentemente passaram a integrar nosso network, a Roberta Carusi, planejadora e editora do blog Planejamento Criativo http://www.planejamentocriativo.com/ , a Emi Takahashi, velha colega de trabalho no início da carreira que hoje está na mídia da 141 Soho, e também o Fernando Figueiredo, diretor da Bullet.
E vai meu grande abraço ao velho colega que tanto já participou aqui do Reatorama, o Julio Cesar da Bahia, o qual se encontra na Paulicéia Desvairada para o curso que iremos fazer juntos na Miami Ad School.
Até breve então, sucesso a todos!
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Douglas Gregorio::.
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domingo, 6 de julho de 2008

MERCADO E ACADEMIA SÃO REALMENTE INCONCILIÁVEIS?


Há profissionais que ao longo da carreira pagam um preço alto por terem tido em sua formação base em ciência pura. O problema agrava-se ainda mais quando se trata de um curso da área de humanidades. Sociólogos, historiadores, antropólogos e outros assim que se aventuram em carreiras corporativas enfrentam sérios problemas.

Quando um acadêmico é “interceptado” tentando penetrar no mundo corporativo, uma das reações mais comuns é a de classificar este indivíduo como alguém aprisionado às suas necessidades materiais, já que seu prazer está ligado à livre divagação cultural, observação esta que via de regra é direcionada a outro raciocínio – ele não tem futuro no mundo corporativo, jamais se adaptará.

Por outro lado, quando um empreendedor ou executivo é “flagrado” tentando penetrar nos meios acadêmicos, uma das reações mais comuns é a de achar que ele está lá em busca de subsídios incremento de sua lucratividade, ou para fiscalizar a aplicação dos investimentos de sua empresa, ou ainda acham que ele esteja lá única e simplesmente procurando novas oportunidades de negócios.

Ambos os casos são pré-julgamentos os quais, com certeza, não possuem qualquer reflexo na realidade.

Conheço gente com formação humanística que atua no mercado publicitário, e evita de, por exemplo, citar um trecho de uma teoria clássica, por mais pertinência que esta tiver com a tarefa que estão executando.

Apresentar um plano à equipe e cair na besteira de citar inspiração nas regras do método cartesiano, por exemplo, pode não somente resultar na rejeição do projeto, mas também no comprometimento da credibilidade depositada no profissional, quando não – e não é exagero dizer – na perda do emprego.

Por outro lado, não são raras as notas baixas aplicadas por professores universitários a alunos que em seus trabalhos tentam estabelecer uma correspondência entre as teorias clássicas da cultura ocidental e as práticas que vivenciam no mundo corporativo, sob a alegação de “carência de rigor científico”.

Uma das tendências atuais do mercado é a procura de profissionais com “sólida base humanística”, mas quando os selecionadores são interpelados para explanar o que é entendido pela expressão, falam de “conhecimentos sólidos em antropologia, sociologia, filosofia ou psicologia, que permitirão analisar as questões de mercado com maior profundidade” – ou seja, nada é explicado nem definido.

Será, porém, que acadêmicos e executivos estão de acordo quanto ao significado do que seja uma “sólida base humanística”, e mais ainda, será que superaram os seus velhos preconceitos de julgarem-se mutuamente como “inconciliáveis”? De um lado, a academia acusando o mercado em priorizar o lucro em detrimento do homem e da sociedade, e de outro, o mercado acusando a academia de viver em divagações abstratas em detrimento das necessidades básicas e funcionais da sociedade.

Parece que existe uma unanimidade de discursos quando se fala sobre esta rivalidade. Todos dizem que ela não deveria existir, já que ambos são interdependentes – a academia necessita de financiamento para existir, enquanto o mercado necessita de diferenciais competitivos que em essência se originam do desenvolvimento científico – assim, por que partes tão complementares são tão hostis entre sí?

Na verdade, parece que esta diferença situa-se simplesmente no âmbito da linguagem.

O grande fluxo de informações no mundo corporativo inevitavelmente leva ao desenvolvimento de uma linguagem própria; obviamente, isso também vai ocorrer no mundo acadêmico.

Assim, por que executivos e intelectuais acusam-se mutuamente de alienação? Porque sociólogos chamam de comunicação institucional aquilo o que administradores chamam de branding? Porque antropólogos chamam de signos de identidade cultural aquilo o que publicitários chamam de lovemark? Porque filósofos chamam de comunidades de interesse aquilo o que o setor de desenvolvimento de produtos chama de nichos de consumo? Porque historiadores chamam de sociedade em rede aquilo o que comerciantes chamam de long tail? Porque cientistas chamam de observação metódica aquilo o que empreendedores chamam de trend hunting? Porque psicólogos chamam de conscientização de potencialidades aquilo o que o RH chama de treinamento? Os exemplos são intermináveis.

Observando por um outro ponto de vista, será que a academia e o mercado são tão excludentes porque um cientista social escreve um tratado científico para explicar a transformação dos conceitos administrativos após o advento da informática, e o mundo corporativo utiliza imagens e poucas palavras em sumárias apresentações em Power Point para explicar o crescimento de uma empresa com a aplicação de tecnologia de última geração? Fato é que metodologias corporativas jamais se desenvolveriam e evoluiriam sem base científica, assim como não existe sentido em escrever tratados científicos que só interessam às famintas traças da biblioteca.
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Aí reside a diferença entre ciência e tecnologia – a primeira precisa estar atenta a todos os detalhes do seu objeto de estudo (case na linguagem corporativa) e realizar experimentos que confirmem regras (expertise ou know how em linguagem corporativa), enquanto a segunda desenvolve formas e métodos de se aplicar no dia a dia este conhecimento de forma prática e produtiva.

Quanto à acusação de linguagem hermética – aquele famoso “não deu para entender nada!” – a qual geralmente recai mais sobre a academia que sobre o mundo corporativo, ocorre aí a necessidade de um auto-policiamento mútuo.

Hoje ainda há a desculpa da globalização para se justificar o excesso do uso de expressões de origem na língua inglesa pela linguagem corporativa, mas fato é que esta tendência é observada desde décadas antes do advento da Internet e dos jargões globalizantes. Em contrapartida existem aqueles acadêmicos que utilizam palavras expressões raramente utilizadas na linguagem coloquial, mas que nela encontram precisos correspondentes, justificando esta prática pela excelência científica, quando na verdade trata-se de mera linguagem rebuscada a qual garantirá ao orador o rótulo de erudito.

O problema da conciliação das partes está justamente na tradução de um lado para outro; radicais em suas posições, mercado e academia apresentam fortes argumentos cada qual justificando a inconciliação entre ambos os interesses, quando na verdade é justamente a falta de maleabilidade entre as partes que gera os atritos.

Ambas as partes alegam prejuízos de tempo e prática nas tentativas de transposição das linguagens a qual mais cheira a reserva de feudos que outra coisa.

Assim, outra tendência atual é a de se observar profissionais que procuram se manter ligados a ambas as partes em esforço de conciliação.

Apesar de haver hostilidades mútuas, talvez seja mais difícil para o mercado aceitar profissionais com nuances acadêmicas que o contrário.

No mercado, os elementos colocam-se como vivendo uma permanente guerra de concorrência, onde o tempo e a informação são valiosos à sobrevivência, assim, incorporar um acadêmico à equipe de trabalho pode representar, segundo seus infundados temores, um grave desvio estratégico e um grande risco à produtividade.

Já para a academia, talvez seja mais fácil aceitar um executivo ou empreendedor em seus quadros, já que estes são eternos curiosos em busca de novos casos a serem investigados.

Perdão meu caro leitor, parece que este artigo não possui uma finalização – e não possui mesmo. Porém, ainda tenho esperança de ver esta inconciliação superada. Só não me pergunte como.

Douglas Gregorio::.
Julho de 2008.




segunda-feira, 16 de junho de 2008

AS QUALIDADES DE UM PLANEJADOR PARA OS DIAS DE HOJE.


Uma experiência recente junto a um importante grupo de comunicação levou-me a refletir sobre o que o mercado exige de um planejador na atualidade.

Nesta experiência tive a oportunidade de entrar em contato com diversos profissionais de várias empresas ligadas à holding em questão, bem como pude participar e dialogar com profissionais de marketing responsáveis por importantes marcas presentes no mercado brasileiro.

Assim, após algumas semanas cheguei à radical conclusão de que um profissional deve regularmente revisar sua situação, entrecruzando sua bagagem experimental com sua visão de negócio e mercado, métodos e bases profissionais.

Em outras palavras, estar atualizado é algo que vai muito além de ler diariamente os principais newsletters do mercado publicitário e participar eventualmente de alguma palestra ou workshop.

O mercado da era digital adquiriu um dinamismo tal que é impossível dizer que dado job ou projeto está finalizado. O tempo produtivo é virtual e confunde-se com a velocidade de processamento e transmissão de dados online, sem esquecer da máxima capitalista tempo é dinheiro.

Todo profissional de comunicação deve estar ciente de sua importância e papel neste processo com todo aparato de INFORMAÇÃO necessário, já que a mínima falha pode ser fatal para todas as partes.

Assim, minha reflexão veio de um diálogo travado junto aos profissionais com quem convivi, elencando algumas das exigências que recaem sobre um planejador de comunicação da era digital.

1 – O planejador deve ser um TREND HUNTER – sempre atento às principais tendências da cultura contemporânea em todas as suas nuances: comportamento, mercado, arte, ciência, arquitetura, política e outras.

2 – O planejador deve exercitar sua intuição para perceber sempre OPORTUNIDADES DE NEGÓCIOS para todas as partes envolvidas em seu trabalho, em tudo o que faz – se ele não perceber, outros com certeza perceberão.

3 - A especialidade de um planejador é PLANEJAR; assim, a venda de feijoada, a descoberta dos oceanógrafos, o lançamento do mais arrojado modelo de carro esportivo ou a inauguração da loja de artigos populares exige habilidade tal que possa ENTENDER VARIADOS TIPOS DE NEGÓCIOS.

4 – Atenção a todo e qualquer movimento: assim como um praticante de artes marciais em ação, no mundo globalizado a CAPTURA DE PROJETOS QUE SE DESTACAM é questão de sobrevivência.

5 – O DOMÍNIO DE FERRAMENTAS de análise e diagnóstico de mercado é mais que uma obrigação - estar alheio é estar fora do jogo. Fundamentais são propostas formuladas a partir de análise de posicionamento concorrencial, SWOT, benchmarking e suas variantes.

6 – Todo e qualquer informação sobre um acontecimento de mercado que refletir ainda que minimamente nos negócios da agência devem estar sob o domínio do planejador antes mesmo de acontecerem – isso não é modo de dizer ou força de expressão, é realidade.

7 – Entrecruzar a base de conhecimento humanístico sobre elementos pertinentes ao mercado com o conhecimento aplicado deve ser uma habilidade praticamente artística do planejador; conhecer e interpretar as tendências sociais, comportamento, consumo, fatos históricos, perfis psicológicos e sociológicos, rumos da economia e etc.

8 – O produto do trabalho do planejador será base de todo movimento que a agência desenvolverá. Assim, este planejador deve estar mais que preparado para um dos mais difíceis papéis sociais, que é desenvolver um ESPÍRITO INTEGRADOR, LIDERAR, abraçando a equipe como parte de seu próprio corpo.

9 - Network não é algo que interessa somente a profissionais desempregados. Ele é sumamente importante no sentido de se gerar e manter as FONTES DE INFORMAÇÃO que no final farão aquela diferença sutil tão importante ao sucesso.

10 - Enfim, como foi dito no início, o processo não pode mais ser encarado na clássica composição começo-meio-fim; o processo evoca o mito da serpente Orobóro, aquela que morde a própria cauda – começo, meio e fim podem até ser identificáveis no panorama geral, mas ao engolir a própria cauda os três se confundem num ciclo vivo e dinâmico de fecundação dos elementos ativo e passivo, de uma infinitude inquieta e veloz, e o segredo do sucesso aí está em ser INOVADOR sempre.

terça-feira, 6 de maio de 2008

PUBLICIDADE GLOBAL CRESCE EM 2007 GRAÇAS ÀS AÇÕES DIGITAIS.

No mundo todo, em 2007 os negócios publicitários cresceram 8,6% em relação a 2006 segundo a Advertising Age.
Não resta dúvidas de que a área digital é a grande responsável por este crescimento. Nos Estados Unidos, a receita das agências interativas cresceu 26,8% em 2007, e a participação do meio digital na receita das agências americanas no ano passado esteve na ordem de 10,2%.
Para citar um exemplo, a Goodby, Silverstein & Partners, a agência do ano em 2007 nos Estados Unidos segundo a Ad Age, os serviços digitais foram responsáveis por nada mais, nada menos que 52% de sua receita.
No ranking internacional, o Brasil se fez representar pelo Grupo ABC que ficou em 21º lugar com a receita de US$ 228 milhões e crescimento de 42%.

Fonte: Meio & Mensagem - 05/05/2008.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

NOVAS TENDÊNCIAS - As 50 melhores "shockvertisements"



Shockvertisements - trata-se de uma estratégia comunicacional que visa envolver o interlocutor pela extrema agressividade e impacto, geralmente utilizada como advertência do poder público perante grandes problemas sociais... mas não só isso.
A fotografia mostra um anúncio da campanha francesa de combate à aids, desenvolvida pela TBWA daquele país.

A TrendHunter Magazine elencou um ranking de 50 melhores exemplos de campanhas do gênero dos últimos tempos. Brasil está no meio.

terça-feira, 22 de abril de 2008

Jean-Paul Jacob e o futuro próximo nas perspectivas da cybercultura.


Tomei a liberdade de reproduzir aqui matéria publicada no site http://www.offline.com.br/ a qual nos fala do trabalho do Prof. Dr. Jean Paul Jacob. Apesar do nome franco-hebraico, trata-se de um brasileiro de 71 anos que consegue conciliar a genialidade acadêmica de um professor da Universidade da Califórnia - Berkeley, com a pujança profissional atuando no centro de pesquisas da IBM na cidade de Almadén, no Vale do Silício.


Formado pelo ITA com duplo PHD em Matemática e Eletrônica, é uma lenda viva que tornou-se conhecido nos últimos 50 anos por suas previsibilidades tecnológicas que anteciparam o futuro em pelo menos dez anos, por exemplo, utilizando um protótipo do telefone celular muito antes dele se tornar meio de comunicação de massa, ou ainda antecipando o surgimento dos computadores portáteis, câmeras digitais e eletrodomésticos inteligentes ainda na década de 80.


Uma dica que ele dá aos interessados no estudo da cybercultura é que a bola da vez se encontra na utilização do conhecimento dos usuários da web, canalizando-os paa objetivos específicos conforme a necessidade em cogitação, dominando as mais variadas ferramentas da web 2.0 como os blogs, wiki e outros canais onde ambos os interlocutores experimentam alto grau de interatividade. Imaginem, por exemplo, o quanto poderia revolucionar o mercado o aprofundamento de canais cada vez mais amplos e personalizados onde cada consumidor pudesse ser ouvido na medida em que fosse obtendo respostas às suas dúvidas e desejos.


Ainda o fenômeno do long tail se faz presente no desenvolvimento tecnológico na medida em que os produtos estão sendo pensados de forma a explorar os nichos de consumidores definidos, e cada vez mais aprofundando esta tendência, uma vez que os projetos que se transformam em produtos ou serviços não abordam simplesmente uma identidade simbólica, por exemplo, grifes que exploram uma determinada temática, mas em função da interatividade pode envolver-se e sentir o consumidor, apurando cada vez mais suas ferramentas de pesquisa, compreendendo o que se passa na cabeça de quem compra determinado produto ou serviço antes da compra, durante o consumo e momento posterior.


Neste sentido ele nos dá um exemplo muito bem plausível: a Wikipédia desbancou totalmente a Enciclopédia Encarta da Microsoft e a WordBook da IBM.

Divritam-se... e aproveitem as idéias do Prof. Jacob.


Douglas Gregorio::

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O relatório de 2008, editado pelo NMC: The New Media Consortium, com a participação de Jean Paulo Jacob (veja entrevista com o guru na OFFLINE nº 1), traz as cinco tecnologias que prometem transformar a educação nos próximos anos. Vale conferir.


Vídeos em massa.

Virtualmente qualquer um pode capturar, editar e compartilhar vídeos curtos, utilizando equipamentos baratos (como telefones celulares) e softwares gratuitos ou de baixo custo. Os sites de compartilhamento de vídeo continuam a crescer em taxas prodigiosas na Internet; é muito comum encontrar clipes noticiosos, tutoriais e vídeos informativos, ao lado de musicais e produções caseiras de cunho pessoal, que dominam o conteúdo desses sites desde seu surgimento. O que costumava ser difícil e caro, e freqüentemente requisitava servidores e redes de distribuição de conteúdos especiais, agora se tornou algo que qualquer um pode realizar por uma ninharia. Os serviços de hospedagem oferecem decodificação, infra-estrutura, serviços de busca e mais, deixando o produtor se preocupar apenas com o conteúdo. A customização das marcas tem possibilitado a instituições ter sua própria presença dentro destas redes e deve incendiar um crescimento rápido entre organizações focadas no aprendizado que querem que seu conteúdo esteja onde os espectadores estão.


Web colaborativa.

A colaboração não mais exige equipamentos caros e nem muita especialização. As novas ferramentas para o trabalho colaborativo são menores, flexíveis e grátis e não requerem instalação. Basta abrir os navegadores para editar documentos em grupo, tomar parte em encontros online, trocar dados e informações e colaborar de inúmeras formas, sem sair da cadeira. As interfaces de programação aberta permitem aos usuários ajustar as ferramentas às suas necessidades e então partilhá-las.


Banda larga móvel.

A cada ano, mais de um bilhão de novos aparelhos móveis são fabricados, o que significa um telefone para cada seis habitantes do planeta. Neste mercado, inovação está ocorrendo num ritmo sem precedentes. As capacidades estão aumentando rapidamente e os preços estão se tornando mais acessíveis. De fato, os celulares estão se tornando rapidamente a plataforma mais acessível por estarem em rede e em movimento.
Novos mostradores e interfaces tornam possível acessar por meio deles praticamente qualquer conteúdo na Internet - conteúdo que pode ser entregue tanto por uma rede de telefonia de banda larga, como por uma rede local sem fio.


Junção de dados ("data mashups").

Aplicações customizadas onde combinações de dados de diferentes fontes são congregadas em uma única ferramenta - oferecem novas formas de olhar e interagir com coleções de dados. A disponibilidade de grandes quantidades de dados (desde padrões de busca ou ofertas de imóveis ou tags de imagens do Flickr) estão convergindo com o desenvolvimento das interfaces de programação abertas para redes sociais, mapeamentos e outras ferramentas. Em contrapartida, isto está abrindo as portas para centenas de junções de dados que irão transformar a maneira como entendemos e representamos as informações. Inteligência coletiva. O tipo de conhecimento e entendimento que brota de grandes grupos de pessoas é a inteligência coletiva. Nos próximos anos, veremos aplicações educativas tanto para inteligência coletiva explícita - evidenciada em projetos como a Wikipedia e as tags de comunidades -, como para inteligência coletiva implícita, ou agrupamentos de dados das atividades repetidas por muita gente, incluindo os padrões de buscas, as localizações de celulares, fotografias digitais geocodificadas e outros dados obtidos passivamente. As junções de dados irão trabalhar sobre essas informações para expandir nosso entendimento sobre nós mesmos e sobre o mundo mediado pela tecnologia em que vivemos.


Sistemas operacionais sociais.

O ingrediente essencial da próxima geração de redes sociais serão os sistemas operacionais sociais que serão a base da organização das redes em torno de pessoas, mais do que de conteúdos. Esta simples mudança conceitual promete profundas implicações para o mundo acadêmico e para todas as maneiras como concebemos conhecimento e aprendizagem. Os sistemas operacionais sociais darão suporte a novas categorias de aplicações que tecem conexões implícitas e pistas que deixamos em todos os lugares, enquanto seguimos com nossas vidas e as usamos para organizar nosso trabalho e nosso pensamento em torno das pessoas que conhecemos.


A íntegra do estudo está em www.nmc.org/pdf/2008-Horizon-Report.pdf (em inglês).

quarta-feira, 16 de abril de 2008

BG Interativa - valorizando o planejamento.

Na tarde de hoje, 16 de abril, tive a oportunidade de conhecer os profissionais que estão à frente da BG Interativa: Fernando Cruz, gerente de projetos; Henrique Vieira, diretor administrativo, e Araken Leão, diretor geral.
De forma sistemática e objetiva, estes profissionais mostraram que a BG, agência digital do Grupo Total, norteia-se por uma filosofia de valorização do planejamento, investindo pesado em informação e pesquisa, sempre antenada nas novidades e vanguardismos da web, antecipando-se no agitado processo da dinâmica da comunicação online.
Valeu BG, sucesso!
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sexta-feira, 11 de abril de 2008

Café com chocolate digital...

... e meu grande abraço ao amigo Maurício, planner da Capuccino, agência web.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Ricardo Gioia, mais um grande profissional entre nós.

Tenho o prazer de apresentar aqui no Reatorama, o mais novo integrante de nosso network, RICARDO M. GIOIA.
Há quase dez anos Ricardo é professor universitário nas áreas de marketing empreendedorismo e estratégia, coordenou a pós-graduação da Faculdade São Luiz em 2005 e 2006, e atualmente coordena a pós em Administração e Comércio Exterior da Campos Salles.
Com experiência internacional, tem cursos realizados nos EUA e tem atuação profissional internacional pela IBM no México, Colômbia e Venezuela.
Consultor empresarial há sete anos, atualmente atende ao mercado de alimentação e restaurantes.
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São de sua autoria as seguintes publicações:
Fundamentos de Marketing: Conceitos Básicos. São Paulo: Saraiva, 2006.·
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Decisões de Marketing: Os 4 P´s. São Paulo: Saraiva, 2006.·
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Marketing Aplicado: O Planejamento de Marketing. São Paulo: Saraiva, 2006.·
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Marketing: Perspectivas e Tendências. São Paulo: Saraiva, 2006.
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Seja bem-vindo Ricardo. Aguardamos suas contribuições a serem publicadas aqui no Reatorama.
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Reatorama & cultura - cinema: O BANHEIRO DO PAPA.

Uma história de ficção, mas baseada em fatos verídicos.
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Melo é uma pequena cidade uruguaia na fronteira com o Brasil, cuja população vive em alto grau de pobreza. Os poucos habitantes de situação remediada dedicam-se ao limitado comércio local com seus toscos botequins e vendinhas, mas a maioria dos cidadãos só possui uma única forma de ganhar um parco dinheirinho, que é integrar-se a um precário sistema de contrabando que abastece o pobre comércio local com artigos adquiridos em território brasileiro.
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Rudes, incultos e mal-ajambrados mas com um sentimento muito grande de amor e respeito aos familiares e amigos, os homens de Melo percorrem diariamente no mínimo 120 quilômetros de bicicleta, trazendo na garupa algumas poucas encomendas para os comerciantes locais.
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Como se não bastasse a labuta, o transporte precário e a penúria, eles ainda têm de enfrentar a corrupção dos serviços alfandegários que os obriga a fazer desvios por longos trajetos em terreno pantanoso para se livrar da fiscalização da guarda de fronteiras, bem como sofrem assédio moral e coação por parte de Meleyo, um corrupto funcionário público odiado por toda a comunidade de Melo, o qual persegue desafetos (geralmente aqueles que entraram e decidiram sair de seu esquema particular dada a excessiva exploração), destruindo-lhes a carga quando pegos ou ainda cobrando propinas, divertindo-se sadicamente em humilhá-los em público com xingamentos (especialmente aqueles que denigrem a moral das mulheres de suas famílias), e em tomar os produtos mais refinados que estão transportando, tudo sem que ninguém possa intervir, já que ele é a maior autoridade local no que diz respeito ao fisco.
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Um desses coitados que sobrevivem do precário contrabando é Beto, que sempre coloca a cabeça para funcionar na ânsia de encontrar uma saída para a situação. Sua filha adolescente sonha em ser jornalista e sua esposa trabalha arduamente como lavadeira-passadeira para juntar migalhas de dinheiro com o qual pretende custear os estudos da filha.
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No ano de 1998 é anunciado que o Papa João Paulo II, em visita à América Latina terá uma passagem de algumas horas em Melo, onde fará um discurso de saudação para o povo uruguaio.
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A mídia sensasionalista e os políticos começam então a explorar o fato supervalorizando-o, apresentando à população meras suposições ou mesmo inverdades na exagerada tônica de que a visita do Papa seria um marco na história uruguaia e o pontapé inicial de uma época de desenvolvimento e fartura - um absurdo.
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O povo de Melo, esperançoso e sensível a estas falsas promessas juntam suas parcas economias ou mesmo se endividam para investir no evento, montando barracas de lanches, lingüiças, lembrancinhas, bandeirolas e todo tipo de bugiganga que pudesse ser comercializada junto à multidão esperada, a qual o governo e a mídia calculavam que seria entre 30 e 50 mil pessoas – obviamente superestimada.
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É aí que Beto tem uma brilhante idéia – todos estavam preocupados em oferecer à multidão o atendimento às necessidades básicas (especialmente a alimentação), mas ninguém havia tido a idéia de oferecer outro serviço essencial que seria tão escasso quanto necessário durante o evento: o acesso a sanitários.
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Eis então a questão central do filme: os esforços e as desventuras do pobre homem simples Beto, que volta todas as suas energias materiais e psíquicas para a realização do seu projeto, a construção de um pequeno banheiro público por cujo uso cobraria.
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Beto tinha a mesma esperança de todos, que apostavam no retorno supermultiplicado dos seus investimentos que apesar de modestos, representavam uma situação de "é tudo ou nada", dada a carência extrema da comunidade local.
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As falsas informações veiculadas pela mídia sensacionalista e manipuladora e o discurso politiqueiro do governo uruguaio inculcaram nos desvalidos cidadãos de Melo a falsa impressão de que o retorno do investimento seria garantido, e que Melo seria uma nova cidade depois daquele dia, se não rica, pelo menos a qualidade de vida seria mais elevada e não mais dependeriam daquele precário sistema de contrabando.
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Repleto das trapalhadas hilárias de Beto, mas sem deixar de lado o tom sério de denúncia da penúria e da falta de ética dos políticos e dos meios de comunicação, assim transcorre a trama de “O Banheiro do Papa”, cujo desfecho é carregado da mesma ambigüidade comédia–drama que aparece ao longo deste filme que, é claro, está longe de ser uma superprodução, mas não deixa de entreter com qualidade.
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Título Original: El Baño del Papa
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 97 minutos
Ano de Lançamento (Brasil / Uruguai / França): 2007
Estúdio: O2 Filmes / Laroux Cine / Chaya Films
Direção: César Charlone e Enrique Fernández
Roteiro: César Charlone e Enrique Fernández
Produção: Elena Roux
Música: Luciano Supervielle e Gabriel Casacuberta
Fotografia: César Charlone
Direção de Arte: Ines Olmedo
Figurino: Alejandra Rosasco
Edição: Gustavo Giani

Elenco: César Trancoso (Beto), Virginia Mendez (Carmen), Virginia Ruiz (Sílvia), Mario Silva (Valvulina), Henry de Leon (Nacente), Jose Arce (Tica), Nelson Lence (Meleyo), Rosario dos Santos (Teresa), Alex Silva (Gordo Luna), Baltasar Burgos (Capitão Alvarez), Carlos Lerena (Soldado).

terça-feira, 1 de abril de 2008

MUITO ANTES DO AUSTRALOPITECUS.


Uma boa ação de comunicação mercadológica pode ser identificada pela força de seu recall. Elas são como os dinossauros: mesmo tendo desaparecido há milhões e milhões de anos, ainda são recordados e vendem bastante - basta verificar o sem-número de produtos do tema que andam faturando por aí. Se eu falasse da série Jurassic Park de Spielberg, estaria dando um exemplo que até a minha avó daria. Basta ver o número de brinquedos, réplicas, miniaturas e publicações facilmente encontradas em qualquer shopping. E seus tataranetos dão ibope até hoje, como nosso amiguinho iguana aí ao lado, fotografado no zôo de São Bernardo do Campo-SP no último final de semana.

Voltando ao marketing, basta observar os exemplos jurássicos de produtos que ainda mantêm rótulos criados em décadas passadas. Por exemplo, o Biotônico Fontoura, a pomada Minâncora, o Creme Rugol, o Óleo de Fígado de Bacalhau Scott, o bombom Sonho de Valsa e... impossível não citar o mito da Coca-Cola, entre diversos outros.

Campanhas então... mesmo fora da mídia de massa há anos, o bordão "uóóótimo" da Rede Zacharias de Pneus ainda é bem lembrado. Os jingles da Varig dos anos 70. Groselha Vitaminada Milani, Yahoooo! 51? Boa Idéia! - os exemplos são intermináveis.

O fato de termos tantos cases de sucesso nesta linha comprova a qualidade dos comunicadores brasileiros, internacionalmente reconhecida.

Assim, podemos inferir que os bons planejadores são fundamentais no desenvolvimento de cases de sucesso em comunicação justamente porque são parceiros indispensáveis dos criativos na busca do insigth gerador das boas idéias.

Certa vez ouvi um grande publicitário dizer que a religião cristã é a que mais se difundiu pela superfície do planeta, entre outros motivos, por causa de sua logomarca simples, de fácil memorização, consistente em conceito e meramente inconfundível - a cruz.

Diante destes inusitados cases, cabe a nós, comunicadores de uma cultura em transição da civilização industrial para a civilização da informação digital pensar o quanto é importante relembrar e mesmo agir como os dinossauros.


Douglas Gregorio::

GENTE NOVA!

Quero deixar aqui minhas saudações aos profissionais que recentemente entraram para o network do Reatorama, e/ou o de seu editor: Paulo Voltolino da Tríade; Thaya da LoveBrand; Rudá e Raphael da The Group; Jota, da A1; Ana Cester da Tribal; Emille da GF3; Camila Massari da JWT; os planejadores Marcos Madeira e Luciana Barros.

segunda-feira, 31 de março de 2008

O SIGNIFICADO DO SUCESSO

Pretendo refletir sobre este tema que, apesar de não ser especificamente dirigido aos planejadores, não somente serve a qualquer campo de atuação profissional como fala de um modo muito especial aos publicitários.

Optamos por um mercado profissional extremamente competitivo. Celso Loducca anos atrás falou na Folha de São Paulo sobre o mito dos altos salários do mercado publicitário, comparando a atividade com o futebol. Disse que existem sim salários altos, mas para os poucos grandes craques nos poucos grandes clubes, e que a maioria das oportunidades vai surgir mesmo nos pequenos clubes que pagam salários baixos.

Eugênio Mohallen escreveu no seu Manual do Estagiário algo que vai de encontro ao mesmo raciocínio: “Conseguir estágio em agência é quase tão difícil quanto conseguir vaga de astronauta da NASA.

Já ouvi depoimentos de profissionais que atuam ou atuaram em alguma das top ones do mercado, que ficaram aterrorizados ao perceber uma suposta incidência acima do comum de olhares atentos no local de trabalho; reagiram disfarçando seus jobs para não serem copiados, ou então indo ao banheiro para analisar se o rosto está apresentando muitas rugas, alopecia ou cabelos brancos.

A competitividade, apesar de assumir diferentes características nos diferentes ambientes profissionais e outras dimensões de associação humana, é sempre presente por ser inerente à nossa natureza.

Por isso, a vida ensinou-me uma grande lição: lidar com o sucesso é muito mais difícil que lidar com o fracasso. E não somente pela tentação do salto alto.

Qual de nós já não se deparou com aquele case tipo abacaxi, que fica sendo empurrado daqui para lá, cá e acolá porque ninguém quer assumir o rojão? Então, quando aquele cavaleiro da esperança surge com toda abnegação deste mundo na tentativa de encontrar a tão procurada solução, não raro é taxado de imaturo e ingênuo, ou então lhes são dirigidos comentários maldosos que o taxam de incapaz de gerar a confiança necessária para assumir um projeto mais promissor, apegando-se na última esperança de salvar seu emprego.

Quando finalmente o tal abnegado encontra a tão desejada solução, na maioria das vezes com pouca ou nenhuma ajuda de onde ela poderia e deveria sair, uma reação comum é a de se verificar desconfiança quanto à sua eficácia e longevidade.

Porém, o tempo vai passando e o tal projeto, antes feito de cão sarnento perdido em cidade grande, acaba por tornar-se referencial de eficiência... ainda mais se ele for agraciado com um prêmio de vulto.

Aí então muda a tônica dos comentários. Surgem os especialistas em genealogia que identificam parentes do colega atuando na cúpula decisória do cliente através dos sobrenomes: Silva, Santos, Oliveira e outros assim, pouco comuns. Há ainda aquele que diz saber que o colega namorou no tempo de colegial uma amiga da prima da cunhada da manicure da ex-esposa do presidente da empresa. O colega acaba ganhando um tio na câmara dos deputados. É claro, o colega que é um adulador demonstrou-se um centralizador presunçoso e alcagüeta que desagrega a equipe, lançando mão de procedimentos pouco éticos para tirar de seu caminho qualquer ameaça à sua posição. Isso quando não começam a jurar que o viram saindo ou entrando no motel acompanhado de uma pessoa intimamente aparentada com um dos diretores, mas é claro, não pode citar quem sob pena de perder o emprego. Outro ainda vai jurar que já havia apresentado uma solução na mesma linha, mas ela foi desprezada pelos seus superiores e copiada pelo colega.

Enfim, parece que ninguém entende por que um projeto tão acanhado e sem brilho foi premiado, e duvidam que ele tenha revertido em lucratividade significativa para a agência e para o cliente, por mais que se mostrem os indicadores.

Numa dinâmica de grupo da qual participei anos atrás para o departamento de marketing de uma grande financeira, a diretora disse que em termos de comunicação boca-a-boca fatores positivos se multiplicam por doze, enquanto negativos se multiplicam por trinta.

Assim meus amigos, se foi difícil alcançar o sucesso, muito mais difícil ainda é experimentá-lo, mantê-lo e, principalmente, compartilhá-lo.

Preparemo-nos para o sucesso.






Douglas Gregorio.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

A MENINA DEBUTOU - A maturidade da Internet - Douglas Gregorio::

A Internet no Brasil caminha a largos passos em sua definição de mídia de massa.

As pré-condições para que isso ocorra estão evoluindo cada vez mais. O “eletrodoméstico” mais vendido no varejo atual é o PC. Lan houses multiplicam-se nas grandes e pequenas cidades, demonstrando que se tornaram uma excelente opção de investimento para microempresários. Os telecentros estão se expandindo principalmente a partir das escolas públicas, fazendo com que as novas gerações oriundas das classes C e D possam ser digitalmente incluídos.

Os educadores não podem mais ignorar a Internet como ferramenta de trabalho, e os preconceitos contra processos educativos eletrônicos estão cada vez mais fracos. A educação à distância cada dia mais deixa de ser observada como solução paliativa para aqueles que buscam alternativas para conciliar estudo e outros afazeres. Aliás, muito pelo contrário. A educação tradicionalmente presencial é que começa a ser questionada, na medida em que a interação professor-aluno, ao que tudo indica, pode ser melhor trabalhada no ambiente virtual, superando bloqueios interpessoais, com praticidade na otimização do tempo e personalização do atendimento.

Tudo isso sem contar a realidade da ampliação das comunidades de interesse que promovem a aglutinação de elementos antes dispersos, fazendo com que possam ser facilmente localizados em seus nichos e trabalhados em termos de comunicação – the long tail.

No que diz respeito à comunicação publicitária, percebe-se claramente o quanto se desenvolve cada vez mais uma “personalidade web”. A Internet deixou de ser uma versão eletrônica de tradicionais veículos impressos e uma adaptação dos veículos eletrônicos, para ser ela mesma, a Internet.

Nos festivais publicitários, incluindo o principal deles, Cannes, constata-se cada vez mais que as peças virtuais adquirem uma nova personalidade. Não mais são planejadas e desenvolvidas no objetivo de se fazer uma comunicação online, mas sim uma comunicação na Internet. Qual a diferença? Enorme diferença. Uma peça online era um mero informe, uma espécie de “take-one eletrônico” onde se contava com a sorte de se encontrar um internauta interessado e, contar com mais sorte ainda para que este contato resultasse numa venda – “pelo amor de Deus, clique aqui!”. E como são hoje?

Hoje a comunicação publicitária na Internet exige um planejamento muito mais apurado e complexo, já que as novas gerações de internautas, e mesmo as gerações mais antigas que evoluíram, assumem um novo comportamento diante dos acessos à Internet, que não mais se restringem ao tradicional PC. Comunidades de interesse foram para além dos fóruns de discussão e dos sites de relacionamento que se banalizaram. Elas transformam-se em portais e websites desenvolvidos com recursos interativos muito mais sofisticados do que as antigas meras homes informativas. Os blogs são agora muito mais que brincadeiras de adolescentes e diários virtuais, e a comunicação via celular deixa de ser concebida como recepção de e-mails e torpedos para ampliar a interatividade dos PCs, levando-os para os bolsos dos internautas, fazendo-se então cada vez mais presentes e interativos, logo influentes.

Enfim, a Internet no Brasil e no mundo amadurece e evolui, tornando-se independente das mídias tradicionais para adquirir cada vez mais autonomia e, provavelmente, hegemonia em um prazo talvez não longo.

É o momento dos planejadores refletirem (agindo) sobre a Internet, atentando para o fato de que, com sua emancipação das mídias tradicionais, estabelece-se uma relação de interdependência e mesmo de fusão, já que a tecnologia pode reunir num único aparelho recursos de todas as mídias tendo a Internet como espinha dorsal, e sendo ela realidade cada vez mais presente na cultura tanto de novas como antigas gerações.

A Internet vem gerando, com uma velocidade incrível, novas linguagens e novas influências sobre o comportamento da sociedade contemporânea, muitos deles imprevisíveis, dada a tamanha dinâmica possível; não mais banners e flyers, mas sim advergames e podcasts; não mais links e spams, mas os feeds e comunicadores instantâneos cada vez mais presentes, só para citar alguns exemplos.

E quanto aos senhores anunciantes e comandantes das agências, é chegada a hora de criar mais coragem e dirigir investimentos para a mídia que mais futuro promete a partir de um presente real, apesar de toda sua virtualidade.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

A ÉTICA NA COMUNICAÇÃO

Um comentário que começa a partir de uma definição objetiva dos conceitos de ética e moral, as principais influências em nossa cultura e o comportamento dos meios de comunicação hoje.
Baseado numa palestra do prof. Dr. Clóvis de Barros Filho (ESPM), proferida no ano de 2005 na ECA-USP.
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Ética e moral – conceitos.
A primeira vista e segundo o senso comum, ética e moral aparecem como termos sinônimos. Porém, para que possamos discutir o conceito de ética de forma mais completa, torna-se necessário aprofundar este significado do modo como ele aparece na tradição filosófica ocidental.
Vamos partir então do estabelecimento da diferença entre os conceitos dualistas bem e mal de um lado, e bom e mau de outro.
Numa prova ginasiana seríamos elogiados pelo professor de língua e literatura se explicássemos a diferença falando que os primeiros dizem respeito a substantivos, e os segundos a adjetivos.
Apesar desta significação básica e gramatical dos conceitos lançarem uma pista para aquilo no qual queremos chegar, ainda não é o suficiente.
Vamos então nos cercar nesta pista gramatical – enquanto substantivos podem ocupar a posição de sujeito da oração, os adjetivos forçosamente são predicados, ou seja, qualidades aplicáveis a determinados sujeitos.
Uma vez sendo sujeito pressupõe-se que se trata de uma entidade autônoma ao nosso conhecimento, enquanto o segundo, predicado, não tem sentido se não aplicável ao primeiro.
Assim, bem e mal estão nos domínios da moral na medida em que são aplicáveis a princípios universais da cultura que regem julgamentos e comportamentos – princípios transcendentes por independerem de situações específicas e circunstanciais para serem aplicados.
Ética, por sua vez, está no domínio do bom e do mau, da relatividade imanente ao sujeito em questão, ou seja, se efetivam em situações específicas e circunstancias.
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Reflexão moral – legítima quando decorre de uma ação não coagida.
A reflexão moral, portanto, partindo do postulado acima, leva-nos à seguinte conclusão: ela surge de um acordo entre as partes que acatam princípios morais universalizando-os, pelo menos no tocante ao universo daqueles que culturalmente adotam uma codificação moral em comum.No que diz respeito à civilização ocidental, temos então um panorama histórico de reflexões sobre a essência da moral a qual passamos a discorrer de forma resumida.
Para Platão, um dos mais completos estudiosos da cultura ocidental, a moral é aquilo que você não faria mesmo que fosse invisível.Na idade média, os filósofos parecem ter centrado a questão ética sobre a polêmica entre vontade divina e livre-arbítrio. Institucional e politicamente o debate recaia sobre quem teria o direito de interpretação da vontade divina, debate este que antecedeu o movimento reformista e a contra-reforma.Na modernidade, a reflexão ética recaiu sobre a universalidade das decisões morais, como podemos observar em Espinosa, Descartes, Kant e outros.
Kant desenvolveu uma teoria que até os dias de hoje, provavelmente é a mais influente: a teoria do Imperativo Categórico, que diz respeito a uma fórmula universalista de definição dos critérios morais.Na contemporaneidade, Nietzsche colocou em cheque a universalidade dos imperativos morais; ainda mais recentemente, Adolfo Sanches Vasquez, pensador mexicano de linha marxista considerou a ética como a ciência da moral.Enfim, parece que esta discussão iniciada na modernidade perdura pela contemporaneidade – qual o critério de definição dos imperativos morais e quem tem legitimidade de estabelecer tais critérios?!
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Ética na comunicação.
Sobre o tema ética na comunicação, a discussão objetiva o estudo sobre os efeitos que as mensagens exercem sobre seus receptores.
Ocorre então na comunicação hoje um procedimento de cunho pragmático: o valor moral não depende da ação em si, mas sim dos efeitos produzidos.Um conflito na comunicação Pode-se observar entre as concepções kantianas nos quais a ação em si é julgada, e a concepção maquiaveliana, onde “os fins justificam os meios”.
Os meios de comunicação de massa exercem um procedimento de leitura da realidade onde a linha entre o ético e o cínico encontram uma tênue divisão.Isso pode ser explicado na medida em que analisamos os procedimentos jornalísticos vigentes nos dias atuais.
O que ocorre é a filtragem que transforma a media agenda em public agenda. Media agenda trata-se de todo o levantamento de fatos encaminhados aos agentes decisores da editoração que selecionarão o que vai compor a public agenda – aquilo que será publicado.
Qual é a legitimidade que as chefias de editoração dos departamentos jornalísticos dos meios de comunicação de massa possuem para exercerem o papel de juízes que farão a leitura do real traduzida naquilo que vai ao ar, e da forma que vai ao ar: quais os ênfases, quais os enfoques, quais as prioridades, qual a distribuição e classificação das notícias?! E principalmente, quais os critérios utilizados?!
Por outro lado, existe também a postura ética do receptor das mensagens nos meios de comunicação de massa.Uma polêmica ocorre entre os estudiosos do tema: a audiência em si assume uma postura passiva, absorvente, e vulnerável diante dos meios de comunicação de massa, ou possui senso crítico desenvolvido o suficiente para descartar e mesmo reagir a respeito daquilo que os meios procuram transmitir?!
Na verdade, esta polêmica ao que parece encontra uma solução na seguinte constatação: a de que os meios por si só não possuem poder de definir a opinião de forma absoluta, integrando sim uma rede de fatores que o fazem, mas não de forma independente e isolada.Essa limitação dos efeitos da mídia teria uma dupla causa: de um lado, a existência de uma rede de comunicações interpessoais que concorrem na produção e principalmente na difusão de informações e, de outro, os mecanismos seletivos que cada receptor coloca em prática e que condicionam a sua exposição, atenção, percepção e retenção da mensagem recebida.[1]
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[1] Barros Filho, C. / ÉTICA NA COMUNICAÇÃO / São Paulo, Moderna, 1997 – p. 127.

sábado, 8 de setembro de 2007

UNIVERSO DO CONTEÚDO - Felipe Morais.

“A popularização dos Personal Computers (PCs) impôs o universo de conteúdo, uma vez que milhares de pessoas podem produzir vídeos, fotos, jogos, músicas, sites e softwares”.
Trecho do livro A Cauda Longa, de Chris Anderson.


A internet hoje é movimentada por conteúdo. A parte principal desse conteúdo é aquela feita pelo usuário. A Cauda Longa é um efeito desse fenômeno participativo, afinal, cada usuário pode publicar o que quiser, abrindo diversos nichos na internet. Isso causa fortes mudanças na forma como se consome publicidade e produtos na internet.

Há cinco anos, Bill Gates veio a mídia dizer que os blogs seriam uma das maiores ferramentas de comunicação do planeta. E ele estava certo.Hoje, pessoas estão ganhando muito dinheiro com blogs ao compartilhar idéias, artigos, vídeos e fotos. Blogs como Cocadaboa e o Interney – que falam de humor e comunicação respectivamente - são exemplos de sucesso de receita gerada a partir do oferecimento de conteúdo focado em nichos específicos.

Isso é um exemplo da Cauda Longa, onde empresas menores começam a entrar em grandes mercados, apostando em pequenos nichos ou pequenos grupos de pessoas que estão atrás de diversos assuntos.

O Google que hoje é a marca mais valiosa do mundo, superando gigantes tradicionais como Coca Cola, Microsoft, IBM e McDonalds, conquistou a liderança mundial da Internet apostando nesse conceito: explorando a Cauda Longa da propaganda e oferecendo a sua ferramenta de busca natural para que empresas anunciem por centavos e só paguem por resultados.

O fenômeno do You Tube é semelhante. Apostando em uma forma muito simples de permitir que as pessoas publiquem seus vídeos, seu conteúdo cresceu exponencialmente. Em menos de 18 meses no ar, o site passou a valer 1,65 bilhões de dólares, valor pago pelo Google na sua compra.

Outro bom exemplo da força do usuário na geração de conteúdo são as redes sociais. Diversas empresas brasileiras tentam se aproveitar do sucesso do Orkut criando suas comunidades ou até mesmo sites similares.

Elas esperam usar esses recursos como ferramentas de marketing para pesquisas ou estratégias. Elas deixam que os usuários falem e interajam com a marca e viralizem suas campanhas, pois sabem que um blog ou uma comunidade no Orkut tem mais poder de influenciar o consumidor do que uma campanha de publicidade convencional. Afinal, o consumidor está cada vez mais exigente, está buscando na web informações sobre produtos e marcas.
Essa exigência do consumidor somada ao fenômeno da Cauda Longa explica o crescimento de sites comparativos de preços, como buscapé, bondfaro, shopping uol, terra compras (O Google tem o seu comparativo, mas ainda não disponível no Brasil). Esses sites se baseiam na avaliação dos próprios consumidores para recomendação de produtos. A Amazon.com, que é um ícone do comércio eletrônico, abusa desse recurso. Alguns de seus usuários já se tornaram referência para compra de determinados produtos.

Em resumo, a Cauda Longa é uma teoria onde demonstra que o usuário – que já é um produtor de conteúdo – pode produzir o que bem entender na internet, pois haverá sempre um nicho de mercado ou um pequeno grupo de pessoas interessadas nesse conteúdo, e ai, basta que esse usuário saiba como gerar interesse de patrocinadores para que essa sua produção lhe gere retorno financeiro.

O poder foi dado aos usuários. As empresas que se cuidem.

Felipe Morais, publicitário, pós-graduado em planejamento estratégico e especialista em planejamento de comunicação é planejamento e mídia online da agência CappuccinoHZTA.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

MARCAS E COMUNICAÇÃO NA ATUALIDADE - parte II

Nova economia, novas empresas.
Neste cenário de multiplos atores e numerosas e velozes troca de papéis, comunicação e marcas necessitam de estabelecer um íntimo relacionamento, tal que, em termos numéricos, o valor das marcas pode atingir entre 90% e 95% dos ativos das empresas – cifra nada desprezível.

A Interbrand avalia a Coca-Cola como a marca mais valiosa do mundo, com o valor de 67 bilhões de dólares; a Levi’s foi cotada para o centésimo lugar com o valor de 2,7 bilhões de dólares.[1]

Resumo da ópera: as marcas inevitavelmente estarão cada vez mais presentes nos mais altos escalões decisórios das empresas.

Marcas – o tangível e o intangível.
Todo consumidor quando inquirido em hipótese alguma vai admitir que consome uma marca simplesmente pelo status proporcionado. Via de regra, justificará a opção de duas formas: qualidade e atendimento ao gosto pessoal.

Nada há o que condenar em quem busca status consumindo esta ou aquela marca, uma vez que considerando as transformações pelas quais as mídias atravessam nos dias de hoje, consumir significa muito mais que buscar benefício agregado no produto.

Benefícios decorrentes do desempenho, ou seja, valores tangíveis, há muito deixaram de ser tão absolutos assim no processo de opção de consumo.

A experiência vivida em associação à marca constitui então aquilo o que chamamos de valores intangíveis, servindo assim como veículos de expressão do próprio conjunto de valores pessoais do consumidor, em privilégio às individualidades e confirmação psicossocial da autoconfiança e definição consolidada de sua postura no relacionamento interpessoal.
Atento para o fato de que não estamos falando aqui exatamente de modas e consumismo, onde exibir a roupa de determinada grife, ou o carro de determinado modelo em lançamento serve para propagandear degraus galgados acima na hierarquia de classes – sucesso, considerado neste ângulo.

Esta leitura da relação entre consumo e marcas costuma ser observada com certa restrição, na medida em que a propaganda é taxada de idiotizante, minando todo o senso crítico de um consumidor que é capaz de adquirir um produto de qualidade bem inferior por um preço muito mais caro que o concorrente acreditando estar comprando um status mais elevado na sociedade.

A abordagem dos valores intangíveis é algo bem diferente.

Trata-se de observar uma marca que acumula estes valores de modo a identificar seu complexo conjunto de percepções que lhe dá uma personalidade dinâmica definida na confirmação da satisfação do consumidor, fazendo com que ela se torne expressão dele proprio.

São exemplos de situações assim respostas que justificam a confiabilidade na marca algo como sua associação aos momentos felizes da história de vida das pessoas, como aquela consagrada marca de margarina que rememora os felizes momentos dos cafés-da-manhã vivenciados juntos aos pais no passado e agora junto aos filhos no presente, aquela marca de eletrodoméstico que é associada ao surgimento de uma nova e mais satisfatória fase da convivência familiar, os ícones culturais que não raro dão origem a fã-clubes de marcas, ou ainda aqueles produtos que fazem questão de manter seus logos e embalagens originais, cujas atualizações são meramente superficiais, como é o caso do bombom Sonho de Valsa, da pomada Minâncora, do amido de milho Maizena entre outras.

Assim, o consumidor cria um elo com a própria marca, independente do proprietário desta marca num processo contínuo de enriquecimento e incremento nos elementos que geram a identidade com o consumidor na dinâmica do mutante processo social e mercadológico.

Marcas e poder.
Certa vez recebi o telefonema de um amigo, produtor cultural e artista popular, onde conversamos sobre a questão do patrocínio. Na ocasião, ele falou sobre seu dilema de como transmitir confiabilidade aos patrocinadores de que seu trabalho agregaria, de fato, valor à marca de modo a ser determinante no processo de opção de compra onde o consumidor estaria diante de um equilíbrio de preços e atributos entre produtos e marcas concorrentes.

Assim, a identidade corporativa é algo cada vez mais presente no mercado e no imaginário dos consumidores da atualidade onde a imagem de comprometimento social cada vez mais ganha importância.

Comunicação empresarial hoje.
Enfim, a reflexão deste artigo nos leva ao entendimento de que o papel dos planejadores de comunicação hoje é muito mais importante que há anos atrás, em função de vários fatores, mas principalmente do boom da democratização dos meios e da tecnologia de comunicação.

O feedaback comunicacional é algo mais complexo que simplesmente observar a elevação dos números das vendas após a deflagração de uma campanha.
Não podemos mais inferir dogmas julgando que o consumidor é um agente estático. Ele vai reagir de diferentes formas quantas vezes for exposto a uma estratégia comunicacional.

Os significados e as relações que envolvem as opções de consumo e a busca das empresas por fatias maiores de mercado exigem a atuação de profissionais das mais diversas vertentes científicas, como psicólogos e sociólogos que, ao lado dos publicitários e marketeiros em geral, consigam desenvolver um acompanhamento de performance da comunicação empresarial para que esta mesma empresa consiga promover uma boa performance e crescimento de suas marcas.
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[1] Pinto, Ivan. A MARCA NA HIERARQUIA DAS ESTRATÉGIAS EMPRESARIAIS – Revista da ESPM.

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

MARCAS E COMUNICAÇÃO NA ATUALIDADE - parte I

Novo mundo, novas marcas, nova comunicação.
Ao observar a realidade do planejamento estratégico desenvolvido pelas empresas em geral, vamos perceber que a comunicação, não raro têm recebido muito menos atenção do que deveria.

Nesta nova civilização que emerge após todo um século de veloz desenvolvimento tecnológico, que afetou de sobremaneira a comunicação, vivemos num mundo menor e maior ao mesmo tempo; menor pela velocidade e alcance de mensagens cada vez mais complexas, e pequeno na medida em que os atores sociais e mesmo os elementos abstratos como as marcas se multiplicaram de sobremaneira rápida, ainda mais na pós-modernidade onde as múltiplas personalidades de uma mesma entidade são mais que aceitas, são exigidas. Second Life por exemplo.

Chama a atennção detro deste fenômeno a multiplicação das marcas.

Com a multiplicidade de opções no mercado e com a incrível velocidade do desenvolvimento tecnológico, nem sempre qualidade e desempenho são os fatores determinantes no sucesso de uma marca.

Consideremos os valores abstratos da marca, valores estes que só podem se desenvolver calcados na comunicação.


Novos valores, novos consumidores, novos mercados.
Neste mundo pós-moderno as marcas se multiplicam e se renovam com uma rapidez incrível, assim como observamos o fenômeno das marcas talibãs: aquelas que se desenvolvem localmente e assumem postura guerrilheira, batendo de frente com grades marcas globalizadas.

Realizei viagens culturais pelo Brasil na minha época de graduação. Estive em várias localidades do nordeste, onde com curiosidade observei a ocorrência de uma marca local de refrigerante, muito popular e apreciado em São Luiz, de coloração rosada e inusitado pelo próprio nome que a marca adota: Jesus.

Fato é que a marca permanece até hoje fazendo seu sucesso, ainda mais consolidado pelo desenvolvimento e adesão às novas tecnologias e modalidades comerciais.

Por outro lado, precisamos considerar as transformações culturais pelas quais a sociedade passa, assumindo novas posturas de valoração.

Entre estas novas posturas está a valorização do individual e do prazer do consumo os quais, até bem pouco tempo, eram valores negativos; hoje são aceitos e praticados de forma intensa. Percebe-se isso nas atuais formas como o comércio apresenta-se à sociedade na perspectiva varejista – observemos a “cara” dos supermercados e shoppings.

Noutra destas viagens, há mais de 20 anos estive pela primeira vez em Recife, Pernambuco. Na ocasião eu era um calouro de faculdade participando de seu primeiro congresso estudantil em nível nacional. Entrei numa lanchonete e pedi um Cheese Salada.

Os atendentes se entreolharam até que um deles teve a coragem de perguntar o que exatamente eu estava querendo.

Expliquei tratar-se de um sanduíche, um lanche. Foram oferecidas então duas opções praticadas no comércio local: misto-quente e fiambre.

Com certeza hoje episódios assim não mais vão se repetir, quer seja nas capitais, quer seja em regiões mais interioranas.
*
(continua na próxima postagem).

terça-feira, 14 de agosto de 2007

PLANEJAMENTO E PESQUISA – o alcance real desta importante ferramenta.

Seguindo a linha temática que fala do planejar publicidade na transição de paradigmas e as mudanças que isto trás ao planejamento, falo agora sobre o relacionamento dos planejadores com a pesquisa, esta controvertida, porém indispensável ferramenta.

Parto de reflexões sugeridas há 13 anos por uma lenda viva do planejamento no Brasil: Julio Ribeiro[1]. A princípio, um texto antigo cujo teor corre grave risco de estar desatualizado. Mas, se me permitem filosofar só um pouquinho, julgo que em certa medida publicidade seja atemporal, e opera com elementos que estão aquém do aqui e agora, e é por isso que eu julgo que os postulados da física qüântica precisam ser estudados com carinho pelos planejadores.

Muitas vezes as pesquisas nos mostram aquilo o que já estamos todos carecas de tanto saber.

Escrevi há algumas semanas sobre uma polêmica levantada no blog do GP chamada de “Avestruz Esnobe” sobre uma pesquisa a respeito da preferência musical dos brasileiros, a qual mostrou que um produto considerado brega era o preferido, independente da classe social do consumidor, sendo mais consumido até que produtos considerados premium, mesmo quando divulgados de forma massiva e privilegiada pela mídia.

Será que já não sabíamos disso? Música Popular Brasileira – será que os grandes expoentes da MPB são tão populares assim, como o nome sugere?

Recordo ter lido uma entrevista com o Duda na qual ele falava sobre estratégias de propaganda política. Questionado sobre o uso das “baixarias” no horário gratuito como boatos, acusações, xingamentos e provocações entre candidatos, disse ele o seguinte: se fizermos uma pesquisa, 100% dos brasileiros afirmarão veementemente que não gostam de baixarias no horário eleitoral gratuito, mas... quem disse que realmente eles não gostam?!

Não raro os especialistas em pesquisa submetem-se à ditadura das fórmulas e softwares.

Por que fazer uma pesquisa para saber o que já se sabe? Por exemplo, para que pesquisar para entender a motivação do consumo do molho de tomate industrializado? Afinal, todos já sabemos que apesar do molho industrializado não estar à altura do caseiro, a praticidade motiva seu uso – diz Julio Ribeiro.

Estamos naquele patamar que muitos planejadores julgam perigoso: o feeling. E, se o feeling é perigoso, é porque ele oferece riscos.

Nós planejadores não podemos nos dar ao luxo de fazer investimentos a risco zero, como fazem os investidores estrangeiros que só deitam seus dólares por aqui sob compromisso formal do governo em arcar com os prejuízos caso a coisa degringolar. Nossos clientes investem seu dinheiro sob a garantia da confiança em nosso trabalho.

Se buscamos lucro para nossos clientes temos que entender que só alcançaremos sucesso se corrermos o risco de confiar em nosso feeling. Investimento risco zero é uma utopia, exceto é claro sob o aval do governo brasileiro, que não é o nosso caso.

Julio Ribeiro é um mestre em utilizar frases de efeito. Vejam esta: Não banque as irmãs da Cinderela.

Para pesquisar, antes é preciso saber perguntar. Só se pode pesquisar se antes definirmos de forma clara e objetiva aquilo o que queremos saber. Até aqui, o óbvio, mas ao contrário do que normalmente costumamos entender, ser claro e objetivo nem sempre significa ser simples e direto. E é neste momento que a habilidade do bom planejador manifesta-se.

Para ilustrar esta afirmação, tomemos o exemplo que Julio Ribeiro apresenta no mesmo texto, quando comenta sobre uma pesquisa que fez sobre inadimplência em prestações da casa própria.

Uma pesquisa comum não falaria nada além do que já se sabe: pontuais afirmariam que a prestação é prioridade do orçamento, e os inadimplentes afirmariam que alimentação é a prioridade. Uma pesquisa simples e tradicional com aquele questionário básico facilmente tabulado com softwares próprios não iria oferecer respostas para além destas.

Foi preciso pensar numa metodologia muito particular e diferenciada para chegar à conclusão de que vários fatores influenciavam na questão, tais como o prazer da sensação de estar driblando o governo, ou ainda o prazer de sentir-se esperto ao livrar-se dos juros ao pagar sob pressão judicial. A pesquisa descobriu que, excetuando-se aqueles com reais problemas financeiros, haviam alguns que escandalosamente investiam o dinheiro da inadimplência em especulação imobiliária.

Assim, para planejar hoje, há de se reservar uma grande parte de nosso tempo útil à contemplação. Não uma contemplação passiva, mas uma contemplação ativa, e mesmo especulativa para que a partir disso possamos, antes de encomendar uma pesquisa, entender com mais clareza aquilo o que precisamos saber e COMO precisamos saber.
*
[1] Ribeiro, J. FAZER ACONTECER. Cultura, São Paulo, 1994. – Capítulo 07 – E AGORA, O QUE É QUE EU FAÇO COM ESTA PESQUISA? Págs. 63 a 68.

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

POESIA POPULAR, POESIA DA PERIFERIA.

Mavot Sirc declamando "Máscara"
*
Mavot Sirc é o pseudônimo artístico de Cristovam Martins, poeta popular. É nascido na cidade mineira de Boa Esperança, a mesma Boa Esperança imortalizada por Lamartine Babo, terra de Rubem Alves. Ainda na infância transferiu-se com a família para São Paulo.
Eclético, Cristovam se auto-intitula "fã nº 01 de Pink Floyd", nos anos 70 foi ativista do movimento anarcopunk e mais tarde tornou-se técnico em eletrônica. Sem renunciar ao lado rockeiro, sonhou em tornar-se padre nos anos 80 após experiências gratificantes em movimentos de juventude católica, passando por institutos religiosos em Santa Catarina e São Paulo. Mas a vida o levou para outros caminhos. Não concluiu a faculdade de filosofia, mas foi lá que teve a oportunidade de participar de seus primeiros concursos literários.
Artista inovador e produtor cultural, nos anos 90 participou da extinta banda de hard rock "Bando Central", não como músico, mas introduzindo elementos exóticos nas apresentações como declamações dramatizadas de seus poemas e números de dança do ventre, recebendo elogios de Marcelo Nova, ex-parceiro de Raul Seixas.
Após a dissolução do Bando Central, Cristovam focou seu trabalho em movimentos populares de cultura. Hoje atua junto à Cooperifa, Cooperativa Cultural da Periferia na zona sul paulistana, participando de muitos projetos interessantes, com destaque para a publicação do livreto/CD "Sarau da Cooperifa", coletânea de 26 obras com artistas populares diversos, patrocinada pelo Itaú Cultural.
*
"Feio é ter conta cheia lá no banco
E o coração vazio ali no canto.
Feio é ter muito bem
E não ter ninguém que te quer bem".
(extrato de "Pobreza", de Mavot Sirc)

APROXIMAR-SE E SENTIR O CONSUMIDOR - O QUE É ISSO?

Fórmulas mecânicas e exatóides aplicadas ao planejamento de comunicação não funcionam mais, se é que um dia funcionaram.

Pessoas com diploma universitário vão ouvir Maria Rita e vestir Brooksfield, e pessoas com alfabetização básica ou incompleta vão ouvir Calypso e vestir C&A. É verdade? Podemos confiar nisso? Claro que não. Planejar publicidade usando fórmulas “universais” tipo A + B = C é uma furada. O dogma acabou virando heresia.

Um caminho possível para entender o desafio de planejar propaganda hoje é entender os processos sociológicos e psicológicos pelos quais as pessoas estabelecem suas identidades e valores – isso é uma das formas que mostra o que eu quero dizer quando falo em aproximar-se e sentir o consumidor.

Toda cultura social possui seus processos de valoração; na atualidade, entre outros, dois deles nos chamam a atenção: o culto do perfeccionismo ególatra, e o culto da velocidade.

Estudantes hoje em hipótese alguma aceitam serem avaliados por seus professores, sequer toleram uma observação sobre erros ortográficos, por exemplo. Vê-se neste caso o culto ao perfeccionismo; não aquele perfeccionismo compreendido a partir da obstinação, mas a partir de uma não intervenção absoluta sobre atos e decisões, nada de critérios externos: o ego torna-se o único critério de valoração.

O diferencial oferecido hoje pelos produtos tecnológicos é justamente o da velocidade de execução. Universidades oferecem cursos de pós-graduação a serem iniciados por estudantes com 50% da graduação concluída. São exemplos do culto à velocidade – o tempo da civilização digital é um tempo que transcorre numa velocidade incrível.

Mas, o que isso tem a ver com a perplexidade de se observar que consumidores que, apesar de sua elevada posição na pirâmide social, consomem produtos culturais tidos como de baixa qualidade, ou seja, o brega, o populacho, o “kitch” dos frankfurtianos?!

Vladimir Safatle, analisando a publicidade contemporânea afirma que “(...) não é um posicionamento de valores “exclusivos”, mas um posicionamento “bipolar”. Ou seja, ele é assentado em valores contrários. O que, aparentemente, seria um erro crasso de posicionamento revela-se uma astúcia. Por um lado, permite ao consumidor identificar-se com a marca, sem, necessariamente, identificar-se com um dos seus pólos. Mas, principalmente, este posicionamento bipolar pode funcionar porque os próprios consumidores são incitados a não se identificarem mais com situações estáticas. A publicidade contemporânea e a cultura de massa estão repletas de padrões de condutas, construídos através de figuras para as quais convergem disposições, aparentemente, contrárias. (...)”[1]

Assim sendo, ouvir Calypso ou assistir Ratinho tornam-se atitudes permitidas ao professor universitário, à advogada que atua numa grande multinacional, ao proprietário da rede de concessionárias de uma marca de veículos importados, ao assessor da diretoria da empresa e assim por diante na medida em que os “dispositivos” que justificam o consumo produtos com a característica “kitch” são acionados.

O dispositivo da velocidade diz que os tidos produtos culturais elitistas prescindem de tempo para que se possa desenvolver critérios para a sua valoração, através dos processos mentais de compreensão dos mesmos, o que exige coisas como a leitura e o domínio de conceitos cada vez mais profundos, afim de ter acesso às difíceis linguagens dos produtos culturais “de qualidade”, o que a princípio agregaria valor de refino e distinção social ao consumidor que conseguisse concluir tal processo.

Tudo isso desemboca em conjunto num processo de reflexão, que é uma prática lenta por excelência... e, se não há tempo a perder, então a apreciação da “qualidade elitista” torna-se inviável.

Diante disso, por que não consumir o neoforró do Calypso? Afinal de contas, minha posição e meu ego são perfeitos, e ainda há de surgir algum fator que macule minha posição e status na sociedade. Por que então considerar isso um rebaixamento social?

Assim, temos aqui comentários que versam sobre uma das explicações possíveis aos novos paradigmas de consumo na atualidade, um verdadeiro desafio aos planejadores de comunicação.



[1] Safatle, V. ALGUMAS HIPÓTESES SOBRE A RECONFIGURAÇÃO DA RETÓRICA DE CONSUMO. In: Revista da ESPM, vl. 13 ano 12 ed. 5 – set./out. 2006, págs. 110 a 118.

segunda-feira, 30 de julho de 2007

A arte de Alcides Pereira

Alcides Pereira dos Santos nasceu na Bahia em 1932, mas migrou para Cuiabá na mocidade. Teve inúmeras profissões e foi aluno de Dalva de Barros no Atelier Livre da Prefeitura de Cuiabá, montado em meados dos anos 70 de onde saíram os principais nomes atuais das artes plásticas mato-grossenses. É um artista único dentre os pintores populares brasileiros, por fazer um trabalho que não descende de nenhuma das vertentes tradicionais que os inspiram: a história em quadrinhos, a ilustração e a fotografia. Alcides vem de uma linguagem "estradeira", que se manifesta nas imagens de paralamas de caminhões, nas placas de propaganda dos mais remotos recantos do território brasileiro. É um artista que tem um certo parentesco com os da escola Pop.
Por uma triste coincidência veio a falecer no último dia 05 de julho, dia em que foi aberta uma exposição de suas obras na Estação São Paulo, http://www.galeriaestacao.com.br/ . As obras podem ser apreciadas até 29 de setembro.

SOBRE O AVESTRUZ ESNOBE.

Foi publicada no blog do Grupo de Planejamento de São Paulo uma postagem intitulada A Síndrome da Avestruz Esnobe, na qual foi debatido o resultado de uma pesquisa da FNazca/Datafolha sobre qual seria a banda, cantor ou cantora mais ouvido do Brasil, e o resultado foi a banda popular Calypso[1].

Recordo-me de quando eu era adolescente no começo dos anos 80. Dada ocasião fiquei impressionado quando vi um pôster da dupla Chitãozinho e Xororó. Nele, os caipiras - o termo sertanejo era muito erudito para a época, além do sentido diferente do atual - apareciam num de seus shows utilizando iluminação especial com holofotes coloridos eletronicamente controlados e explosões de fumaça, palco triplo dividido em andares; perguntei-me se era mesmo uma dupla caipira ou uma banda de rock pesado.

Em meus artigos insisto pela importância do feeling no planejamento de propaganda justamente porque tenho observado fenômenos como o citado no blog do GP, paradoxais a princípio, mas logicamente compreensíveis se acionarmos em nosso feeling, deixando-nos envolver nesta nova lógica não mecânica na análise do comportamento do consumidor contemporâneo.

As classes sociais, sim elas existem, e talvez existirão sempre, e isso significa que terão suas características comportamentais próprias, inclusive enquanto consumidores, mas a partir daí apegar-se radicalmente a instrumentais ditos científicos para traçar previsibilidade dos resultados de um plano de comunicação pode ser muito arriscado.

A ESPM, Vaticano da Publicidade no Brasil percebeu isso há certo tempo. Tenho acompanhado os workshops promovidos para o debate sobre os novos paradigmas da comunicação contemporânea.

Em junho de 2006 ela promoveu o Encontro de Publicidade e Pós-Modernidade, com a presença de Michel Maffesoli, sociólogo francês de renome internacional. Neste encontro, o prof. Clóvis de Barros disse que (...) a sociedade pós-moderna exige um discurso de auto-definição menos monolítico, menos permanente e menos coerente do ponto de vista racional. É uma sociedade que “pune” menos as oscilações de apetite e, de alguma maneira, as mudanças de estratégia no comportamento social [2].

A incoerência entre as bases teóricas das ferramentas dos planejadores e o comportamento dos consumidores da atualidade nos causam perplexidade, a qual poderemos superar e desenvolver propaganda de sucesso se passarmos adiante de nosso espanto.
Sem estrelismo na mídia e sem trazer em seu conceito as consideradas características de um produto top de linha (ou seja, qualidade), a banda de neoforró Calypso é o produto de entretenimento musical mais consumido no Brasil, trespassando todas as classes sociais.

Então, precisamos refletir – o que é qualidade?

Qualidade é aquilo que existe no tema de abertura da principal novela da Globo, líder absoluta de audiência que também trespassa todas as classes? Ora, os temas de abertura das novelas em quase todos os casos são escolhidos entre a mais fina flor da elite da música que é chamada de popular brasileira.

Esperem, onde estamos? O que estávamos debatendo? Neoforró populacho como sucesso absoluto, e na novela música de altíssima qualidade consumida pelo mesmo público do Calypso? Que quebra-cabeças é este?

Conheço pessoas (observem que estou utilizando plural) que a despeito do diploma universitário que sustentam, das suas profissões e cargos que exigem apurada formação cultural ou de sua alta posição na pirâmide social trocam Veja por Minha Novela, trocam a Discovery pelo Domingo Legal do Gugu, trocam Abril Despedaçado por Deby e Lóide, e não sentem nenhum constrangimento em admitir isso publicamente, muito pelo contrário, não raro referem-se com desdém a consumidores da relação inversa.

Assim sendo, encerro dizendo que não se pode simplesmente abandonar as ferramentas tradicionais com as quais planejamos propaganda, mas hoje em dia é muito arriscado inferir que, se o consumidor vive em bairro nobre em casa própria com mais de cinco quartos com banheiro, se ele possui mais de um carro importado, se ele é graduado e pós-graduado em universidade de primeira linha em país de Primeiro Mundo, este consumidor não trocará Edu Lobo por Wagner Rossi The King – o risco de desperdiçar o dinheiro do anunciante pode ser grande.

E é aí que o feeling torna-se muito importante para o planejador, e não mais se planeja baseado somente em pesquisa e dados estatísticos, mas torna-se fundamental estar próximo ao consumidor e senti-lo.

[2] Filho, Clóvis de Barros in: Revista da ESPM, vol. 13, edição nº 05, setembro/outubro de 2006, p.41

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Agora, arte!

Gato, por Marcelo Vilela.
Artista plástico, DJ, ator de teatro e cinema e produtor cultural, Marcelo Vilela é muito conhecido no underground paulistano. Foi um dos maiores expoentes do movimento Gótico New Romantic nos anos 80 tendo sido um dos principais nomes ligados ao Madame Satã, a famosa casa noturna, templo do movimento.
É diretor do salão de beleza Engenharia do Corte onde desenvolve além do coiffeur clássico e cotidiano também o coiffeur de vanguarda, com forte influência do gótico e do punk. Pelo "Engenharia" já passaram celebridades como o ex-guitarrista da banda The Sisters of Mercy atualmente na banda The Mission, Wayne Hussey, e a americana Divine Brown que ficou famosa pelo incidente que envolveu o ator de Hollywood Hugh Grant.
Trabalhando com uma técnica que utiliza materiais recicláveis, seus temas englobam desde elementos da cultura tropicalista, passando por ícones místicos do imaginário cosmopolita até elementos do erotismo contemporâneo e releituras de culturas tribais que compõe a etnia brasileira e o punk.
No seu uso de cores, percebe-se aí forte influência da New Wave dos anos 80 e também da abordagem visual de Andy Wharol.

segunda-feira, 23 de julho de 2007

CHEGAMOS AO REATORAMA!

Caros amigos

O que você vê a partir de agora foi fruto de um trabalho feito a várias mãos.
No espírito da comunicação digital, muitas destas mãos foram anônimas, porém não menos importantes.
Assim, agradeço a todos os que acharam valer a pena participar.

REATORAMA - o que significa?

Nada - é um neologismo... mas... nada? Nada não. É claro que ele tem um significado, o qual está sendo construído neste processo contínuo.
REATOR - a origem das energias.
RAMA - sufixo de origem indígena, que indica condição futura.
RE - ATAR - uma nova ligação.
REATA... e AMA!
Reagindo NO AGORA para o FUTURO.

Participe da construção do significado de REATORAMA.

O que significa este logo?


Ele surgiu a partir do seguinte conceito: o cérebro em funcionamento, do qual brotam as idéias, para o alto e para a frente.
A percepção do logo a partir de vários amigos que colaboraram foram muito diversas, mas o importante é que a maioria delas pautou-se pela idéia de fecundação do óvulo.
A fertilidade das idéias - uma das coisas importantes no espírito de REATORAMA.
E O QUE VEM POR AÍ EM REATORAMA?
Existem algumas idéias que podem ser postas em prática. Uma delas é a de, além de ser o que já é, também ser um espaço onde os artistas podem expor os seus trabalhos, sejam eles como forem: imagem, filme, música, literatura, seja o que for.
Outra idéia é a de se criar por aqui um BANCO DE CURRÍCULOS de planejadores.
Fale conosco e colabore com idéias para incrementar o Reatorama.

PLANEJAR NÃO É A ENGENHARIA DA PROPAGANDA. ENTÃO, O QUE É PLANEJAR?

Uma reflexão sobre “Nova Ciência, novo modelo, nova propaganda” de Jon Steel*.
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No Top de Planejamento deste ano de 2007, um colega colocou com bastante propriedade que a propaganda hoje não funciona mais como um “pregão de feira livre” onde vende aquele que consegue bombardear mais a cabeça do consumidor impondo marcas, ganhando quem grita mais alto. Este é um modelo no qual as marcas falam de sí para o consumidor.
Buscar modelos de como planejar propaganda é uma prática intensa entre os planejadores que normalmente trocam entre si estudos de cases de sucesso.
A cadeia produtiva da propaganda espera dos planejadores a previsibilidade de resultados, a certeza de estar atuando num futuro case de sucesso. Nada há de errado nesta mentalidade, exceto impor aos planejadores a responsabilidade total sobre o resultado final de uma campanha. Pressionados, buscam modelos calcados em procedimentos mecânicos que lhes dê segurança de atuação. Agindo assim passam a acreditar que estão trocando uma insegura aposta na sorte pela segurança de um resultado calculado.
Esta mentalidade exige auto-crítica – é impossível encarar o planejamento como se ele fosse igual à engenharia, que usa ciência e técnica para desenhar uma planta a partir da qual se constroem máquinas que garantem os resultados almejados.
Não é assim que se atingem os objetivos de um briefing.
É impossível planejar ignorando, em nome da técnica, a multiplicidade de variáveis e significados que surgem da percepção de uma campanha pelos consumidores, criando a ilusão de padrões de reação genéricos aplicáveis conforme classe e nichos. Os planejadores seriam no mínimo ingênuos se acreditarem que a partir da análise de uma série de cases de sucesso podem localizar a repetição de coincidências e criar uma “lei científica” aplicável à propaganda.
Como bem diz Jon Steel, “Em geral as melhores soluções publicitárias surgem do caos aparente”.
A propaganda deve compreender que ela se dirige a pessoas, e pessoas são de forma isolada e coletiva elementos extremamente complexos em suas reações, o que nos impede planejar propaganda como engenheiros planejam máquinas.
Há um restaurante de sucesso muito tradicional em São Paulo, o Sujinho, conhecido por servir a melhor bisteca paulistana. Qual planejador seria louco o suficiente para propor a um anunciante a associação de sua marca à sujeira, ainda mais no segmento alimentício?
Ainda em São Paulo há (ou houve) outro bar que ficou conhecido por ser freqüentado por pessoas que queriam desabafar dores de traição amorosa. Consolidada a tradição, foi apelidado de “Bar do Corno”, e começou a atrair curiosos e pessoas no perfil descrito, virou sucesso.
O negócio ia muito bem até o proprietário começar a investir nesta identidade institucional, começando pela reforma da decoração que explorou a fartar o ícone dos chifres. Passado algum tempo, precisou rapidamente refazer a decoração, desassociando o bar desta imagem sob risco de falência.
Ao planejar não podemos ignorar o fator sorte, e bons planejadores devem treinar o máximo possível seu feeling para perceber aquelas oportunidades que ocorrem uma única vez, e lançar a campanha no momento certo, nem antes, nem depois.
Jon Steel citando Chris Heath diz: "não são os planos imaginados que fazem a diferença, é a habilidade com a qual você usa os acidentes".
Então quer dizer que o trabalho dos planejadores é semelhante ao de médiuns que usam a intuição e desprezam o racional? Não, não se trata se simplificar as coisas desta forma, mas os desdobramentos dos novos modelos de propaganda são assunto para várias outras reflexões e estudos.
Fiquemos com a orientação de que a propaganda deve procurar aproximar-se das pessoas e senti-las, entendê-las não na perspectiva da busca de um modelo universal, mas acompanhando o consumidor como parceira, atendendo-o em cada uma de suas múltiplas nuances comportamentais, nem sempre lógicas.

* Steel, Jon. VERDADES, MENTIRAS E PROPAGANDA . Negócio Editora – págs. 23, 24, 25 e 26.

segunda-feira, 9 de julho de 2007

DIÁLOGOS BAHIANOS.

Os “Diálogos Bahianos” surgiram do intercâmbio e debates que têm ocorrido em interlocução com meu amigo Júlio César, planejador que atua numa das principais agências do mercado bahiano.


Parte 1 - A cachaça e o Cristo Redentor.
Júlio sugeriu explorar o documentário "Inside Saatchi & Saatchi: A Spirited Case Study", de 40 minutos, que fala de uma campanha veiculada na Inglaterra para o lançamento da cachaça Sagatiba por lá. O documentário foi veiculado na BBC e só no Reino Unido foi visto por mais de 2,5 milhões de pessoas.

Caro amigo Júlio
Há mais ou menos uma década que o mercado brasileiro de bebidas discute e desenvolve idéias buscando internacionalizar a cachaça, e para tanto ela deve ser revestida de status de bebida requintada. Vejamos o exemplo de marcas e embalagens de cachaça que têm surgido de alguns anos para cá. Ademais não é novidade para ninguém que o próprio governo brasileiro e os produtores de cachaça há anos se esforçam para desenvolver o conceito de cachaça tipo exportação.

Dentro do Brasil é difícil desvincular culturalmente o conceito de cachaça do estereótipo de bebida rústica, consumida por pessoas de limitado nível sócio-econômico e cultural - na linguagem dos publicitários, as classes C e D, ou ainda, as classes populares.

Torna-se inusitado pensar numa marca de cachaça exposta na prateleira de um bar no lounge de um hotel de alto nível colocada ao lado de outras marcas consagradas de uísque, licor, vodka, conhaque, brandy, gin e outras.

Cavalinho, Pitu, 51, Tatuzinho, Velho Barreiro entre outras, fazem com que nosso imaginário imediatamente nos remeta à imagem do boteco em que os apreciadores de drinks divertem-se jogando bilhar em mesas acionadas a fichas que custam um real ao lado de outros que entusiasmados curtem uma peleja de dominó, tudo animado pelo som de um CD pirata adquirido na banquinha clandestina da feira-livre que faz os corações palpitarem na melodia do último sucesso de uma das principais duplas sertanejas do momento.

Muito se fala sobre a tequila mexicana que tinha este mesmo significado cultural que a nossa cachaça tem por aqui - birita rústica de pobre – porém, depois de um processo dentro do México que serviu de inspiração ao que está se tentando fazer aqui com a cachaça, foram criadas marcas para serem consumidas pela elite e se transformou em produto de luxo para exportação.

Cabe lembrar que tanto o scotch uísque assim como o uísque de milho, o bourbon americano, anos atrás eram bebidas tão rústicas quanto a imagem que temos da cachaça. Hoje há marcas que chegam a conquistar “selo real” atestando alta qualidade.

Certa vez visitei uma feira vinícola onde havia participação em menor grau de produtores de outros tipos de bebidas. Lá eu vi uma série de fotos divulgadas por uma destilaria escocesa, mostrando a cerimônia de atribuição do selo real pelo príncipe Charles em pessoa, inclusive trajado com a kilt, a famosa saia masculina com estampa xadrez, dirigindo todo um cerimonial que incluía lances de se provar ritualisticamente o uísque, quebrar a taça, fazer rolar um barril e quebrá-lo, espalhando a bebida pelo chão da adega como uma espécie de batismo.

Claro que isso era interessante ao governo britânico: qual o valor internacional de um uísque legitimamente escocês que leva um selo de qualidade conferido pela corôa britânica em cerimônia presidida pelo príncipe em pessoa?!

Sabia Júlio que originalmente Johnnie Walker era uma marca de... CHÁ? Isso mesmo, John Walker era um profissional "blender", isso é, tinha o olfato supertreinado para classificar e selecionar tipos e tipos de ervas para chá; na primeira metade do século XIX quando então tinha quinze anos herdou um pequeno capital da família o qual investiu num pequeno comércio, um armazém de secos e molhados, onde comercializava principalmente diversos tipos de chá e onde se servia o drink preferido dos escoceses, obviamente, o uísque... ou seja, John Walker abriu um simples boteco.

Percebendo que o uísque produzido e consumido naqueles tempos na Escócia podiam muito bem levar marcas como Mud Elder, Small Horse, Fifty-One, Small Armadillo, Big Shrimp etc., e percebendo que alguns tipos de uísque eram mais procurados que outros, teve a idéia de aplicar seu know-how de blender de ervas para chá aos maltes para uísque... todos nós sabemos qual foi o final da história, construída por John Walker e seus descendentes... sai uma Joãozinho Caminhante aí...

Temos então um case de sucesso em que um empresário acreditou na possibilidade de refinamento de uma bebida rústica.

Considerando então a história do uísque e a história da tequila, por que então não podemos pensar na cachaça tipo exportação, na exótica caipirinha sendo servida nos refinados bares da Europa?

Bem meu caro Julio, se você quer saber mesmo a minha opinião sobre o case da Saatchi e Saatchi londrina, o lance é: louca a campanha né?!

Acredito que no Brasil a campanha seria inviável. Nem a Igreja e nem o Estado iriam engolir a associação da cachaça com um símbolo religioso. E ainda é preciso considerar a questão dos interesses de mercado que vão decorrer da recente escolha do Cristo Redentor como uma das maravilhas do mundo.

Quanto à criatividade da campanha, bem, em se considerando tratar-se de europeus, foi muito bom porque no Brasil Joãozinho Trinta há muitos anos já utilizou a imagem do "Cristo Vendedor".
*
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NOTA DO AUTOR - Uma curiosidade sobre a origem da marca de cachaça 51:
Recentemente a Sociedade Esportiva Palmeiras obteve sucesso junto à FIFA para que o título de campeão da Copa Rio conquistado no ano de 1951 fosse reconhecido como o primeiro obtido num torneio mundial interclubes na história do futebol. E a origem da marca 51 tem profunda relação com esta questão.
Na época, uma família de italianos do interior paulista, torcedores fanáticos do Palmeiras, administravam uma destilaria. Com o título criaram a marca que tinha formato original de Palmeiras 51.
Anos depois a destilaria foi vendida, e com ela a marca, que foi transformada em Pirassununga 51, com direito à sutil brincadeira ortográfica, pois sabemos que a gramática oficial do português brasileiro obriga o uso de cedilha na grafia de palavras de origem indígena.

Veja o trailer do documentário:
http://www.filmsmediagroup.com/id/12041/Inside_Saatchi_and_Saatchi_A_Spirited_Case_Study.htm


Parte 2 – A Disneyworld dos Planejadores.
Nesta ocasião Júlio sugeriu o debate sobre o artigo de Rita Almeida que comenta a questão dos blogs de planejadores, publicado pelo jornal Meio & Mensagem nº 1255 de 23 de abril de 2007; nele Rita Almeida questiona o real valor dos blogs como fonte de referência teórica para os planejadores e ainda faz um paralelo entre as práticas das gerações de planejadores que vieram antes e depois do advento da Internet.

Olha Júlio, eu não sei se a percepção que você tem da minha pessoa é a mesma ou pelo menos semelhante à percepção que tenho de mim mesmo como planejador e blogueiro.

Tomando como referencial as idéias debatidas por Rita Almeida, percebo-me como alguém que ficaria no meio de campo da polaridade por ela apontada, entre os planejadores pré e pós Internet.

A minha origem é acadêmica. Tive uma juventude de barata de biblioteca, fui professor, candidato a intelectual que um belo dia cismou que deveria seguir um outro caminho, e fui para a publicidade.

Os planejadores no meu entender são a parte intelectual da agência, a "intelligentsia", aqueles que se preocupam com a ciência da comunicação e lançam pelo menos em parte as bases teóricas para o trabalho das duas instâncias posteriores do processo de produção publicitária – criação e mídia – e conta com tremenda colaboração da instância anterior, o atendimento. Tudo, obviamente, numa perspectiva de interação e troca.

Em geral os planejadores cada qual a seu modo e estilo são muito compenetrados, cultos, informados, letrados...

Quando estou na agência desenvolvendo um projeto complexo é fácil para os colegas perceberem.

Na primeira fase eu fico andando de um lado para outro solitário, olhando para baixo, com a mão no queixo como uma versão ambulante d’O Pensador de Rodin por tempo inderteminado, exceto pelo dead line

Então, quando me canso de andar chega hora de sentar e começar a escrever, ainda solitário e concentrado.

Quando então o primeiro boneco do projeto fica pronto, começa o estardalhaço: é hora de distribuir uma cópia para todo mundo e agendar a apresentação/apreciação/discussão interna do plano.

Assim como a cara das universidades mudou com o advento da internet, a cara dos planejadores também mudou, já que seguem até certo ponto o modelo dos pesquisadores universitários.

Assim como hoje a internet provoca uma revolução nos mais diversos conceitos, o planejamento não poderia escapar disso.

É claro que a cara das novas gerações de planejadores é bem distinta da antiga geração. E não poderia deixar de ser diferente.

Caro amigo Júlio, se você já analisou meu blog perceberá que sou um ser híbrido entre a antiga e a nova geração, uma "barata de biblioteca digitalizada"

Bem, se você queria uma apreciação ao artigo sugerido, ei-la... cara, muito legal isso: a troca, estamos trocando know-how, expertise, informações, opiniões... valeu soteropolitano!

Leia o artigo completo de Rita Almeida:
http://www.meioemensagem.com.br/novomm/br/Artigo.jsp?id=701
1º SEMINÁRIO DE PESQUISA DO CENTRO DE ALTOS ESTUDOS EM PROPAGANDA E MARKETING DA ESPM.

O evento aconteceu nesta última quinta-feira, 28 de junho, e foi composto de um painel onde pesquisadores ligados ao Centro apresentaram relatórios sobre o andamento de suas pesquisas.

Foram diversos painéis os quais acompanhei com prazer e interesse, todos eles com assuntos os quais com certeza enriquecem minha cultura pessoal e acadêmica, bem como alimentam e atualizam o preparo profissional.

Porém, considerando a temática deste blog – planejamento estratégico de comunicação – selecionei segundo os critérios desse foco duas exposições para tecer meus comentários nos dois posts que seguem abaixo.

MODELOS E ESTRATÉGIAS PUBLICITÁRIAS NO CYBERESPAÇO.

Apresentação defendida pelo Dr. Vinícius de Andrade e pela Ms. Andréa Hecksher, professores da ESPM do Rio de Janeiro.

Ambos centralizam as pesquisas, debates, discussões e informações em geral no blog Panmedia Lab ESPM.

Segundo suas próprias palavras na introdução do blog: O PANMEDIA LAB ESPM é um laboratório de mídias dedicado às investigações em torno das inovações e dos usos das tecnologias relacionadas ao universo da comunicação, do design, do entretenimento e das artes midiáticas. Temas como propaganda e marketing digital, consumo, linguagens e identidades na cibercultura, digital trash, blogosfera e games são, assim, alguns dos objetos que este laboratório investiga, entendendo-os como elementos que compõem a complexa e dinâmica cultura midiática contemporânea. O laboratório é formado por alunos e professores da ESPM-RJ.

Os professores constituíram no blog um observatório de práticas publicitárias.

Na exposição, elencaram uma série de práticas, tais como:

SPOOF – trata-se de sátiras de filmes publicitários; muitos dos comerciais que estão circulando pela mídia neste exato momento estão sendo satirizados através de produções independentes que utilizam os elementos e do recall para chamar a atenção para outros produtos, serviços ou mesmo discussões.

MASHUPS – clipes musicais que fundem estilos, hibridizam produções, variam tecnologias e interpenetram diversos nichos de preferências.

ADVERGAMES – como o próprio nome diz, games que trazem consigo elementos de comunicação publicitária, advertising.

VIRAIS INTERATIVOS e VÍDEOS INTERATIVOS – estratégia muito em voga, fica incrementada na medida em que atrai e prende a atenção do interlocutor na medida em que este se sente como construtor do conteúdo.

METAVERSOS, MUNDOS VIRTUAIS – mais que na moda, o Second Life é um exemplo claro desta estratégica.

Quanto a este assunto tão “top” devido ao sucesso do Second Life, os pesquisadores apresentaram uma ressalva: caso queira sobreviver, os metaversos necessitam rever sua tecnologia e permitir links para agilizar a navegação na web, já que se fizeram fechados.

Como comentário eu somaria aqui os WIDGETS, que são aqueles programinhas que algumas marcas distribuem para download que contém uma série de utilitários, como notícias, informações sobre o clima, mercado financeiro etc., todos eles desenvolvidos segundo para promover a marca em questão.

Acredito que vale a pena visitar o blog do Panmedia Lab da ESPM, o link segue logo abaixo.

http://www.panmedialabespm.blogspot.com/


A LÓGICA DE CONSUMO NAS CLASSES POPULARES.

A apresentação foi conduzida pelas pesquisadoras, professoras da ESPM do Rio de Janeiro, Dras. Carla Barros e Cecília Matoso.

A pesquisa apresentou como objetivo a compreensão da lógica de consumo apresentada na atualidade pelas classes ditas “populares”, aquelas as quais costumamos classificar pelas letras C e D.

A identidade – as pessoas pesquisadas definem a si próprias como “pobres” numa relação de comparação com outras classes sociais, comparação que envolve sua prática social e os elementos simbólicos mais recorrentes em seu imaginário.

Desenvolvida na Baixada Fluminense, as pessoas pesquisadas somavam quase que como um lema à sua identidade assumida – pobre – o jargão: “sou pobre porém limpo”; outros jargões correlatos apresentados foram: “sou pobre porém educado” ou ainda “sou pobre porém estudado”.

Arroz com passas – num almoço dominical junto a uma das famílias pesquisadas, a pesquisadora saboreou arroz com passas, preparado especialmente pela anfitriã segundo uma receita divulgada no programa de TV de Ana Maria Braga.

Segundo o depoimento, a família da anfitriã e seu círculo social consideram que elementos doces e salgados num mesmo prato formam uma combinação esquisita ao paladar, porém, estavam satisfeitos em oferecer à visitante uma “comida com a qual ela estava acostumada”.

Assim, percebe-se que o objetivo era o de integrar-se à cultura da pesquisadora.

O episódio somado a outras informações leva a concluir que o conceito de sociabilidade nas classes populares dá-se em nível da reciprocidade e da solidariedade com aqueles que estão mais próximos.

Orçamento e gastos – as classes populares demonstraram-se extremamente sensíveis à promoções no varejo.

Ocorre igualmente uma valorização muito forte de marcas prediletas da família.
Identificou-se na pesquisa algumas marcas que apresentaram maior recall, p. ex.: margarina Qualy, café Pilão, macarrão Adria e azeite de oliva Gallo.
Para o supermercado é definido um teto para os gastos; no check-out, caso o teto seja ultrapassado, fazem cortes antes do fechamento da conta.
A aparência pessoal é prioridade absoluta; se for preciso não pensam duas vezes antes de cortar outros gastos para garantir a manicure semanal e a cabelereira.
Consideram como “coisa de pobre” o pagamento do IPTU à vista, ou parcelamentos em longo prazo como os praticados pelas Casas Bahia, apesar de julgarem este último inevitável na maioria dos casos.

Nas festas e comemorações valorizam significativamente a abundância; os eventos são programados de modo a garantir uma larga margem de sobras de comes e bebes, entre outros elementos. Por exemplo, constatou-se um caso de festa de debutante em que houve uma sobra planejada de dois mil salgadinhos, e a aniversariante usou nada mais nada menos que três vestidos diferentes especialmente confeccionados para o evento.

Religião e consumo – a divisão entre os católicos e evangélicos apareceu de forma equilibrada.

Quanto aos evangélicos constatou-se que as igrejas oferecem orientação e educação financeira e orçamentária para que os fiéis otimizem seus gastos.
Num caso, uma das pesquisadas declarou que sob orientação do pastor reduziu seus gastos com supermercado em 50%, redirecionando este percentual para investimentos em educação, tendo conseguido realizar uma pós-graduação em recursos humanos.

Tecnologia – as lan houses e telecentros são abundantes em bairros populares. Ao contrário do que comumente se pensa, as classes populares apresentam um significativo nível de inclusão digital.

A individuação começa a ser valorizada. Por exemplo, os cônjuges apresentam profiles independentes no Orkut, bem como os adolescentes preferem navegar em lan houses onde existe a liberdade de visitar os sites que desejam porque dentro do lar sentem-se reprimidos e vigiados.

Ocupando lugar de destaque na sala de estar e cercado de rituais de conservação, o computador doméstico é o novo símbolo de ascensão social, num fenômeno semelhante ao advento da TV colorida no início dos anos 80.
UM PRATO CHEIO PARA OS PLANNERS, MAS AINDA POUCO EXPLORADO...

LABORATÓRIO INTEGRADO DE MARKETING E CULTURA – LIMC – ECA – USP.


A Universidade de São Paulo - USP, ao longo de seu mais de meio século de existência firmou-se como um mito no cenário cultural brasileiro.

Símbolo do mais elevado padrão de ensino e pesquisa na América do Sul e uma das mais respeitadas universidades de todo o mundo, o mito tem lá seus fundamentos, mas também os seus exageros.

Não é possível aplicar uma identidade única à USP, já que ela é composta de diversas unidades, cada qual com a sua história e identidade própria.

Um dos mitos negativos relacionados à USP é o de que ela é academicista e autofágica: seu ensino não teria foco no mercado, mas sim nas ciências puras, e como tal alimenta-se de sí própria ao estar no presente formando doutos que serão os mestres das suas futuras gerações de alunos.

É comum ouvir dizer que as pesquisas de toda uma vida desenvolvidas por estes doutos interessam mais às baratas das bibliotecas em busca de condições adequadas à sua reprodução do que ao mercado; algo como uma belíssima tese de livre-docência (grau acadêmico máximo), desenvolvida em anos de pesquisa financiada pelo governo, intitulada: A influência da menstruação das baleias na coloração do Mar Vermelho.

Deixando preconceitos, falsos mitos e ironias de lado, a realidade é que, umas mais outras menos, as diversas escolas da USP terão sim preocupação em formar bacharéis que não sejam exclusivamente intelectuais e doutos, mas principalmente profissionais formados com perspectiva de atuação focada nas necessidades e tendências do mercado, da economia e da sociedade, e uma das alternativas para esta pluralidade é a construção de centros de estudo e pesquisa especializados.

Um deles nasceu na Escola de Comunicação e Artes – ECA, o LIMC – Laboratório Integrado de Marketing e Cultura.

Nada melhor que as palavras de seu fundador e mentor, prof. Luís Milanesi, para defini-lo:

Ele (o LIMC) procura descobrir as relações entre duas esferas fundamentais da sociedade contemporânea e completamente distantes, muitas vezes antagônicas: o mundo dos negócios ordenado pela racionalidade, pela precisão; e, por outro lado, o campo da cultura e das artes que privilegia o imaginário, o subjetivo. A conjunção “e” entre o Marketing e a Cultura não sugere uma junção plena e harmônica como na expressão “marketing cultural”, mas cria diversas possibilidades de aproximações, intersecções ou até mesmo conflitos. Disso resulta a pergunta fundamental: como o mundo dos negócios se relaciona, interage com o social, com a cultura, os valores e os costumes? Em que medida esses campos tão diferentes se afetam mutuamente? (...)[1]

Desde o ano de 2002 o LIMC desenvolve o ciclo de palestras sobre políticas de comunicação corporativa que ocorrem mensalmente e são muito concorridas.

Além de gratuitas, elas constituem rara oportunidade de contato direto com executivos de comunicação e marketing que atuam com valiosas marcas mais que consagradas no mercado. Para se ter idéia da importância destas palestras, já estiveram presentes a Fiat, Natura, Gerdau, Nestlé, Globo, GM, Unilever, Basf, Telefonica, Odebrecht, Alcoa, Philips, Embraer, Klabin, Tetrapack, Alcatel, BankBoston, Vivo, Boticário, Siemens, Vale do Rio Doce entre outras do mesmo nível.

Apesar de sempre encontrar-se profissionais representando agências de publicidade que estão entre as top ones do mercado, acredito que esta iniciativa do LIMC ainda não foi descoberta pelos planners, que através delas podem realizar um excelente exercício profissional, já que ali ocorre uma oportunidade rara e muito rica de se ter um contato direto com grandes anunciantes e ouvir diretamente das principais cabeças decisoras quais são seus valores, seus objetivos, suas práticas, qual a visão que eles têm do mercado, do seu papel social, da sua marca, do seu endomarketing, dos principais conceitos e valores que querem transmitir não só ao público externo mas também ao seu público interno, além do que pode-se ficar conhecendo em detalhes qual é o histórico da prática comunicativa destas empresas e suas respectivas marcas, do organograma administrativo com o qual lidam dentro da estrutura empresarial na qual se situam, o que significa sucesso e soluções para eles e quais as tendências que as quais percebem no desenrolar de sua presença no mercado.

Será que um planner pode desejar mais que um prato cheio desses?

Além do ciclo de palestras de comunicação corporativa, o LIMC desenvolve anualmente o Prêmio USP de Comunicação Corporativa, que consiste na disputa entre inscritos da apreciação de cases de sucesso que são expostos em seção e analisados por um corpo de jurados, composto de personalidades e profissionais de destaque, selecionados de forma eclética entre diversos setores da sociedade, contemplando sempre a pluralidade à qual o LIMC se propõe na intersecção do mundo dos negócios com o mundo da cultura e das artes.

LABORATÓRIO INTEGRADO DE MARKETING E CULTURA.
www.eca.usp.br/servicos/laborato/index.htm
Av. Prof. Lúcio Martins Rodrigues, 443 (prédio principal da ECA-USP).
1º andar, sala 118 - Cidade Universitária.
São Paulo - SP.
05508-900
Fone: 55 11 3091 4314 limc@eca.usp.br

[1] Introdução ao livro: Políticas de Comunicação Corporativa, organizado pelo LIMC e publicado pela COM-ARTE em São Paulo, 2005.

FAITH POPCORN, TED NELSON E A COMUNICAÇÃO DIGITAL.

A Nostradamus do marketing - Em 1991, Faith Popcorn entrou para a história internacional do marketing ao publicar seu relatório, o qual tornou conhecido o conceito de cocooning (em inglês, encasulamento).

Apelidada de a Nostradamus do marketing, Popcorn tornou-se referência para profissionais de propaganda e marketing no início da década de 90, algo semelhante ao que Jon Steel representa para os planners hoje – uma referência universal.

As previsões de tendências de Popcorn hoje aparentam ser de uma ingenuidade tamanha que julgamos ser o sucesso de suas teorias apenas um grande case de marketing bem sucedido. Porém, talvez não sejam.

Ainda não podíamos falar de informatização pessoal e de Internet como fenômeno de massa naquela época, e este fator, o qual consolidou-se somente no final dos anos 90 como revolução, fez com que os conceitos e percepções da realidade mudassem tanto e de forma tão rápida que mal percebemos estar mergulhados na realidade prevista por Popcorn há quase vinte anos atrás.

Encasulamento, o que é? - Voltando ao cocooning, só para não deixar esta citação perdida sem explicação, trata-se fundamentalmente da tendência da busca pela proteção em nossa sociedade contemporânea, na qual viveríamos em casulos que impediriam o contato direto com outras instâncias sociais como o casulo armado, nossa casa e o casulo nômade, o automóvel.

Seria Popcorn uma pensadora original? - Nunca tive a oportunidade de desenvolver um estudo sistemático das idéias de Popcorn, mas percebo que ela foi antecedida na história nos primórdios do capitalismo a partir da burguesia na Europa do século XVIII; por exemplo, vejamos a arquitetura burguesa nas relíquias coloniais brasileiras como Parati e Olinda. Os solares apresentam paredes bem grossas cujas janelas têm parapeitos que se estendem por mais de meio metro, afunilando-se até uma abertura sempre pequena que lembram ameias de fortalezas.

A egonomia e o consumidor de hoje: A egonomia fala sobre a produção personalizada das mercadorias individualizadas. Vejamos a campanha que está na mídia do Banco do Brasil – Banco do João, Maria, Paula, Edson etc. como um exemplo bem pertinente desta previsão. Marcello Magalhães, planner da Giovanni, em sua palestra no Top de Planejamento 2007 falou que hoje as marcas são mais sensíveis e, ao invés de bombardear a cabeça do consumidor impondo um padrão de desejo e impulso de consumo, procura aproximar-se e entender cada consumidor para oferecer justamente aquilo o que ele procura.

TED NELSON – o cocooning na Internet e a via da libertação. O pai do hipertexto, o filósofo americano Ted Nelson olha com desconfiança para os atuais conceitos de informática. Ele os considera limitadores das possibilidades oferecidas pelos computadores.

Para Nelson, os treinamentos de informática nada mais são que a transmissão de determinadas convenções impostas pelos líderes do mercado de informática.
As várias possibilidades de se criar, por exemplo, um editor de textos ou um navegador com funções e ferramentas completamente diferentes das apresentadas pelos dos sistemas mais utilizados – Macintosh e Windows – nem de longe passam pela cabeça dos usuários da atualidade, excluindo-o do verdadeiro espírito da revolução digital.

Programar ou utilizar – a troca: Nos primórdios da informatização, os modelos comercializados podiam ser limitados em termos de velocidade e armazenamento, porém, conferiam ampla liberdade ao usuário na medida em que este podia PROGRAMAR, ou seja, criar em seu computador pessoal funções e ferramentas personalizadas sem a ajuda de nenhum profissional especializado. Hoje, o direito de programar tornou-se monopólio de especialistas. Trocamos com este direito por uma arquitetura organizacional de dados baseada em arquivos fechados, ou ainda por um pacote de funções desenvolvidas para adaptar-se a quaisquer tipos de serviços, mas tudo polivalente, pensado para atender não à necessidade pessoal de cada um, mas sim adaptar esta necessidade às ferramentas disponibilizadas.

Lembro de um amigo que desde o final dos anos 70 vivenciou jóias como o XT, monitor de fósforo monocromático e o wordstar... e hoje mantém em seu home office dois computadores de última geração, e, pasmem: apesar de ter a seu dispor máquinas formidáveis não abriu mão do seu XT, nem de sua impressora matricial porque nele desenvolveu um programa fundamental para administrar os contatos comerciais de sua empresa, e por mais que explore versões mais recentes do pacote Office da Microsoft, não consegue encontrar ferramenta ou função que lhe garanta sequer resultado aproximado.

Popcorn e Nelson – o paralelo.
Acredito que com o auxílio da versatilidade do nosso raciocínio podemos estabelecer um paralelo entre as previsões de Popcorn e as preocupações de Nelson.
A situação talvez seja mais agressiva do que percebemos em nosso estressante cotidiano. Usando aplicativos deixamos de reter nossos próprios dados no universo informatizado já que os donos dos sistemas como a Microsoft ou a Apple tornaram-se proprietários dos dados possíveis de serem operacionalizados na informática praticada hoje em dia.
Quando podíamos programar, fazíamos o que queríamos em nossos computadores pessoais; hoje, precisamos pagar a eles pelos aplicativos, e pior: não para fazer o que queremos, mas para adaptar o que queremos ao que eles nos permitem fazer. Assim, parece que em busca de segurança – a segurança de estar integrado ao universo digital permite viver identidades e possibilidades que, apesar de virtuais, alimentam a perspectiva que Popcorn chamou de aventura da fantasia – sair do casulo mas de modo seguro – fazendo com que contraditoriamente à tendência da egonomia recaíssemos num casulo virtual dos sistemas operacionais e aplicativos.
Os planners e as perspectivas estratégicas: Tais reflexões são fundamentais para a compreensão do comportamento do consumidor, uma vez que implicam em se pensar, rever e mesmo prever as tendências da estética, dos conceitos de tempo e velocidade, dos conceitos de entretenimento entre outros, e a dinâmica com a qual podemos nos deparar no processo da vivência social da economia de mercado, e entender qual o papel da comunicação publicitária diante disso.

Trata-se de um projeto de construção intuitiva de um conjunto de perspectivas mais que estratégicas, fundamentais para o sucesso dos projetos publicitários que estamos desenvolvendo para os nossos clientes e suas bases teóricas e práticas. Provavelmente poderemos, assim como fez Popcorn, prever as tendências futuras do comportamento social e, no que diz respeito à nossa função na cadeia de produção publicitária, garantir que estejamos acompanhando a dinâmica comunicativa desta complexa sociedade contemporânea para o sucesso e garantia de satisfação dos nossos clientes.

THEODOR HOLM NELSON nasceu em 1937 nos Estados Unidos, graduado em sociologia e filosofia, criador de termos como hipertexto, hipermídia, hiperlink, transclusão e virtualidade. Seu trabalho é focado na busca da acessibilidade dos computadores a todo e qualquer tipo de pessoa, e sua principal máxima é:
Uma interface para um usuário deveria ser tão simples que um iniciante, numa emergência, deveria entendê-la em 10 segundos.
FAITH POPCORN é graduada pela Universidade de Nova York, e atuou com destaque na área de criação publicitária em agências antes de abrir em 1974 sua empresa, a BrainReserve consultoria, vindo a notabilizar-se perante o mundo com a publicação de O Relatório Popcorn em 1991. Atua com branding e new business, e atende a clientes como a Nissan, Procter & Gamble, American Express entre outros.
I Seminário Internacional de Publicidade e Pós-Modernidade – ESPM, maio de 2007.

Seguindo a tendência que se observa da aproximação entre a comunicação publicitária e as ciências humanas, a ESPM através de seu Instituto Cultural e do Programa de Mestrado em Comunicação e Práticas de Consumo promoveu nos dias 29 e 30 de maio de 2007 este evento que contou com a participação não somente de intelectuais brasileiros e europeus dedicados ao estudo da comunicação e da publicidade na pós-modernidade, mas também de empresários e profissionais da propaganda e marketing marcaram presença nestes dois dias de estudos e debates, sob a liderança do prof. Clóvis de Barros Filho, da ESPM, e como principal convidado o francês Michel Maffesoli (ao lado).

Só peço desculpas de antemão se nesta síntese não fui capaz de reproduzir os conceitos tratados com o rigor científico e acadêmico que merecem.
1º dia.
O evento foi aberto pelo atual diretor da ESPM, Prof. Dr. Luiz Celso de Piratininga, que numa colocação breve, descontraída e bem informal fez uma comparação inusitada entre as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, classificando a primeira como uma cidade dionisíaca, isto é, dada ao prazer ao lazer e ao lúdico, e a segunda como apolínea, dedicada à racionalidade, ao trabalho disciplinado e formal. Comparação um tanto que estranha porque a princípio sabe-se que estes estereótipos estão totalmente invertidos, mas ele logo explicou o porque. A São Paulo de hoje é uma cidade que sabe cultivar o prazer, com sua rica gastronomia, seu intenso movimento cultural, seus cidadãos que incorporaram a cultura do happy hour, ou seja, a São Paulo de hoje é uma São Paulo apaixonada. Já o Rio de Janeiro é uma cidade onde os cidadãos estão sempre preocupados com a disciplina física pelo culto à beleza corporal. Ali, o trabalho e a organização se fazem sempre presentes por uma cidade que, enquanto vitrine do Brasil para o mundo deve sempre demonstrar organização e trabalho. O dionisíaco e o apolíneo nada mais são que etapas que se sucedem no tempo, e na ruptura da substituição da pós-modernidade, o olhar vai para além dos estereótipos fazendo com que as semelhanças e as diferenças sejam motivo de união dos povos.

Prof. Dr. Michel Maffesoli – Universidade Sorbonne – Paris. Intelectual de primeiríssima grandeza e renome internacional, o prof. Maffesoli foi a grande estrela do evento contribuindo com a sua descomunal bagagem de conhecimento que exigiu dos presentes um alto grau de concentração para acompanhar e compreender os complexos raciocínios desenvolvidos sobre profundos conceitos.

Acredito não ser conveniente esmiuçar aqui passo a passo a palestra do prof. Maffesoli, mas sim apontar os principais elementos da sua linha de raciocínio que buscou definir o significado atual da pós-modernidade.
Falou ele sobre a forma, aquilo que está para além do pós-moderno, o seu conteúdo e seu continente.

O esporte, a religião, a música, a política etc. são elementos que hoje exercem imensa influência e movimentação sobre as massas – uma orgia, no sentido de paixão comum.

A partir disso então surge uma mitologia, e com ela, as imagens que demonstram uma ordem de amores – grandes ídolos, em torno dos quais ocorre esta orgia. Porém, sabemos que nossa cultura é uma cultura marcada pela tradição judaico-cristã, tradição esta que nega estas imagens, os ídolos, uma cultura iconoclasta. Um conflito.

Com a pós-modernidade ocorre então um retorno às imagens, aos ídolos, às celebridades em torno das quais a orgia ocorre, favorecida pela tecnologia que permite a organização holística dos iniciados e do seu culto aos seus ídolos – a ordem do amor induzida pela imagem, e a publicidade torna-se então a arte do banal e do comum, da vida nababesca e do mundo de abundância.

Prof. Dr. Juremir Machado – PUC do Rio Grande do Sul.
Com uma exposição tanto objetiva como bem humorada, o prof. Machado buscou expor uma breve definição do que entende por publicidade, partindo de duas hipóteses; a primeira é a de que ela é um mal necessário, e a segunda é a de que ela é um bem desnecessário.
Seria a publicidade então uma tecnologia do imaginário? Ou um complô dos criativos contra os idiotas?
E quem seria o publicitário? É aquele que acredita que vende um produto? É aquele que acredita que vende um conceito... ou é aquele que acredita que vende um vício imaginário.
O primeiro é o realista que quer vender o produto pelo produto.
O segundo é o artista, o criador, o intelectual.
Já o terceiro é aquele que vende o mal necessário, o dionisíaco para quem o sentido da vida é que ela só vale a pena na medida em que for perdida.
A publicidade é então a pornografia do mundo contemporâneo: vende vícios, os vícios que se sustentam na compulsividade de trocas, trocas e mais trocas. O último discurso revolucionário – só nos faz o bem quando nos vende o mal... prazer, glutonaria, luxúria, embriaguês.
É a sociologia dos tempos atuais porque seu sentido único é inventar necessidades as quais não temos. Por exemplo: o que leva um cidadão a tornar-se assíduo espectador do Big Brother? Três motivos: um, porque ele é um idiota; dois, porque ele não tem o que fazer, e três, porque o Big Brother instaura a democracia fazendo as pessoas famosas sem muito esforço pessoal.
Assim, na senda das colocações do prof. Maffesoli, o prof. Machado (ex-orientando de Maffesoli) classifica a publicidade como uma “mitolorgia”, a sacanagem pura, o gozar, comprar é gozar, os shoppings são bordéis onde o gozo coletivo é oferecido para todas as idades – a putaria total.
E fecha com bastante ousadia dizendo que a principal imagem do século XX é a de Apolo sendo sodomizado por Dionísio atrás da escada rolante de um shopping center.

Hiram Castelo Branco – sócio-diretor da Giacometti Publicidade.
Em sua colocação, Castelo Branco retomou a publicidade dos anos 70 num saudoso painel no qual expôs diversos comerciais de bastante sucesso na época, com o objetivo de discorrer sobre a construção de marcas no mercado brasileiro, e como que a elevação da auto-estima do brasileiro foi uma das conseqüências deste processo.
olkswagen, Unibanco, Cônsul, Avanço, várias marcas que cresceram e se consolidaram num período cuja publicidade foi marcada por uma ingenuidade tão intensa quanto o seu bom gosto e elegância, construtiva e interessante, que define uma das principais características da publicidade brasileira, característica esta não tão intensa na atualidade, apesar de sempre presente.

Marina Kotsantonis Pechlivanis – sócia-diretora da Umbigo do Mundo Publicidade e mestranda da ESPM.
Discorrendo sobre sua tese, Marina falou sobre a presença da marca de fast-food Giraffas na perspectiva da ex-perimentação do tempo e espaço, como ex-periência do ver, ver a realidade como uma das características do conhecimento pós-moderno.
A ex-periência do ver é menos reflexiva e mais ex-perimental. Cada experiência é um presente puro que independe das categorias de tempo e espaço para se efetivar, constituindo então um hiperespaço. As tribos contemporâneas são um exemplo de elementos definidos pela forma, e não pelo conteúdo, no entrecruzamento flexível de uma multiplicidade - percebam aqui a influência do prof. Maffesoli, cujas obras estão no referencial teórico de sua pesquisa.
A socialidade das tribos dá-se pela aparência e superficialidade desindividualizados num grande theatrum mundi de uma forma lúdica.
A partir disso surge a experiência do policulturalismo no qual os grupos se organizam em territórios e com os seus símbolos.
Assim, o Ex – X – é o indeterminável; x-tremo, além de códigos e sentidos; x-incompreensível, para além de conceitos fechados, x-incógnita – as faixas etárias estão desaparecendo.
Nas metrópoles os fluxos metalingüísticos dão-se no fluir dos plurais, onde ocorre a experiência... onde se experimenta a experiência do consumo, das marcas, dos deuses falantes (personagens, celebridades), panoramas, como se experimenta o consumo nos shoppings, nas praças de alimentação, o ópio do entretenimento, o ecletismo da cultura contemporânea.

2º dia.
Depois de um breve discurso do lendário Francisco Gracioso, um dos monstros sagrados da ESPM que discorreu sobre a emotividade na publicidade latina, abriram-se os trabalhos do segundo dia.

Giuliano Da Empoli – Revista Zero (Itália), dedicada ao debate político e cultural.
Segundo Giuliano que apesar de romano proferiu sua palestra em francês, a pós-modernidade gira em torno dos eixos da estética, da teoria do conhecimento e da relação sociedade e política, sendo o eixo da estética o mais evidente de todos.
Para Giuliano, o mundo estaria se brasilianizando; esta brasilianização não seria algo como a aculturação imperialista tal como a influência da cultura norte-americana no mundo contemporâneo. Não se trata de um olhar imitativo do Brasil. O Brasil tornou-se a metáfora das tendências pós-modernas que estão disseminadas em nossa cultura e sociedade.
Com a queda do Muro de Berlim acreditou-se que ocorria o fim da era das paixões, das ideologias, da irracionalidade, e despertávamos para a aurora de um futuro racional; porém, em 11 de setembro a irracionalidade mostrou-se mais viva que nunca.
O carnaval brasileiro é orgia, é paixão, é imagem, é culto ao corpo; o Brasil é a capital internacional da cirurgia plástica.
Assim, temos uma importância mais que exacerbada do sexo na sociedade brasileira, e o carnaval nada mais é que o narcisismo de massa, o desejo de aparecer, a representação de si. Este exibicionismo da massa é a evolução do processo democrático, e é essencialmente ligado à comunicação.
O advento da tecnologia só veio a confirmar este narcisismo; com o podcast, e-mail e outros recursos com os quais eu divulgo aquilo o que é interessante em minha vida.
Outro fenômeno é o retorno das grandes arenas: a comunhão e as orgias nos estádios: o futebol, o carnaval propriamente dito nos sambódromos entre outros grandes eventos.
O próprio Big Brother é um retorno das grandes arenas romanas – os gladiadores lutam entre si para o deleite dos plebeus... só um pode sobreviver.
Surge disso uma nova elite, a elite da arena. Esta vende bastante, porque outras elites mais velhas como a dos políticos e a dos intelectuais pouco vendiam.
O carnaval é em si um dos principais elementos, mas há um outro elemento da brasilianidade muito importante, que é o risco.
Não existe guerra no Brasil, mas a violência social mata 50 mil pessoas por ano. Nos morros do Rio ocorre um estado paralelo comandado pelo crime organizado, e as classes mais resguardam seu espaço social – ninguém de fora entra na favela, assim como os burgueses se fecham em condomínios vigiados por profissionais da segurança e tecnologia para tal.
Estes traços da brasilianidade se observam em Paris, onde a polícia não pode entrar em certos espaços que são territórios demarcados por minorias. Assim, com mais alguns comentários sobre outras questões da brasilianidade expressa em outras sociedades pelo mundo afora, Giuliano dá por encerrada sua exposição, assim mesmo, sem uma conclusão, frisando que tratou-se de expor apenas observações sobre esta brasilianidade na comunicação e na cultura contemporânea.

Massimo Di Felice – Escola de Comunicação e Artes – USP.
Falando sobre pós-modernidade, publicidade e pós-humano, o prof. Felice levantou algumas questões básicas sobre a pós-modernidade. Primeiro, ela incomoda, especialmente à sociologia e às religiões monoteístas. Segundo, ela trás a crise, a crise das grandes narrativas da psicanálise, do marxismo e do evolucionismo, e a crise dos métodos unitários da física, da filosofia da ciência, das ciências exatas.
Dando como exemplo a entrada de tribos indígenas da América Latina na Internet que a partir disso produz as suas próprias narrativas, o prof. Felice citou Vattimo que fala sobre o papel dos meios de comunicação na pós-modernidade, que fizeram com que as visões de mundo se multiplicassem gerando uma crise nos pontos de vista centrais.
Também há a crise da linguagem que se deu a partir das novas mídias e tecnologias dando espaço a novas linguagens as quais ultrapassam fronteiras e limites diversos.
A publicidade então representa uma revolução, ou melhor, várias revoluções na linguagem.
A publicidade ao contrário do que comumente se pensa não foi uma invenção do capitalismo, já que por exemplo a Igreja lançou mão de recursos publicitários para oferecer a seu público-alvo uma linguagem acessível às idéias bíblicas que queria difundir, utilizando a linguagem dos afrescos em épocas onde a leitura da bíblia era restrita ao clero.
A publicidade existe de forma correlata ao mercado, o qual também não é uma invenção capitalista.
A publicidade na pós-modernidade trouxe então o fim da hegemonia do arquiteto e do político na determinação dos espaços urbanos, pois com ela podemos dialogar constantemente através das imagens urbanas no outdoor, busdoor entre outras.
O fenômeno Second Life e a Internet de forma geral nos trouxe a difusão de info-matérias e info-territórios – a virtualidade – uma matéria nem orgânica, nem inorgânica, uma nova forma de perceber o mundo, gerando assim a crise do antropocentrismo.
A publicidade nesta perspectiva configura a crise do humanismo na medida em que se tornou construção pós-humana, encerrando em si um habitat técnico e humano ao mesmo tempo.
A situação social é determinada por um click, pessoas se relacionam através da interface, o software, sistemas informativos.

José Roberto Whitacker Penteado – ESPM.
Como a publicidade atual sustenta-se? – esta foi a questão levantada em debate pelo painel exposto por Penteado, o qual envolveu diversos comerciais que estão na mídia hoje: Brahma, VW Gol, Feel Good, Ford Fiesta, Glaid, Texaco, Mastercard, Metamucil, Nextel, Philadelphia, Sadia, VW Golf, Intelig, CEF, Adidas. A Publicidade tornou-se uma das principais características do século XX, e uma peculiaridade interessante é que só o Brasil utiliza o termo publicidade como sinônimo de propaganda; a origem semântica está justamente numa questão levantada anteriormente pelo prof. Felice: os afrescos católicos eram chamados na Igreja pré-Vaticano II de “propaganda” (latim).
A mídia busca basicamente informar, educar e divertir – esta última, a mais lucrativa função – têm na publicidade a sua principal fonte de renda fazendo com que o entretenimento ocupasse cada vez mais espaços na mídia. Fiel à sua função – vender – o anúncio apresenta-se ao grande público de forma ética: não mente, não finge, não camufla, está ali para vender, não nega e todos sabem e entendem exatamente o que ele quer, ele não tem segundas intenções – é sincero – e nem parcialidade – é transparente e objetivo. O jornalismo atual não tanto informa, mas principalmente explora as sensações e o humor.
Tornou-se espetáculo.
Assim, a publicidade nos coloca sob situação flagrante.
Penteado encerrou a fala com uma pergunta que explica o porque desta afirmação: em que arena nos encontramos?!

João Osvaldo Schiavon da Matta – mestrando e professor da ESPM. Discorrendo sobre sua tese, o prof. Schiavon falou sobre a produção midiática da popstar Avril Lavigne.
Cantora canadense de 22 anos, Avril Lavigne reúne em si uma série de estereótipos e símbolos das mais diversas tribos jovens do universo pop: grunge, rockeira, emo, gótica (como se autodefine) e mesmo alguns aspectos do punk. Esta estratégia favorece a integração das tribos presentes no cyberespaço. Sendo a Internet um locus privilegiado dos adolescentes, o experimentalismo empírico de uma cultura midiática que é hegemônica traduzindo a importância do self nesta faixa etária integra todas as tribos.
Direcionados pela emocionalidade, as comunidades se re-tribalizam. Basta observar o site oficial de Avril Lavigne para perceber como ela se apresenta com múltiplas identidades e estereótipos.
O próprio símbolo de Avril é composto do agressivo ícone pirata da caveira e ossos cruzados, mas dentro de um coração pink.
Assim, curioso é que em torno de Avril orbitam duas vertentes: fãs e anti-fãs, estes últimos criticando justamente esta indefinição de identidade da cantora. Schiavon fecha sua exposição citando o filósofo Espinoza: “não gostamos de uma coisa por ela ser uma coisa boa, mas achamos a coisa boa porque gostamos dela”.

Julio Pompeu – Univ. Fed. do Espírito Santo – UFES.
A linha usada por Pompeu para discutir o tema da pós-modernidade foi a da história da filosofia ocidental.
Nesta linha considerou crise como não exceção à normalidade, mas como regra. Crise é mudança.
Mesmo a Idade Média na qual imperou o teocentrismo foi antropocêntrica porque Deus possuía características humanas.
Retomando a mitologia grega Pompeu falou do confronto de Hércules com a Hidra de Lerna, o monstro de múltiplas cabeças as quais renasciam logo após serem esmagadas pelo herói; o mito é simbólico porque coloca o baixo ventre como a morada da Hidra, ou seja, a parte apetitiva do homem, que aprisionando a Hidra a doma.
É a metáfora da razão dominando o corpo.
Seguindo a linha platônica, nada pode ser ensinado mas a paidéia – processo educativo - consiste em fazer com que o homem retome consciência de um conhecimento inato, o qual já trás consigo, a teoria da reminiscência que remete à uma existência anterior, a da alma no mundo das idéias, o lugar onde vai obter o conhecimento.
Assim, para Platão, falar de conhecimento é falar de metafísica, o mundo da permanência, da estabilidade, que se antagoniza ao mundo sensível, material, corruptível, cuja transitoriedade impede de compatibilizar com verdades inquestionáveis, sendo portanto o lado ruim, o lado ilusório da existência.
O Leão habita o tórax, a parte ativa do corpo, e a Hidra habita o ventre, a parte apetitiva; quando o Leão e a Hidra se unem, surge a causa da ação.
A razão então exerce um papel controlador do corpo e das paixões.
Numa observação pessoal recordo que no mesmo mito de Hércules, num de seus acessos de loucura, sua deusa protetora Atena devolve-lhe a razão atirando-lhe uma pedra no peito.
A partir destes postulados a filosofia ocidental associou as paixões e desejos à falta de liberdade, ou seja, a aplicação dos juízos morais.
Na modernidade teremos Descartes que aprofundará os conceitos dualistas platônicos em res cogitans – a coisa pensante, no mundo da razão, e a res extensa, a coisa material, onde existem os afetos.
Hobbes por sua vez falará de uma única substância, a Natureza, ou Deus.
O medo livra o homem de seu estado de natureza. Bem conhecemos a definição pela máxima de Hobbes imortalizada por Caetano Veloso: o homem é o lobo do homem, e rende-se ao racional na medida do seu medo, que passa então a ser elemento socializador.
Para Maquiavel, a verdade efetiva das coisas é o determinante em nossas ações, definindo-se o homem como um ser desejante e eternamente insatisfeito. Na contemporaneidade Foucault trata da estética como formas do pensar e do relacionar, abordando alguns temas básicos da pós-modernidade: a sexualidade, a loucura e a morte.
Foucault fará uma abordagem em conceitos como o da biopolítica, o da bioestética libertária e o erotismo da morte vitalista, da loucura.
Assim, voltamos ao ponto incial: a pós-modernidade é crise na medida em que o homem é realocado.

Fechamento do professor Maffesoli.
Nada é herético e tudo é discutível, então, o discurso da pós-modernidade pode, por exemplo, ser ecológico, num sentido que ele explicitará adiante.
Na perspectiva judaico-cristã, a concepção econômica do mundo fala de salvação, de uma história de salvação, talvez aquilo o que Nietzsche tanto criticava na tradição judaico-cristã quando discorria sobre aqueles a quem chamou de os melhoradores da humanidade; em outras palavras, a perspectiva judaico-cristã coloca objetivos os quais a humanidade deve alcançar.
Assim, a economia, fator externo que se manifesta, existe em função da ecologia, o fator interno, a preservação.
Em Einstein e sua teoria da relatividade ocorre aquilo o que chamou de contração entre tempo e espaço.
A publicidade então constituiria a contração entre o tempo e a história – o medo, o iconoclasma e o ícone, ídolo que remete à materialidade e espaço, a limitação de Deus.
A partir deste ponto, ocorre então uma hierogamia, onde os ícones serão como que presidentes da orgia sexual. Daí a luta bíblica dos profetas contra a imagem, porque ela suscita aos sentidos, e estes, à sexualidade.
O sentido de se falar em ecologia nesta relação está em considerar este processo como o fruto da materialidade, da mãe-terra, ou seja, uma erótica social. A canção “Cio da Terra” de Milton Nascimento e Chico Buarque, no meu entender, pode bem ilustrar este raciocínio do professor Maffesoli, pois ela relaciona o prazer com os frutos da terra, da natureza, da materialidade.
Direcionando-se a outro viés, o prof. Maffesoli fala do gótico onde ocorre a ligação entre o amor e a morte no trágico, e a ponte com a publicidade é a de que esta seria a homeopatização da morte, já que ela não é e nunca foi a ordem da funcionalidade.
Por exemplo, o luxo, a luxuriência do barroco e a luxação não é funcional; e um dos principais motes da publicidade nada mais é que o luxo.
O Renascimento em seu período do cuatroccento foi marcado melo mecenato, onde os banqueiros financiavam a produção artística, intelecutal e cultural.
As relações de consumo são relações de perda, e publicidade incita ao consumo.
Consumir gera espaços, cavidades; e se estamos falando de espaços e cavidades estamos falando de materialidade, portanto, de aparências; tais aparências seriam então as formas que a realidade assume a partir da publicidade.
“O mundo é imundo”, tomado através das aparências e formas formantes” (Espinoza).
Assim nesta perspectiva podemos visualizar a publicidade como a filosofia da forma, forma pela qual precisamos amar este mundo imundo, na dimensão onírica da publicidade.
A pós-modernidade remete diretamente às imagens, e estas à publicidade, que nada mais é que uma expressão da imagem.
A cidade de São Paulo hoje constitui um laboratório da pós-modernidade na medida em que suas exposições pululam, sejam elas teóricas ou empíricas.
Enfim, o prof. Maffesoli encerra sua colocação falando da metáfora da valsa: o movimento dá-se a partir de um ponto fixo: um dos pés precisa estar firme sobre o solo, permitindo passos rápidos – assim Maffesoli observa a discussão sobre publicidade e pós-modernidade.
A publicidade só pode funcionar quando ela corresponde a um modo de estar, modo este que é o modo da ausência de medo: nada devemos temer, nem a técnica, pois esta é a remagificação do mundo. Basta observar os recursos e possibilidades que conquistamos utilizando a tecnologia, por exemplo, o celular ou o computador. Como última frase, Maffesoli fala do totem, do sujeito, o eu, como totem, totem agregador de sujeito mais objeto... sujeito pós-moderno que é possuído pelo objeto. Enigmático, no mínimo... estaria ele falando o mesmo que os irmãos Wachovsky quiseram dizer em Matrix?!

Sapo de dentro, sapo de fora - observações sobre o primeiro evento do Grupo de Planejamento em 2007.

Com auditório lotado, o evento começou em clima de muita descontração na noite de quarta-feira, 16 de maio, com música ambiente e reencontro de muitos amigos.

Nosso amigo Fujioka faz a abertura falando sobre o cronograma do GP para este ano de 2007, e anuncia que o site da entidade vai assumir formato de blog, visando estimular a participação geral. Também participou desta abertura Daniel Tomazzo, parceiro de Fujioka no planejamento da JWT.

A Dobradinha do GP tem o espírito de promover o debate e a geração de idéias entre os profissionais de planejamento, colocando sempre como speakers um profissional de destaque na função de planejador e outro profissional de destaque que atua numa área diversa, porém de interesse ao planejamento.

Desta vez a Dobradinha do GP trouxe David Laloum, diretor de planejamento da Y & R e Marcelo Coutinho, diretor executivo do Ibope Inteligência, começando pela exposição deste, com o tema: O fim do discurso publicitário: as marcas em tempos de comunidades online e criação coletiva.

As mudanças que surgiram com o advento da Internet serviram para abrir a colocação de Coutinho, que introduziu sua fala comentando sobre a transição e a ruptura que ocorreu no tocante à divulgação de marcas, onde a situação em que só as grandes corporações tinham acesso a recursos massivos de divulgação de suas marcas numa posição ativa perante receptores passivos, e agora a Internet possibilita aos consumidores o contradiscurso: a rede tornou-se um canal de comunicação massiva e mais democrática onde o consumidor pode expor o seu julgamento sobre a marca que é divulgada na mídia.

Por conseguinte, os papéis sociais nas relações de produção e consumo vão alterar-se significativamente.

Mantendo sua metodologia de reconstrução histórica, Coutinho continua comentando sobre a hegemonia do pensamento fordista que imperou no mercado a partir dos anos 60, e a crise do modelo keynesiano nos anos 70 que gerou novas formas de relacionamento na economia que decorreram das novas formas de relacionamento social.

A partir deste ponto Coutinho passou a explorar o conceito de destruição criativa, teorizado por J. Schumpeter, a partir do qual concebe-se que as relações progressistas no desenvolvimento do capitalismo pressuõe a necessidade dele próprio destruir as antigas formas de produção substituindo-as por novas.

É claro que nesta perspectiva ocorre uma reação conservadora, como se pode notar nos segmentos organizados da economia que apelam para a intervenção do Estado e das leis para impedir o avanço de seu obsoletismo e sua substituição por novos setores hegemônicos.

A nova criação que surgiu deste embate refletiu uma pluralidade que veio a superar a antiga visão em profundidade, a especialização, ou seja, as relações comunicacionais passaram a primar pela valorização de uma visão mais horizontal da realidade, fazendo com que sem medo os atores da sociedade se pronunciassem na mídia sobre campos diversos aos quais atuava, mesmo estes tendo relação direta com o seu foco, o que até então era considerado uma heresia na visão vertical e compartimentalizada das relações sociais, inclusive as relações de produção e consumo, onde cada especialista pronunciava-se sobre sua especialização e só.

Por conseguinte as marcas passaram a ocupar neste mercado uma nova posição a partir da constatação a qual o consumidor deixava de ser mero agente passivo e passou a interferir e a se relacionar de modo até então inédito com estas mesmas marcas.

Por exemplo, a marca de brinquedos Lego consolidou-se nos anos 80 a partir dos seus famosos tijolinhos plásticos que se encaixavam, típico brinquedo considerado arcaico perante os novos conceitos de brincadeira infantil que podemos perceber na atualidade. Ledo engano: faz muito sucesso o concurso promovido periodicamente pela Lego da melhor montagem de um robô a partir dos seus tijolinhos.

Será que o público que consome Lego a partir desta perspectiva é o mesmo que consumia brinquedos da marca nos anos 80? Obvio que não... ou talvez sim, dado que nada mais são que aquelas crianças que cresceram, mas com certeza as características mudaram e bastante. E mais: seria possível promover o encontro destes aficionados de construções de bloquinhos plásticos sem a Internet?

Retoma-se então o conceito de “long tail” onde as novas formas de consumo são avalizadas através dos pequenos nichos que vão aos poucos sendo identificados e catalizados com o auxílio da Internet, formando sob o formato gráfico a longa cauda de uma espécie de pulverização do consumo em diversos nichos que, concatenados, denotam a garantia da lucratividade não de forma vertical, mas sim horizontal.

Quanto à exposição de David Laloum, diretor de planejamento da Y & R, o tema abordado foi: First Life: o homem no foco das marcas.

Após a descontraída distribuição de confeitos de chocolate M & M para adoçar o encontro, Laloum iniciou sua extrovertida palestra de teor altamente filosófico, divertida ainda mais pelo simpático sotaque francês.

Temas, conceitos e discussões se sucederam ao longo de sua colocação a qual indubitavelmente gerou impacto do qual nenhum dos presentes escapou.

Falou Laloum sobre o movimento Neo-Luddista, o qual, grosso modo classifa a tecnologia como algo misantrópico. Por exemplo: o celular facilita o desmarcar dos compromissos; quantos encontros, festas, jantares, happy hours poderiam ter aproximado e estimulado o afeto e companheirismo entre as pessoas se a tecnologia do celular não permitisse um rápido e prático desmarcar de compromissos ao localizar a pessoa em quase todos os lugares onde é possível encontrá-la?!

Logo em seguida falou do movimento trans-humanista o qual segue em sentido contrário ao anterior, ao pregar que a tecnologia é essencial ao progresso da humanidade, convém, portanto acelerar a produção e o progresso tecnológico.

Temos então aí o embate de tendências radicalmente opostas presente nos movimentos vanguardistas neste início de século.

Por conseguinte, este conflito e este embate de idéias pode ser traduzido igualmente como o conflito entre 1st Life e 2nd Life.

O 2nd Life representa aquele lado “B” das pessoas, o seu “duplo oposto”, talvez algo como o antagonismo entre Neo e o Agente Smith em Matrix (observação minha), antagonismos e oposições que permeiam o comportamento do homem contemporâneo, especialmente depois do advento da cultura da informação digital.

As pessoas hoje, seja no 2nd Life, seja com outros recursos da web podem viver duas ou até mais personalidades. Algo que os filósofos da pós-modernidade chamariam de fragmentação do sujeito. Esquizofrenia?

Talvez o consumidor atual seja mesmo um esquizofrênico: ao mesmo tempo em que adquire um Rolex falso em troca de status, compra uma bolsa caríssima de alta grife para presentear a esposa; veste uma camisa de metaleiro e chora diante da tela com Julia Roberts, acessa sites pornô no escritório e em casa navega em busca de informação profissional., e por aí vai – identidades ambíguas e antagônicas convivendo num único indivíduo.

Neste ponto da exposição, Laloum passa a citar Gilles Lipovetsky que fala do conceito de hipermodernidade, hyperzona, um movimento que está acontecendo com foco no humano, e toma o viés de oito conceitos para explicar a relação com a sua exposição.

Slow – a contradição do culto à velocidade no capitalismo atual; surge um movimento contrário, de valorização do momento.

Simplicidade – como resposta à complexidade – perceptível na estética, e deu como exemplo a home do Google: curta, grossa, objetiva e lay-out minimalista.

Mitologia – ocorre, tal como na Renascença, a retomada dos mitos, daquela idéia que está na base da cultura ocidental na civilização grega, os heróis, os deuses, estes arquétipos que podemos perceber, tal como em Superman, Matrix, Homem-Aranha, o sucesso de “brutamontes” como Schwarzenegger e Stalone: a comunicação comercial hoje opera demais com estes arquétipos fundamentais de natureza mitológica.

A volta da religião – Laloum aquí deixou fluir toda a sua alma francesa ao afirmar que a tecnologia “está”, enquanto a religião “é”, ou seja, temos aquí um jogo profundamente filosófico de conceitos básicos bem ao estilo da tradição do pensamento francês, onde se encontram os dois conceitos de tempo e espaço no entendimento da realidade; enquanto a tecnologia se coloca num constante “vir-a-ser”, a religião simplesmente não se submete a categorias de tempo e espaço.

Lembremo-nos do trecho da Bíblia, no êxodo, onde Deus apresentou-se a Moisés dizendo “Sou aquele que é” – ou seja, acima de tempo e espaço; além disso este jogo conceitual nos remete diretamente á filosofia pré-socrática: Heráclito com seu “vir-a-ser” e Parmênides com o “ser”.

Voltando ao mundo real, aplicando estes intrincados conceitos filosóficos Laloum estabeleceu a ponte com o que nos interessa: as marcas hoje estão assumindo arquétipos religiosos, envolvendo as pessoas que com elas se relacionam numa situação de crença.

A consciência da fragilidade - seria o próximo ponto. Julgo que Laloum refere-se a movimentos como, por exemplo, aqueles que envolvem a questão ecológica.

O verdadeiro – este surge como resposta à neura que se desenvolveu em torno de uma crise existencial do homem do século XXI. Por exemplo, o retorno às raízes por meios diversos, como o consumo de produtos orgânicos: cerveja, bacon, algodão, alcachofra, hortifruti.

As reuniões entre as pessoas – percebemos o quanto as pessoas estão desenvolvendo formas de relacionamento diversas até então desconhecidas, especialmente no que diz respeito à formação de grupos. A Internet facilita a reunião de grupos por interesse comum, e mesmo os grupos mais tradicionais encontram novas formas de comunicação e exploram novas sensações, como por exemplo, a sucesso que os documentários hoje fazem no cinema atraindo pessoas de diversas classes e opções sociais, em contraposição ao formato enfadonho que eles assumiam até o final do século XX em que eram atraentes só a aficionados.

Assim como pudemos observar o exemplo da campanha do uísque Jonny Walker onde o robô coloca como seu sonho explorar as sensações, a sociedade passa a valorizar mais justamente este lado humano, o das sensações, em resposta ao mundo digital.

A filantropia – esta encontra-se no purgatório. Questiona-se como as formas tradicionais de filantropia realmente surtem um efeito promotor da dignidade humana, ou seria mero artifício de um sistema em crise afins de conservação própria; até que ponto a filantropia promovida pelas grandes corporações é ética na medida em que os benefícios do filantropo são maiores que os do assistido? A legislação e os processos que regem as ongs as transformaram em rentosos negócios – isso é filantropia ou investimento, empreendedorismo?

Enfim, Laloum encerra sua colocação retomando o questionamento inicial: 1st Life vs. 2nd Life – um conflito a ser resolvido porque tal dualidade não coaduna com aquilo o que essencialmente o HUMANO almeja: encontrar a sua identidade de modo que ela não pode ser arrebatada – um único mundo, e uma única pessoa.

Quanto a mim, mais uma vez, assim como o fiquei no Top de Planejamento, estou impressionado de perceber quanto os planejadores de elite estão mais preocupados com os aspectos humanos como condição indispensável à prática do planejamento, e menos com a desgastada fórmula tecnicista-funcionalista que se impõe sob a argumentação da garantia de resultados rápiudos e consistentes.

O humano reclama: até que ponto tais resultados são realmente efetivos? Até que ponto eles garantem o sucesso de uma marca nesta civilização, que encontra-se na transição da cultura industrial para a cultura da informação digital, onde pouco podemos prever o que virá, dada a impressionante dinâmica nas relações que nunca antes se observou na história.

Realmente, ocorre um movimento semelhante aos dos sofistas da Grécia antiga hoje entre os planejadores; injustiçados pela história, e erroneamente chamados de falsos filósofos, isso quando não tiveram seu nome colocado como sinônimo de mentiroso e enganador e mesmo prostituido, os sofistas eram filósofos autênticos que ao contrário dos filhos da rica aristocracia que freqüentavam a Academia de Platão e ocupavam seu ócio com a filosofia dita “abnegada”, estes sofistas dedicavam sua produção em forma de prestação de serviço às necessidades propagandísticas dos políticos e empreendedores. Receber salário é fundamental à sobrevivência, e se ele garantir uma elevada qualidade de vida, melhor ainda. Será tão “pecaminoso” produzir conhecimento desta forma?

TEMPO VIRTUAL E PLANEJAMENTO DE COMUNICAÇÃO - um esboço sobre a publicidade na perspectiva quântica.

A realidade em que vivemos é dinâmica, cheia de nuances e inovações que apresentam novidades e revoluções a cada dia. Surpresas, catástrofes e benesses se revezam num intrincado quadro sem sentido, cuja leitura só é possível na medida do envolvimento e da contraposição entre as sensações individuais e coletivas. Com isso então, qual o significado de se planejar comunicação?

Desde o Mirc até o Second Life, o advento do mundo virtual talvez seja a forma mais representativa desta realidade, onde poucas vezes paramos para pensar no significado da palavra tempo, exceto quando o dinheiro é comprometido, já que ninguém discorda de que tempo é dinheiro.

Costumamos entender por tempo a noção que temos de compreender a interação entre presente, passado e futuro.

Vejamos o que José Leite Lopes nos fala a respeito do tempo virtual: “(...)O vácuo, o espaço físico vazio, contém diagramas fechados de pares que se criam e se aniquilam. Assim, o espaço-tempo é um sistema dinâmico complexo, com uma infinidade de ciclos, portanto de matéria virtual. É desse estado de “gravidez” que nascem partículas novas, produzidas quando lhe injetamos energia suficiente, por isso há interesse nos aceleradores capazes de produzir altas energias.[1]

Os nossos antepassados que dependiam da agricultura contavam o tempo através das estações do ano, do amanhecer e do entardecer. Na idade média, o tempo passou a ser ditado pelo perfeccionismo produtivo dos artesões. Com a Renascença, o boom científico permitiu o desenvolvimento da tecnologia alavancando assim a industrialização do tempo nos séculos seguintes; mecanizado o tempo, organizaram-se as tabelas e adquiriu-se o hábito de andar com uma máquina portátil de contagem de tempo, primeiro no bolso e depois fixada ao pulso, uma idéia do célebre brasileiro Santos Dumont. Com a indústria surgiram as grandes metrópoles, e com elas, os conceitos de horário comercial, vida noturna, tempo útil (produtivo), e o descanso, intervalo para recomposição física e mental.

Hoje, ao encurtar distâncias e agilizar a comunicação o mundo virtual alterou substancialmente este o de tempo. Parece já não haver tanta distinção entre dia e noite, tempo produtivo e descanso.

O próprio homem virtualizou–se e pode assumir ao mesmo tempo as mais diversas personalidades, e fazer coisas que até antes eram impossíveis.

Sua animalidade foi deixada de lado. Parece que ele não dorme mais, não se alimenta, não distingue o tempo de trabalhar e o tempo de descansar.
Os limites nacionais, as barreiras de cultura e idioma se minimizam no mundo virtual.

Como planejar comunicação dentro desta realidade virtual?

Ao mesmo tempo em que temos uma dispersão de nossos agentes receptores com a multiplicidade de nicks, também temos a concentração dos nichos de interesse.

Estes nichos alinhados em estatísticas gráficas compõe a famosa long tail, a longa cauda de pequenos ícones que se alinham uns ao lado dos outros, fazendo com que pelo menos por hora possamos visualizar o nosso target.

Não nos preocupamos mais em que dia e em que hora estes potenciais consumidores estarão entrando em contato com a mensagem publicitária – ela tem que estar no ar, atualizada 24 horas por dia, sete dias por semana – adeus ao tempo.

Não podemos prever a qual momento eles entrarão em contato com a nossa mensagem, já que a variabilidade de comportamentos é imensa.

Vamos retomar algumas resoluções do “Top de Planejamento 2007” – planejar publicidade é fazer com que a marca aproxime-se do consumidor e perguntar o que o agrada – e não o contrário como vinha sendo até então. Planejar implica em comprar o tempo das pessoas, pois para que elas dediquem tempo à sua mensagem alguma compensação vão exigir, e quanto mais valor você der a este tempo, mais os consumidores vão se interessar por dedicá-lo à você.

Estes sujeitos múltiplos e fragmentados só deixarão tocar-se pela propaganda na medida em que ela não for invasiva – tal qual o irritante telemarketing ativo – e envolver os seus consumidores respeitando-os em seus interesses.

Refletindo sobre estas colocações, vamos retomar então aquela citação de Leite Lopes a qual ficou sem sentido: o vácuo, o espaço físico vazio contém diagramas de pares que se criam e se aniquilam – aqui temos o consumidor que ocupa o vazio de seu tempo real (e portanto físico) com sua liberdade e probabilidades de diagramas virtuais da web a partir da qual os pares – personalidades múltiplas – se criam e se aniquilam ao bel prazer da utilização do tempo pelo consumidor que quer ver-se envolvido nesta realidade que é líqüida na medida da adequação do envolvimento ao qual cede, seguindo a diretriz de seu prazer.

É este tempo que o publicitário de hoje busca comprar, e é por isso que as marcas devem se aproximar e sentir este consumidor não de forma invasiva, mas envolvente. Uma infinidade de ciclos, esta matéria virtual líquida.

Comunicar nesta perspectiva é o mesmo que injetar energia suficiente, fecundar e refecundar este estado de gravidez que gerará novas partículas.

O desafio do comunicador então é tornar-se aquele acelerador capaz de produzir altas energias.
[1] - Lopes, J. L. TEMPO = ESPAÇO = MATÉRIA in Novaes, A. (org.). TEMPO E HISTÓRIA. Cia. Das Letras, São Paulo 1992, págs. 167 a 175.



Top de Planejamento 2007 – Primeiro dia.

Enfim, encerrou-se com um apagão no auditório o primeiro dia do Top de Planejamento 2007. Segue-se alguns comentários sobre as três palestras que ocorreram.

Samuel Russell da GM - Como seduzir na comunicação de veículos. Aberta com um pouco de atraso, a palestra versou sobre o case da recente campanha da GM que tinha como target os consumidores que hoje se encontram na faixa entre 30 e 45 anos, que se encontram em ascendência social e profissional. A EMOTIVIDADE do acompanhamento histórico com ênfase na adolescência deste target estratégicamente lançou mão de ícones culturais e midiáticos da história de vida destes consumidores - Chucky, Caça-Fantasmas, Scoobye Doo, Fofão e por aí vai - e o conceito desembocava justamente no ápice de uma história de vida bem-sucedida associada ao consumo do automóvel GM.
Sem dúvida, uma estratégia bem atual em que a publicidade se esforça para superar dogmas funcionalistas e ousar explorar com coerência e respeito ao consumidor a via das emoções - o benefício proporcionado pelo consumo de um produto não é meramente funcionalista, mas também emotivo.


Marcello Magalhães - Giovanni+DraftFCB - Uma revolução copernicana no branding.
Bem, na verdade o título da palestra foi "Brand experience. Are you experienced?" na qual Marcello explorou de forma análoga à inovação do rock proporcionada pela curta mas significativa carreira de Jimmy Hendrix, o inventor do feedback, hoje equipamente imprescindível aos músicos.
O rompimento com os paradigmas - ao mesmo exemplo de Copérnico (observação minha) na ciência pré-renascentista onde revolucionou o conhecimento com a teoria heliocentrista, e na mesma senda de Kant que aplicou esta mesma inversão de paradigmas no racionalismo filosófico ao mudar de posição buscando não o que podemos aprender usando a razão, mas sim aprendendo ao questionar a própria razão, Marcello colocou a ação de marketing da seguinte forma: as marcas até então procuravam sempre vender-se, cada qual chamando a atenção sobre sí e lançando mão das mais variadas ferramentas de comunicação para tal... inversamente hoje a publicidade eficaz não busca mais aquilo o que a marca pode opferecer, mas sim o que o consumidor deseja e adeqüar a marca a este mesmo desejo.
Para tanto Marcello citou os cases do pudim Silvester Stalone, enfeites de casamento Harley Davidson, cosméticos Evian entre outros - se os motoqueiros querem ver sua paixão aflorar num momento tão significativo em suas vidas como é o casamento, por que não somar o ícone Harley Davidson a um momento como este?
Ontem, as marcas falavam ao consumidor. Hoje, pedem que o consumidor fale delas.
And the gods make love...


Beth Furtado da QG - Os paradoxos contemporâneos da modernidade líqüida.

A comunicação envolvente - ENVOLVER - o tema explorado na palestra onde não faltaram reflexões sobre diversos conceitos filosóficos e científicos abordados com bastante propriedade. A multiplicidade e a pluralidade paradoxal do fragmentado sujeito pós-moderno possui sérias implicações sobre as relações de consumo. Traduzindo em exemplos, vemos como uma pessoa pode assumir em seus dia a dia diversas identidades diferentes: é pai de família, na internet pode ser desde um ativista político até um paquerador inveterado e é um sério e responsável profissional, entre diversas outras identades que este fragmentado sujeito pós-moderno pode assumir.
Como então planejar publicidade para atingir este consumidor que é muitos e ao mesmo tempo é um?!
O envolvimento: resgate do entrecruzamento da emoção e da razão - entender como as pessoas podem ser envolvidas pela publicidade e diante disso como farão as suas escolhas.
Então é isso, vamos nos preparar então para o dia de amanhã - até lá.


Top de Planejamento 2007 2º dia, e no total um show de filosofia.

Em linhas gerais posso dizer que tive uma surpresa ao verificar nas colocações dos oradores quais são as tendências do planejamento na atualidade.
Todos eles centralizaram suas palestras no desenvolvimento de temas essencialmente filosóficos, e a partir disso teceram seus conceitos sobre a prática de planejar comunicação na atualidade.

Particularmente isso me agrada muito, já que apesar da pós-graduação em comunicação, eu sou graduado em filosofia.

Apenas para citar algumas das colocações mais pertinentes a esta questão, como já comentei em outro post, a reflexão apresentada pelo Marcello a partir da experiência de Hendrix nos mostrou, entre outros aspectos, a mudança da posição de observação do interlocutor - ontem, ganhava a marca que mais gritava, que mais aparecia; hoje, ganha a marca que é mais sensível e se aproxima de seu consumidor para entender como ele a recebe e entender como é a marca que gosta de receber.
Este postulado é muitíssimo parecido com a chamada revolução copernicana que se observa no distinto pensamento de Immanuel Kant, que viveu na Prússia do século XVIII, autor de "Crítica da Razão Pura". Kant preocupava-se com nossa experiência de apreender o mundo; por isso mesmo, sua revolução copernicana consistia, como Copérnico que trocou a Terra pelo Sol no centro do universo conhecido, não em perguntar se a validade do conhecimento é fundamentada pela razão, mas sim em entender o funcionamento desta própria razão - o que perfeitamente é, em outras palavras, aplicado à nova posição do trabalho para com as marcas - não simplesmente usar a mídia e a publicidade para fazê-las entrar na marra no share do consumidor, mas sim aproximar-se deste consumidor e entender o porque certas marcas são aceitáveis pelo seu share - inverter o processo publicitário que tem por missão antes de mais nada promover o sucesso da marca, sucesso este que nada mais é que colocar-se cada vez mais na ordem de prioridade das opções do consumidor, assim como a experiência do canhoto Hendrix evocava diversos elementos da inversão do convencional.

Já nossa amiga Beth Furtado trouxe à baila a reflexão sobre o paradoxo pós-moderno da fragmentação do sujeito; tá bom, não vou complicar com filosofês: este paradoxo em termos práticos é aquilo o que observamos na internet, onde um usuário pode viver ao mesmo tempo múltiplas personalidades e ele é ele mesmo em todos, o mútiplo e o uno - quantos profiles diferentes posso abrir no orkut para explorar diferentes fascetas da minha personalidade?! Muitos.

Um toque da Escola de Frankfurt é levemente resvalado em sua colocação quando ela falou sobre a transitoriedade; se os Frankfurtianos como Horkheimer, Adorno, Walter Benjamin e outros discorreram sobre o advento da indústria cultural e as modificações que o tempo industrial impôs à nossa civilização em superação ao tempo artesanal, hoje eu digo que vivemos o tempo digital... ou poderia ser tempo virtual - na internet posso exercer diversas atividades, umas mais imediatas e outras mais longas, considerando que dentro da virtualidade não somos pressionados pelo tempo produtivo do relogio do capitalismo... ou somos?

Hoje, a modernidade líquida... uma modernidade que como um líquido amolda-se a todo recipiente que o contém. Diferente da sólida modernidade cartesiana do "penso, logo existo" que está nos primórdios do advento do capitalismo.

Este homem, este sujeito que Descartes colocou se efetiva na medida em que usa a sua razão, mas para o planner de hoje o homem se efetiva onde a razão e a emoção se encontram naquilo o que Beth chamou de envolvimento.
Significa que planejar comunicação hoje não é mais usar a coisa em sí, algo como o Marcello disse - fazer com que a marca grite, apareça e se imponha ao consumidor sem se preocupar com sua opinião ou sensação, mas o envolvimento implica em planejar publicidade explorando a sensação que o objeto - marca, produto etc. - proporciona ao consumidor.

Planejar seria então entender como as pessoas são envolvidas e fazem suas escolhas - dominar esta ferramenta essencialmente freudiana (é, ele explica tudo mesmo) é ter em mãos a capacidade de planejar publicidade de sucesso.
Já o professor Schweriner desenvolveu uma palestra de cunho filosófico-sociológico propriamente dito quando então tematizou o conceito de consumo na atualidade.

Não existem verdade, mas interpretações... cada qual tem sua perspectiva muito pessoal, muito individual, da realidade. Por isso é impossível aplicar valor de universalidade a qualquer verdade - sim, o professor Schweriner falou isso, mas Nietzsche também havia dito isso no século XIX.

Na sua alegoria da ampulheta expôs um sistema curioso e bem didático da sua concepção do processo de gênese do desejo em contraponto à necessidade - na parte de baixo da ampulheta, mais próximos da base e de nossas necessidades é que se forma nosso sofrimento, e a areia tende pela gravidade a descer; nossa luta é para fazer que a areia permanece mais tempo e em maior quantidade na parte de cima, parte esta que pode ser aberta ao infinito, longe de nossas necessidades, em busca dos desejos.

A satisfação é algo pertinente às necessidades, já que é impossível satisfazer um desejo; não porque não se consegue adquirir este ou aquele bem, realizar este ou aquele sonho de consumo, mas sim porque na medida em que um desejo seria por assim dizer, "satisfeito" ele imediatamente deixa de ser desejo.

Necessidades nos empurram. Desejos nos atraem... talvez seja por isso que ele classificou como insana a atitude do marketing das montadoras de lançarem em 2007 modelos 2008... mas é justamente esta situação - a de sempre adiantar-se ao futuro - ou seja, o seu conceito de necejos - a fusão da necessidade com o desejo.

Nosso amigo Ken Fujioca, no meu entender, desenvolveu uma colocação perfeita no tocante a expor de forma sistemática a ponte entre os conceitos filosóficos que embasam sua prática de planner e esta prática propriamente dita.

Tempo - a nova moeda. A frase não é nova, pois afinal de contas ela casa com uma das principais máximas do capitalismo - tempo é dinheiro. Mas Ken nos falou de uma nova moeda. Então, vejamos o que ele quis dizer com isso.

Um planejador busca o equilíbrio entre as mais variadas características de seu ser profissional, ora mais intuitivo, ora mais analítico, ora mais empreendedor etc.
Este planejador hoje vai buscar nada mais nada menos que conciliar de forma equilibrada toda esta fragmentada multiplicidade que compõe seu ser (este conceito já foi explorado em outras palestras) já que sua missão é comprar o tempo das pessoas, o que significa que a propaganda não pode ser invasiva, tal como é um telemarketing ativo, mas tem que se preocupar em respeitar o consumidor e deixar de interromper seus interesses.

A propaganda deve levar as pessoas a se envolverem com a idéia (este conceito também foi tratado em outras palestras).

Falar da vida das pessoas ao invés de falar das categorias - algo como a marca perguntando às pessoas a sua opinião, como disse o Marcello.

Enfim, em termos práticos esta posição do planejador é praticamente intraduzível - a "coisa" como disse Ken, é algo que se aproxima do conceito de comunicação integrada, que na teoria existe muito, mas na prática é duvidável... e é da sua execução plena que um "comprador de tempo" de sucesso tem que buscar para ser um bom planner na atualiadade. Grande Ken.

Infelizmente, tive um contratempo e perdi a palestra do Leonardo da FEMSA, peguei só os instantes finais da exposição e a sessão de perguntas, mas adorei o carisma e a comunicabilidade dele. Pena que perdi o conteúdo e não posso analisá-lo aqui.

Percebemos então caros amigos a sincronicidade dos conceitos que apareceram em quase todas as palestras do Top de Planejamento 2007; cada orador, lançando mão de sua experiência e conteúdos próprios trabalhou, cada qual em sua linguagem, toda uma série de conceitos presentes nas tendências atuais do planejamento.

Valeuuuu!
Planejar para sobressair-se nas crises.

Anos atrás estive num jantar cujo objetivo era a divulgação de serviços e, por conseguinte, a prospecção de novos negócios. Ocorreu num hotel de alto padrão num elegante bairro de São Paulo.

No saguão convidados de pé se aglomeravam aguardando o já atrasado início do evento. Não se via nenhuma comunicação, exceto um banner exposto em local escuro e pouco visível há poucos instantes antes do início.

Iniciada a exposição, falaram executivos das três empresas patrocinadoras: uma do setor de turismo, outra do setor de marketing de incentivo, e a última do setor de consultoria de qualidade.

Apresentações longas e detalhistas se seguiram, ocupando mais de duas horas. A última delas dividiu-se da seguinte forma: trinta minutos introdutórios só com dados biográficos sobre um famoso empresário americano do ramo de entretenimento, a qual incluiu exibição de fotos do empresário quando bebê e adolescente. Depois, na meia hora seguinte, o expositor exibiu orgulhoso diversas fotos dele próprio quando era colaborador da empresa fundada pelo empresário ao qual se referia, comentando uma por uma; enfim, dez minutos finais com uma densa e confusa exposição de conceitos sobre os serviços que ele oferecia.

No restaurante, nenhum tipo de comunicação que confirmasse o patrocínio das empresas anfitriãs; nenhum material entregue na saída. O estacionamento foi custeado pelos convidados.

Submeter vários prospects que vieram de seus locais de trabalho cansados e esfomeados a densas, confusas e longas apresentações, perdendo uma série de oportunidades de comunicação, cometendo diversas gafes, certamente trará pouco ou nenhum resultado.

O que faltou neste evento portanto, para que ele apresentasse um formato que transmitisse aos convidados eficiência e organização, gerando confiança e interesse, e por conseguinte o retorno do investimento, é o que veremos a partir de agora.

Vivemos num momento econômico de grande pressão sobre as empresas que vivem na expectativa de crescimento que não ocorre, onde volume de trabalho cresce na medida em que diminuem as margens de lucro.

O acúmulo de tarefas e reponsabilidades é o que pode gerar equívocos como este que vimos acima.

O que faltou à referida ação foi PLANEJAMENTO, pois recursos materiais sobraram e a oportunidade foi gerada.

O primeiro passo de um bom planejamento é o diagnóstico da situação e mapeamento de problemas e necessidades com a definição de prioridades e objetivos. O segundo, a definição do target, que tipo de cliente em potencial se quer atingir.

Parece uma tarefa óbvia e simples, porém, muitas vezes nós superestimamos o conhecimento que temos de nosso mercado, e pecamos ao perder a oportunidade de ampliar este mesmo conhecimento quando evitamos, por motivos diversos, compartilhar nossa experiência com quem é especializado em planejar.

Seguindo o exemplo citado julgo difícil fazer com que os objetivos de três empresas de áreas distintas possam convergir. Se nesta acepção ocorreu uma ligação que justificasse uma ação conjunta, não a conseguiram transmitir.

Mas será que, mesmo diante disso seria possível realizar uma ação de sucesso? A resposta é sim. Vejamos como a seguir.

A questão central do evento foram as diversas falhas na comunicação, e como bem diz uma máxima do mercado, “propaganda é a alma do negócio”.

Retomando o primeiro passo, caberia às empresas terem sentado e diagnosticado suas necessidades específicas, pois ampliar o número de clientes é coisa que a princípio todos queremos, portanto, tal generalidade não vale como diagnóstico. Que tipo de cliente se busca, e quem são as pessoas, o “material humano” que representa este cliente?! Como pensam, qual é sua cultura, seu perfil psicológico?! Com certeza, se este passo tivesse sido respeitado, as pessoas não seriam submetidas às situações desconfortáveis que vimos.

O terceiro passo é voltado para a prática propriamente dita: o que comunicar e como comunicar. Recorro novamente a mais uma das máximas do mercado: “tempo é dinheiro”, e creio que ninguém discorda disso. Assim, devemos sempre partir do princípio de que, quanto mais sintéticas e objetivas tivessem sido as apresentações, mais resultados seriam obtidos. Até aí, nenhuma novidade, porém, como fazer isso?! Pois bem, isso sim é difícil, e cabe ao profissional especializado planejar a comunicação. Retomando o exemplo, ocorreu um certo conflito de egos onde cada um se julgava importante o suficiente para exigir uma farta exposição de sua pessoa e seus conhecimentos, primando por um individualismo narcicista e egocêntrico que culminou no desperdício de tempo onde nenhuma linha de raciocínio foi organizada de forma objetiva, deixando assim os convidados sem entender o que realmente queriam expor e convencer... e vender.

Inconscientemente subestimaram a inteligência dos convidados ao contê-los pela expectativa do jantar; com isso correram o risco de se perder o respeito dos prospects, gerando bloqueios. E muitos empresários não entendem por que, em eventos assim, muitos agentes decisores oferecem o convite que lhes é dirigido a suas secretárias e gerentes de segundo escalão. Nunca se deve subestimar a inteligência de um prospect.

Enfim, o quarto e último passo é a retomada e a revisão de erros e acertos, o follow-up seguido de avaliação.

Isto só seria possível com a definição de um objeto concreto que seria vendido aos convidados: um projeto de prestação de serviços exposto de forma objetiva, sintética e bem organizada, e no exemplo dado o que se viu foi o caminho inverso: este projeto sequer existia, exceto na concepção dos patrocinadores, pois duvido que a maioria dos presentes conseguiu atentar para a tênue linha que unia aquele emaranhado de informações dispersas transmitidas pelas empresas expositoras.

Cabe ao planejamento acompanhar a execução de todos os passos, em especial este último que é justamente onde iremos colher os resultados.

A concepção de marketing hoje deve ser mais voltada para o planejamento de ações do que uma mera pulverização vulgar de informações em pseudo-propaganda; como vimos, investimentos em marketing direto, marketing de relacionamento ou outra ferramenta, sem uma visão dinâmica e interativa de planejamento está fadada ao fracasso.

Várias vezes já foi dito o que a palavra crise significa dentro da sabedoria oriental: perigo que vem junto com a oportunidade. E vamos e venhamos, só nos percebemos de épocas prósperas quando elas já passaram, na medida em que a comparamos com o presente, que invariavelmente exigirá nosso desdobramento por resultados, e não poderia deixar de ser assim: esta dinâmica é que nos mantém vivos. Planejar é uma ferramenta imprescindível nesta tarefa perene.
Sensibilidade e Intuição ao Planejar Comunicação


Artigo inspirado no Guia do Pescador de Jon Steel*.

Ao se deparar com um anunciante que exige algo que se assemelha a um milagre, os profissionais que atuam no processo de produção publicitária buscam nas experiências já desenvolvidas por eles ou por outros a inspiração necessária.

Encontrada a possível solução, entra a etapa de montar aquela apresentação-show para convencer o cliente.

Proposta aprovada. Até este momento o emprego do planner estará garantido, mas é lógico que o cliente só se convencerá em definitivo mediante resultados efetivos. E ninguém consegue manter o emprego somente na base de apresentações-show.

Não é novidade que os bons resultados em propaganda vêm da descoberta daquilo o que o consumidor quer, entendendo o seu comportamento.

Ao utilizar ferramentas tradicionais como são as pesquisas de opinião e os focus group entre outras, corremos o risco de obter tantas respostas diferentes do consumidor quantas vezes estas ferramentas forem utilizadas. Não estou afirmando que devemos desprezar estas ferramentas por imprecisão. Ao contrário, elas são importantíssimas porque sua contribuição ao trabalho dos planners está menos nas respostas que com elas obtemos, e mais no seu exercício – o treino da percepção das reações do consumidor.

E nesse momento que o lado filósofo dos planners se manifesta, porque literalmente entram em crise existencial a cada desafio que é apresentado. Por que o cliente anuncia? Só porque a concorrência o faz ou porque ele tem que dar destino a uma verba? E diante disso, qual o meu papel de planner? Como satisfazer o cliente sem ser medíocre?

Abordar com realismo a realidade do produto, do anunciante e do consumidor sem os desvios que costumam aparecer nesta relação é o ponto de partida para um planejamento de sucesso. Atitudes levianas como atribuir a um produto mais qualidades do que possui pode conquistar a simpatia momentânea do cliente, mas com certeza não é o melhor caminho.

Dizem por aí que o bom publicitário é aquele que consegue fazer vender esterco enlatado, e há um exemplo célebre, não sei se real, ocorrido na conferência ECO 92 em que o ar da Amazônia foi comercializado em latas com grande sucesso com o conceito o ar mais puro do planeta... pelo menos o odor com certeza é mais agradável que o do esterco.

Porém, não é esta a postura de um profissional que busca o sucesso. Aliás, julgo que se um planner chegou ao ponto de desenvolver projetos para produtos equiparáveis a esterco enlatado, sua trajetória profissional não é certamente das mais admiráveis. E os resultados decorrentes da ECO 92 nos levam a concluir que, se o case do ar enlatado for verídico, ele nada mais é que um dos vários resultados deste marcante evento.

Porém, este exemplo não é de inteiro descartável, pois trás consigo uma questão de interesse central em nossa reflexão.

Hoje fazem sucesso as vendas da água do rio Jordão. Há quem venda a peso-ouro os disputados fragmentos do Muro de Berlim. Nos anos 60 fizeram sucesso as pedras trazidas da lua, e em épocas passadas houve quem fez fortuna vendendo penas das asas dos anjos. Por que então o ar da Amazônia não pode se tornar produto de sucesso?

Sem chegar ao extremo desses exemplos exagerados, quero dizer o seguinte: perceber o que é relevante para o consumidor e intuir como transformar isso em informações do briefing é uma das qualidades mais fundamentais no planner.
Um desafio comum ao planner é romper dogmas manias que se travestem de dogmas. Por exemplo, convencer o cliente de que usar aquele expediente que foi sucesso no passado pode não ser o melhor caminho é uma tarefa ingrata e arriscada, mas necessária.

Sob outra ótica, também seria arriscado para o planner utilizar o briefing para justificar sua existência. Em outras palavras, mostrar serviço. A objetividade é companheira do trabalho sério.

Radicalizar embates com a criação é outro risco. Saber ouvir e ser flexível, com objetividade nas argumentações é virtude para profissionais de qualquer área.

Simplicidade e objetividade, entendendo que ser simples não é ser medíocre e ser objetivo não é ser incompleto. Um planner precisa compreender que:

Primeiro, nós não somos deuses. A publicidade não faz milagres. Planejar comunicação é enfrentar obstáculos que se surgem tanto da parte do anunciante como da parte do consumidor: preconceitos, geração de hábitos de consumo, influências das circunstâncias, experiências negativas... e os resultados efetivos tão cobiçados não dependem somente de nós, que somos um só um dos elos de uma corrente, portanto, nada de querer ser o herói da história.

Não adiantaria nada uma campanha que levasse ao ponto de venda o consumidor convencido de que quer comprar um determinado produto se lá ele é mal atendido ou não encontrará o produto, só para citar um exemplo.

Segundo, um planner precisa mesmo é definir os objetivos em cima dos quais vai trabalhar. Grande novidade... mas é aqui que chegamos numa das questões mais importantes e das que gera maiores equívocos no processo de produção publicitária.
Selecionar entre os vários objetivos que surgem na hora de redigir o briefing e apresentá-lo à criação de modo a cumprir a missão da publicidade naquela corrente de fatores que determinam o sucesso de um produto é para o planner um radical treino da sensibilidade e intuição.

Definir a proposição central de uma campanha é uma das tarefas de maior responsabilidade do planner, pois esta implica em definir o ponto de apoio de todo o trabalho, ponto este que pode não apresentar a dinâmica dos demais aspectos. Pode ser mantida por vários anos enquanto o produto sobreviver no mercado. Por exemplo, se você perguntar a um pai que procura a escola ideal para seu filho, com certeza ele vai encher a boca: busco uma escola que prepare para a futuro... mas que eu tenha condições de pagar por ela. A segunda parte da resposta é bem fácil de se definir, já a primeira parte não é tão simples.

Por isso o cuidado com a proposição, pois dela decorrem as estratégias que são essenciais à propaganda.

Como em todas as áreas do mercado, seria cômodo encontrar as fórmulas de sucesso prontas para serem aplicadas. E se assim fosse, não existiria concorrência. Por isso, sentir o consumidor e ter uma intuição treinada para traduzir seus desejos de modo harmonizado com as perspectivas do cliente é uma difícil equação na qual se encontra a tarefa do planner e de toda a publicidade.

E tudo isso se torna ainda mais intenso nesta civilização que transita da cultura industrial para a cultura da informação digital, onde o comportamento, os hábitos e as linguagens se transformam radicalmente a cada momento. Ser planner é estar no meio deste redemoinho envolvendo-se com prazer nesta onda.

Guia do Pescador é o título do capítulo 5 do livro de Jon Steel: Verdades, Mentiras & Propaganda – A Arte do Planejamento, Negócio Editora, São Paulo 2001, capítulo este no qual Steel comenta a importância do briefing.

Planejadores são como Tartaruguinhas – Feeling e planejamento.

Após alguns anos estudando a cultura e o comportamento eu posso dizer que o ser humano é o mais irracional dos animais. Por que? Porque entre diversas definições do ser humano (e a confusão já começa por aqui), eu acrescentaria que ele é a contradição propriamente dita.

Falo de irracionalidade não no sentido da contraposição entre instinto e inteligência, mas no sentido da contradição que ocorre em nossa obsessão por métodos e respostas absolutas.

E o que isso tem a ver com o planejamento estratégico da comunicação? Tudo.

Quando vamos elaborar um plano preparamos a nossa parte da massa bruta que vai compor o bolo do brainstorm inicial de um job. Acionamos o nosso felling.

Entre os vários significados que o dicionário Michaelis apresenta para este termo anglo-saxônico encontramos: sensação, impressão, percepção, intuição, pressentimento, opinião.

Então, voltando à nossa parte do bolo do brainstorm, encaramos como um grande enigma o job que está diante de nós, e começamos a fazer aquelas perguntas básicas do método sherlockiano: quem é o cliente, o que ele quer vender e para quem ele quer vender.

Aqui a irracionalidade que ronda a questão começa a se manifestar na medida em que percebe-se a contradição entre as respostas que buscamos de olho nos resultados e as varias possibilidades das reações que se podem esperar do nosso target.

Um exemplo disso ocorre nas pesquisas de audiência dos programas de televisão popularescos e também sobre as campanhas políticas. Qualquer cidadão perguntado se julga divertido ver exageros ou baixarias na TV irá responder sem hesitar que reprova tudo isso e queria que programas com este teor fossem radicalmente abolidos da mídia. Porém, por que este recurso é sempre utilizado com sucesso quando se busca audiência massiva? É claro que a maioria mente e envergonha-se de assumir publicamente que coisas assim lhe dão prazer.

Mas este exemplo até a minha avó daria.

Anos atrás eu atuei no planejamento de uma agência que atendia naquele momento a uma marca de eletrodomésticos que fazia estrondoso sucesso com um aparelho de entretenimento musical.

Desenvolvi planos de campanhas publicitárias e promocionais que ocupavam largo espaço em todas as mídias possíveis e imagináveis. O merchandising no programa do Faustão era um dos principais investimentos do anunciante, só para se ter uma idéia.

Hábitos de consumo foram desenvolvidos, designers de ambiente introduziram em seus projetos lugar reservado ao aparelho, já considerado como adotado em definitivo pelas famílias. Bares dos mais sofisticados aos mais populares botecos viram-se obrigados a colocar o aparelho à disposição de seus clientes. Era impensável sua ausência nas festas entre amigos. Buffets também tiveram que adquiri-lo, e pessoas incrementaram sua renda oferecendo locação.

Foi uma das maiores febres de consumo percebidas desde o advento da televisão no Brasil.

Porém, meu felling advertia que o anunciante precisava preparar-se para a saturação da moda, investindo em desenvolvimento de produto para sobreviver após a onda.

Em várias ocasiões alertei o cliente e ao diretor da agência que insistia numa tal teoria de “foco num único produto”.

Como toda febre de consumo, surgiu e desapareceu sem deixar vestígios. E quanto ao cliente, nem faço idéia por onde anda. Só sei que ignorar meu felling custou a falência ao meu ex-diretor. É claro que havia outros fatores, mas com certeza foram desencadeados por esta ingenuidade.

Na ocasião a agência quintuplicou seu faturamento, renovou e ampliou todo seu aparato tecnológico, contratou pessoal e ampliou os benefícios. O diretor passou a andar de carro importado e estava se mudando com sua família da casa cedida pelos seus pais para um condomínio de alto padrão.

Não sei qual foi o final desta história, mas considerando a falência, não é difícil imaginar.

Os dados científicos de uma pesquisa de opinião são material imprescindível para planejar campanhas de sucesso, mas entre o racional e o irracional existe aquela “terra de ninguém” que só pode ser percebida pelo felling.

O caminho do sucesso quase que invariavelmente passa por este lugar insólito, este deserto sem mapa ou bússola onde o felling é a única ferramenta pela qual podemos escapar ilesos e chegar em nosso destino.

Bons planejadores são como as tartaruguinhas marinhas que ao nascer já sabem que devem concentrar todas as suas forças na direção do mar que é a sua sobrevivência, onde enfrentarão riscos diversos até se tornarem grandes e centenárias tartarugas adultas.