segunda-feira, 16 de junho de 2008

AS QUALIDADES DE UM PLANEJADOR PARA OS DIAS DE HOJE.


Uma experiência recente junto a um importante grupo de comunicação levou-me a refletir sobre o que o mercado exige de um planejador na atualidade.

Nesta experiência tive a oportunidade de entrar em contato com diversos profissionais de várias empresas ligadas à holding em questão, bem como pude participar e dialogar com profissionais de marketing responsáveis por importantes marcas presentes no mercado brasileiro.

Assim, após algumas semanas cheguei à radical conclusão de que um profissional deve regularmente revisar sua situação, entrecruzando sua bagagem experimental com sua visão de negócio e mercado, métodos e bases profissionais.

Em outras palavras, estar atualizado é algo que vai muito além de ler diariamente os principais newsletters do mercado publicitário e participar eventualmente de alguma palestra ou workshop.

O mercado da era digital adquiriu um dinamismo tal que é impossível dizer que dado job ou projeto está finalizado. O tempo produtivo é virtual e confunde-se com a velocidade de processamento e transmissão de dados online, sem esquecer da máxima capitalista tempo é dinheiro.

Todo profissional de comunicação deve estar ciente de sua importância e papel neste processo com todo aparato de INFORMAÇÃO necessário, já que a mínima falha pode ser fatal para todas as partes.

Assim, minha reflexão veio de um diálogo travado junto aos profissionais com quem convivi, elencando algumas das exigências que recaem sobre um planejador de comunicação da era digital.

1 – O planejador deve ser um TREND HUNTER – sempre atento às principais tendências da cultura contemporânea em todas as suas nuances: comportamento, mercado, arte, ciência, arquitetura, política e outras.

2 – O planejador deve exercitar sua intuição para perceber sempre OPORTUNIDADES DE NEGÓCIOS para todas as partes envolvidas em seu trabalho, em tudo o que faz – se ele não perceber, outros com certeza perceberão.

3 - A especialidade de um planejador é PLANEJAR; assim, a venda de feijoada, a descoberta dos oceanógrafos, o lançamento do mais arrojado modelo de carro esportivo ou a inauguração da loja de artigos populares exige habilidade tal que possa ENTENDER VARIADOS TIPOS DE NEGÓCIOS.

4 – Atenção a todo e qualquer movimento: assim como um praticante de artes marciais em ação, no mundo globalizado a CAPTURA DE PROJETOS QUE SE DESTACAM é questão de sobrevivência.

5 – O DOMÍNIO DE FERRAMENTAS de análise e diagnóstico de mercado é mais que uma obrigação - estar alheio é estar fora do jogo. Fundamentais são propostas formuladas a partir de análise de posicionamento concorrencial, SWOT, benchmarking e suas variantes.

6 – Todo e qualquer informação sobre um acontecimento de mercado que refletir ainda que minimamente nos negócios da agência devem estar sob o domínio do planejador antes mesmo de acontecerem – isso não é modo de dizer ou força de expressão, é realidade.

7 – Entrecruzar a base de conhecimento humanístico sobre elementos pertinentes ao mercado com o conhecimento aplicado deve ser uma habilidade praticamente artística do planejador; conhecer e interpretar as tendências sociais, comportamento, consumo, fatos históricos, perfis psicológicos e sociológicos, rumos da economia e etc.

8 – O produto do trabalho do planejador será base de todo movimento que a agência desenvolverá. Assim, este planejador deve estar mais que preparado para um dos mais difíceis papéis sociais, que é desenvolver um ESPÍRITO INTEGRADOR, LIDERAR, abraçando a equipe como parte de seu próprio corpo.

9 - Network não é algo que interessa somente a profissionais desempregados. Ele é sumamente importante no sentido de se gerar e manter as FONTES DE INFORMAÇÃO que no final farão aquela diferença sutil tão importante ao sucesso.

10 - Enfim, como foi dito no início, o processo não pode mais ser encarado na clássica composição começo-meio-fim; o processo evoca o mito da serpente Orobóro, aquela que morde a própria cauda – começo, meio e fim podem até ser identificáveis no panorama geral, mas ao engolir a própria cauda os três se confundem num ciclo vivo e dinâmico de fecundação dos elementos ativo e passivo, de uma infinitude inquieta e veloz, e o segredo do sucesso aí está em ser INOVADOR sempre.

terça-feira, 6 de maio de 2008

PUBLICIDADE GLOBAL CRESCE EM 2007 GRAÇAS ÀS AÇÕES DIGITAIS.

No mundo todo, em 2007 os negócios publicitários cresceram 8,6% em relação a 2006 segundo a Advertising Age.
Não resta dúvidas de que a área digital é a grande responsável por este crescimento. Nos Estados Unidos, a receita das agências interativas cresceu 26,8% em 2007, e a participação do meio digital na receita das agências americanas no ano passado esteve na ordem de 10,2%.
Para citar um exemplo, a Goodby, Silverstein & Partners, a agência do ano em 2007 nos Estados Unidos segundo a Ad Age, os serviços digitais foram responsáveis por nada mais, nada menos que 52% de sua receita.
No ranking internacional, o Brasil se fez representar pelo Grupo ABC que ficou em 21º lugar com a receita de US$ 228 milhões e crescimento de 42%.

Fonte: Meio & Mensagem - 05/05/2008.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

NOVAS TENDÊNCIAS - As 50 melhores "shockvertisements"



Shockvertisements - trata-se de uma estratégia comunicacional que visa envolver o interlocutor pela extrema agressividade e impacto, geralmente utilizada como advertência do poder público perante grandes problemas sociais... mas não só isso.
A fotografia mostra um anúncio da campanha francesa de combate à aids, desenvolvida pela TBWA daquele país.

A TrendHunter Magazine elencou um ranking de 50 melhores exemplos de campanhas do gênero dos últimos tempos. Brasil está no meio.

terça-feira, 22 de abril de 2008

Jean-Paul Jacob e o futuro próximo nas perspectivas da cybercultura.


Tomei a liberdade de reproduzir aqui matéria publicada no site http://www.offline.com.br/ a qual nos fala do trabalho do Prof. Dr. Jean Paul Jacob. Apesar do nome franco-hebraico, trata-se de um brasileiro de 71 anos que consegue conciliar a genialidade acadêmica de um professor da Universidade da Califórnia - Berkeley, com a pujança profissional atuando no centro de pesquisas da IBM na cidade de Almadén, no Vale do Silício.


Formado pelo ITA com duplo PHD em Matemática e Eletrônica, é uma lenda viva que tornou-se conhecido nos últimos 50 anos por suas previsibilidades tecnológicas que anteciparam o futuro em pelo menos dez anos, por exemplo, utilizando um protótipo do telefone celular muito antes dele se tornar meio de comunicação de massa, ou ainda antecipando o surgimento dos computadores portáteis, câmeras digitais e eletrodomésticos inteligentes ainda na década de 80.


Uma dica que ele dá aos interessados no estudo da cybercultura é que a bola da vez se encontra na utilização do conhecimento dos usuários da web, canalizando-os paa objetivos específicos conforme a necessidade em cogitação, dominando as mais variadas ferramentas da web 2.0 como os blogs, wiki e outros canais onde ambos os interlocutores experimentam alto grau de interatividade. Imaginem, por exemplo, o quanto poderia revolucionar o mercado o aprofundamento de canais cada vez mais amplos e personalizados onde cada consumidor pudesse ser ouvido na medida em que fosse obtendo respostas às suas dúvidas e desejos.


Ainda o fenômeno do long tail se faz presente no desenvolvimento tecnológico na medida em que os produtos estão sendo pensados de forma a explorar os nichos de consumidores definidos, e cada vez mais aprofundando esta tendência, uma vez que os projetos que se transformam em produtos ou serviços não abordam simplesmente uma identidade simbólica, por exemplo, grifes que exploram uma determinada temática, mas em função da interatividade pode envolver-se e sentir o consumidor, apurando cada vez mais suas ferramentas de pesquisa, compreendendo o que se passa na cabeça de quem compra determinado produto ou serviço antes da compra, durante o consumo e momento posterior.


Neste sentido ele nos dá um exemplo muito bem plausível: a Wikipédia desbancou totalmente a Enciclopédia Encarta da Microsoft e a WordBook da IBM.

Divritam-se... e aproveitem as idéias do Prof. Jacob.


Douglas Gregorio::

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O relatório de 2008, editado pelo NMC: The New Media Consortium, com a participação de Jean Paulo Jacob (veja entrevista com o guru na OFFLINE nº 1), traz as cinco tecnologias que prometem transformar a educação nos próximos anos. Vale conferir.


Vídeos em massa.

Virtualmente qualquer um pode capturar, editar e compartilhar vídeos curtos, utilizando equipamentos baratos (como telefones celulares) e softwares gratuitos ou de baixo custo. Os sites de compartilhamento de vídeo continuam a crescer em taxas prodigiosas na Internet; é muito comum encontrar clipes noticiosos, tutoriais e vídeos informativos, ao lado de musicais e produções caseiras de cunho pessoal, que dominam o conteúdo desses sites desde seu surgimento. O que costumava ser difícil e caro, e freqüentemente requisitava servidores e redes de distribuição de conteúdos especiais, agora se tornou algo que qualquer um pode realizar por uma ninharia. Os serviços de hospedagem oferecem decodificação, infra-estrutura, serviços de busca e mais, deixando o produtor se preocupar apenas com o conteúdo. A customização das marcas tem possibilitado a instituições ter sua própria presença dentro destas redes e deve incendiar um crescimento rápido entre organizações focadas no aprendizado que querem que seu conteúdo esteja onde os espectadores estão.


Web colaborativa.

A colaboração não mais exige equipamentos caros e nem muita especialização. As novas ferramentas para o trabalho colaborativo são menores, flexíveis e grátis e não requerem instalação. Basta abrir os navegadores para editar documentos em grupo, tomar parte em encontros online, trocar dados e informações e colaborar de inúmeras formas, sem sair da cadeira. As interfaces de programação aberta permitem aos usuários ajustar as ferramentas às suas necessidades e então partilhá-las.


Banda larga móvel.

A cada ano, mais de um bilhão de novos aparelhos móveis são fabricados, o que significa um telefone para cada seis habitantes do planeta. Neste mercado, inovação está ocorrendo num ritmo sem precedentes. As capacidades estão aumentando rapidamente e os preços estão se tornando mais acessíveis. De fato, os celulares estão se tornando rapidamente a plataforma mais acessível por estarem em rede e em movimento.
Novos mostradores e interfaces tornam possível acessar por meio deles praticamente qualquer conteúdo na Internet - conteúdo que pode ser entregue tanto por uma rede de telefonia de banda larga, como por uma rede local sem fio.


Junção de dados ("data mashups").

Aplicações customizadas onde combinações de dados de diferentes fontes são congregadas em uma única ferramenta - oferecem novas formas de olhar e interagir com coleções de dados. A disponibilidade de grandes quantidades de dados (desde padrões de busca ou ofertas de imóveis ou tags de imagens do Flickr) estão convergindo com o desenvolvimento das interfaces de programação abertas para redes sociais, mapeamentos e outras ferramentas. Em contrapartida, isto está abrindo as portas para centenas de junções de dados que irão transformar a maneira como entendemos e representamos as informações. Inteligência coletiva. O tipo de conhecimento e entendimento que brota de grandes grupos de pessoas é a inteligência coletiva. Nos próximos anos, veremos aplicações educativas tanto para inteligência coletiva explícita - evidenciada em projetos como a Wikipedia e as tags de comunidades -, como para inteligência coletiva implícita, ou agrupamentos de dados das atividades repetidas por muita gente, incluindo os padrões de buscas, as localizações de celulares, fotografias digitais geocodificadas e outros dados obtidos passivamente. As junções de dados irão trabalhar sobre essas informações para expandir nosso entendimento sobre nós mesmos e sobre o mundo mediado pela tecnologia em que vivemos.


Sistemas operacionais sociais.

O ingrediente essencial da próxima geração de redes sociais serão os sistemas operacionais sociais que serão a base da organização das redes em torno de pessoas, mais do que de conteúdos. Esta simples mudança conceitual promete profundas implicações para o mundo acadêmico e para todas as maneiras como concebemos conhecimento e aprendizagem. Os sistemas operacionais sociais darão suporte a novas categorias de aplicações que tecem conexões implícitas e pistas que deixamos em todos os lugares, enquanto seguimos com nossas vidas e as usamos para organizar nosso trabalho e nosso pensamento em torno das pessoas que conhecemos.


A íntegra do estudo está em www.nmc.org/pdf/2008-Horizon-Report.pdf (em inglês).

quarta-feira, 16 de abril de 2008

BG Interativa - valorizando o planejamento.

Na tarde de hoje, 16 de abril, tive a oportunidade de conhecer os profissionais que estão à frente da BG Interativa: Fernando Cruz, gerente de projetos; Henrique Vieira, diretor administrativo, e Araken Leão, diretor geral.
De forma sistemática e objetiva, estes profissionais mostraram que a BG, agência digital do Grupo Total, norteia-se por uma filosofia de valorização do planejamento, investindo pesado em informação e pesquisa, sempre antenada nas novidades e vanguardismos da web, antecipando-se no agitado processo da dinâmica da comunicação online.
Valeu BG, sucesso!
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sexta-feira, 11 de abril de 2008

Café com chocolate digital...

... e meu grande abraço ao amigo Maurício, planner da Capuccino, agência web.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Ricardo Gioia, mais um grande profissional entre nós.

Tenho o prazer de apresentar aqui no Reatorama, o mais novo integrante de nosso network, RICARDO M. GIOIA.
Há quase dez anos Ricardo é professor universitário nas áreas de marketing empreendedorismo e estratégia, coordenou a pós-graduação da Faculdade São Luiz em 2005 e 2006, e atualmente coordena a pós em Administração e Comércio Exterior da Campos Salles.
Com experiência internacional, tem cursos realizados nos EUA e tem atuação profissional internacional pela IBM no México, Colômbia e Venezuela.
Consultor empresarial há sete anos, atualmente atende ao mercado de alimentação e restaurantes.
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São de sua autoria as seguintes publicações:
Fundamentos de Marketing: Conceitos Básicos. São Paulo: Saraiva, 2006.·
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Decisões de Marketing: Os 4 P´s. São Paulo: Saraiva, 2006.·
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Marketing Aplicado: O Planejamento de Marketing. São Paulo: Saraiva, 2006.·
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Marketing: Perspectivas e Tendências. São Paulo: Saraiva, 2006.
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Seja bem-vindo Ricardo. Aguardamos suas contribuições a serem publicadas aqui no Reatorama.
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Reatorama & cultura - cinema: O BANHEIRO DO PAPA.

Uma história de ficção, mas baseada em fatos verídicos.
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Melo é uma pequena cidade uruguaia na fronteira com o Brasil, cuja população vive em alto grau de pobreza. Os poucos habitantes de situação remediada dedicam-se ao limitado comércio local com seus toscos botequins e vendinhas, mas a maioria dos cidadãos só possui uma única forma de ganhar um parco dinheirinho, que é integrar-se a um precário sistema de contrabando que abastece o pobre comércio local com artigos adquiridos em território brasileiro.
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Rudes, incultos e mal-ajambrados mas com um sentimento muito grande de amor e respeito aos familiares e amigos, os homens de Melo percorrem diariamente no mínimo 120 quilômetros de bicicleta, trazendo na garupa algumas poucas encomendas para os comerciantes locais.
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Como se não bastasse a labuta, o transporte precário e a penúria, eles ainda têm de enfrentar a corrupção dos serviços alfandegários que os obriga a fazer desvios por longos trajetos em terreno pantanoso para se livrar da fiscalização da guarda de fronteiras, bem como sofrem assédio moral e coação por parte de Meleyo, um corrupto funcionário público odiado por toda a comunidade de Melo, o qual persegue desafetos (geralmente aqueles que entraram e decidiram sair de seu esquema particular dada a excessiva exploração), destruindo-lhes a carga quando pegos ou ainda cobrando propinas, divertindo-se sadicamente em humilhá-los em público com xingamentos (especialmente aqueles que denigrem a moral das mulheres de suas famílias), e em tomar os produtos mais refinados que estão transportando, tudo sem que ninguém possa intervir, já que ele é a maior autoridade local no que diz respeito ao fisco.
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Um desses coitados que sobrevivem do precário contrabando é Beto, que sempre coloca a cabeça para funcionar na ânsia de encontrar uma saída para a situação. Sua filha adolescente sonha em ser jornalista e sua esposa trabalha arduamente como lavadeira-passadeira para juntar migalhas de dinheiro com o qual pretende custear os estudos da filha.
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No ano de 1998 é anunciado que o Papa João Paulo II, em visita à América Latina terá uma passagem de algumas horas em Melo, onde fará um discurso de saudação para o povo uruguaio.
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A mídia sensasionalista e os políticos começam então a explorar o fato supervalorizando-o, apresentando à população meras suposições ou mesmo inverdades na exagerada tônica de que a visita do Papa seria um marco na história uruguaia e o pontapé inicial de uma época de desenvolvimento e fartura - um absurdo.
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O povo de Melo, esperançoso e sensível a estas falsas promessas juntam suas parcas economias ou mesmo se endividam para investir no evento, montando barracas de lanches, lingüiças, lembrancinhas, bandeirolas e todo tipo de bugiganga que pudesse ser comercializada junto à multidão esperada, a qual o governo e a mídia calculavam que seria entre 30 e 50 mil pessoas – obviamente superestimada.
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É aí que Beto tem uma brilhante idéia – todos estavam preocupados em oferecer à multidão o atendimento às necessidades básicas (especialmente a alimentação), mas ninguém havia tido a idéia de oferecer outro serviço essencial que seria tão escasso quanto necessário durante o evento: o acesso a sanitários.
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Eis então a questão central do filme: os esforços e as desventuras do pobre homem simples Beto, que volta todas as suas energias materiais e psíquicas para a realização do seu projeto, a construção de um pequeno banheiro público por cujo uso cobraria.
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Beto tinha a mesma esperança de todos, que apostavam no retorno supermultiplicado dos seus investimentos que apesar de modestos, representavam uma situação de "é tudo ou nada", dada a carência extrema da comunidade local.
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As falsas informações veiculadas pela mídia sensacionalista e manipuladora e o discurso politiqueiro do governo uruguaio inculcaram nos desvalidos cidadãos de Melo a falsa impressão de que o retorno do investimento seria garantido, e que Melo seria uma nova cidade depois daquele dia, se não rica, pelo menos a qualidade de vida seria mais elevada e não mais dependeriam daquele precário sistema de contrabando.
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Repleto das trapalhadas hilárias de Beto, mas sem deixar de lado o tom sério de denúncia da penúria e da falta de ética dos políticos e dos meios de comunicação, assim transcorre a trama de “O Banheiro do Papa”, cujo desfecho é carregado da mesma ambigüidade comédia–drama que aparece ao longo deste filme que, é claro, está longe de ser uma superprodução, mas não deixa de entreter com qualidade.
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Título Original: El Baño del Papa
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 97 minutos
Ano de Lançamento (Brasil / Uruguai / França): 2007
Estúdio: O2 Filmes / Laroux Cine / Chaya Films
Direção: César Charlone e Enrique Fernández
Roteiro: César Charlone e Enrique Fernández
Produção: Elena Roux
Música: Luciano Supervielle e Gabriel Casacuberta
Fotografia: César Charlone
Direção de Arte: Ines Olmedo
Figurino: Alejandra Rosasco
Edição: Gustavo Giani

Elenco: César Trancoso (Beto), Virginia Mendez (Carmen), Virginia Ruiz (Sílvia), Mario Silva (Valvulina), Henry de Leon (Nacente), Jose Arce (Tica), Nelson Lence (Meleyo), Rosario dos Santos (Teresa), Alex Silva (Gordo Luna), Baltasar Burgos (Capitão Alvarez), Carlos Lerena (Soldado).

terça-feira, 1 de abril de 2008

MUITO ANTES DO AUSTRALOPITECUS.


Uma boa ação de comunicação mercadológica pode ser identificada pela força de seu recall. Elas são como os dinossauros: mesmo tendo desaparecido há milhões e milhões de anos, ainda são recordados e vendem bastante - basta verificar o sem-número de produtos do tema que andam faturando por aí. Se eu falasse da série Jurassic Park de Spielberg, estaria dando um exemplo que até a minha avó daria. Basta ver o número de brinquedos, réplicas, miniaturas e publicações facilmente encontradas em qualquer shopping. E seus tataranetos dão ibope até hoje, como nosso amiguinho iguana aí ao lado, fotografado no zôo de São Bernardo do Campo-SP no último final de semana.

Voltando ao marketing, basta observar os exemplos jurássicos de produtos que ainda mantêm rótulos criados em décadas passadas. Por exemplo, o Biotônico Fontoura, a pomada Minâncora, o Creme Rugol, o Óleo de Fígado de Bacalhau Scott, o bombom Sonho de Valsa e... impossível não citar o mito da Coca-Cola, entre diversos outros.

Campanhas então... mesmo fora da mídia de massa há anos, o bordão "uóóótimo" da Rede Zacharias de Pneus ainda é bem lembrado. Os jingles da Varig dos anos 70. Groselha Vitaminada Milani, Yahoooo! 51? Boa Idéia! - os exemplos são intermináveis.

O fato de termos tantos cases de sucesso nesta linha comprova a qualidade dos comunicadores brasileiros, internacionalmente reconhecida.

Assim, podemos inferir que os bons planejadores são fundamentais no desenvolvimento de cases de sucesso em comunicação justamente porque são parceiros indispensáveis dos criativos na busca do insigth gerador das boas idéias.

Certa vez ouvi um grande publicitário dizer que a religião cristã é a que mais se difundiu pela superfície do planeta, entre outros motivos, por causa de sua logomarca simples, de fácil memorização, consistente em conceito e meramente inconfundível - a cruz.

Diante destes inusitados cases, cabe a nós, comunicadores de uma cultura em transição da civilização industrial para a civilização da informação digital pensar o quanto é importante relembrar e mesmo agir como os dinossauros.


Douglas Gregorio::

GENTE NOVA!

Quero deixar aqui minhas saudações aos profissionais que recentemente entraram para o network do Reatorama, e/ou o de seu editor: Paulo Voltolino da Tríade; Thaya da LoveBrand; Rudá e Raphael da The Group; Jota, da A1; Ana Cester da Tribal; Emille da GF3; Camila Massari da JWT; os planejadores Marcos Madeira e Luciana Barros.

segunda-feira, 31 de março de 2008

O SIGNIFICADO DO SUCESSO

Pretendo refletir sobre este tema que, apesar de não ser especificamente dirigido aos planejadores, não somente serve a qualquer campo de atuação profissional como fala de um modo muito especial aos publicitários.

Optamos por um mercado profissional extremamente competitivo. Celso Loducca anos atrás falou na Folha de São Paulo sobre o mito dos altos salários do mercado publicitário, comparando a atividade com o futebol. Disse que existem sim salários altos, mas para os poucos grandes craques nos poucos grandes clubes, e que a maioria das oportunidades vai surgir mesmo nos pequenos clubes que pagam salários baixos.

Eugênio Mohallen escreveu no seu Manual do Estagiário algo que vai de encontro ao mesmo raciocínio: “Conseguir estágio em agência é quase tão difícil quanto conseguir vaga de astronauta da NASA.

Já ouvi depoimentos de profissionais que atuam ou atuaram em alguma das top ones do mercado, que ficaram aterrorizados ao perceber uma suposta incidência acima do comum de olhares atentos no local de trabalho; reagiram disfarçando seus jobs para não serem copiados, ou então indo ao banheiro para analisar se o rosto está apresentando muitas rugas, alopecia ou cabelos brancos.

A competitividade, apesar de assumir diferentes características nos diferentes ambientes profissionais e outras dimensões de associação humana, é sempre presente por ser inerente à nossa natureza.

Por isso, a vida ensinou-me uma grande lição: lidar com o sucesso é muito mais difícil que lidar com o fracasso. E não somente pela tentação do salto alto.

Qual de nós já não se deparou com aquele case tipo abacaxi, que fica sendo empurrado daqui para lá, cá e acolá porque ninguém quer assumir o rojão? Então, quando aquele cavaleiro da esperança surge com toda abnegação deste mundo na tentativa de encontrar a tão procurada solução, não raro é taxado de imaturo e ingênuo, ou então lhes são dirigidos comentários maldosos que o taxam de incapaz de gerar a confiança necessária para assumir um projeto mais promissor, apegando-se na última esperança de salvar seu emprego.

Quando finalmente o tal abnegado encontra a tão desejada solução, na maioria das vezes com pouca ou nenhuma ajuda de onde ela poderia e deveria sair, uma reação comum é a de se verificar desconfiança quanto à sua eficácia e longevidade.

Porém, o tempo vai passando e o tal projeto, antes feito de cão sarnento perdido em cidade grande, acaba por tornar-se referencial de eficiência... ainda mais se ele for agraciado com um prêmio de vulto.

Aí então muda a tônica dos comentários. Surgem os especialistas em genealogia que identificam parentes do colega atuando na cúpula decisória do cliente através dos sobrenomes: Silva, Santos, Oliveira e outros assim, pouco comuns. Há ainda aquele que diz saber que o colega namorou no tempo de colegial uma amiga da prima da cunhada da manicure da ex-esposa do presidente da empresa. O colega acaba ganhando um tio na câmara dos deputados. É claro, o colega que é um adulador demonstrou-se um centralizador presunçoso e alcagüeta que desagrega a equipe, lançando mão de procedimentos pouco éticos para tirar de seu caminho qualquer ameaça à sua posição. Isso quando não começam a jurar que o viram saindo ou entrando no motel acompanhado de uma pessoa intimamente aparentada com um dos diretores, mas é claro, não pode citar quem sob pena de perder o emprego. Outro ainda vai jurar que já havia apresentado uma solução na mesma linha, mas ela foi desprezada pelos seus superiores e copiada pelo colega.

Enfim, parece que ninguém entende por que um projeto tão acanhado e sem brilho foi premiado, e duvidam que ele tenha revertido em lucratividade significativa para a agência e para o cliente, por mais que se mostrem os indicadores.

Numa dinâmica de grupo da qual participei anos atrás para o departamento de marketing de uma grande financeira, a diretora disse que em termos de comunicação boca-a-boca fatores positivos se multiplicam por doze, enquanto negativos se multiplicam por trinta.

Assim meus amigos, se foi difícil alcançar o sucesso, muito mais difícil ainda é experimentá-lo, mantê-lo e, principalmente, compartilhá-lo.

Preparemo-nos para o sucesso.






Douglas Gregorio.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

A MENINA DEBUTOU - A maturidade da Internet - Douglas Gregorio::

A Internet no Brasil caminha a largos passos em sua definição de mídia de massa.

As pré-condições para que isso ocorra estão evoluindo cada vez mais. O “eletrodoméstico” mais vendido no varejo atual é o PC. Lan houses multiplicam-se nas grandes e pequenas cidades, demonstrando que se tornaram uma excelente opção de investimento para microempresários. Os telecentros estão se expandindo principalmente a partir das escolas públicas, fazendo com que as novas gerações oriundas das classes C e D possam ser digitalmente incluídos.

Os educadores não podem mais ignorar a Internet como ferramenta de trabalho, e os preconceitos contra processos educativos eletrônicos estão cada vez mais fracos. A educação à distância cada dia mais deixa de ser observada como solução paliativa para aqueles que buscam alternativas para conciliar estudo e outros afazeres. Aliás, muito pelo contrário. A educação tradicionalmente presencial é que começa a ser questionada, na medida em que a interação professor-aluno, ao que tudo indica, pode ser melhor trabalhada no ambiente virtual, superando bloqueios interpessoais, com praticidade na otimização do tempo e personalização do atendimento.

Tudo isso sem contar a realidade da ampliação das comunidades de interesse que promovem a aglutinação de elementos antes dispersos, fazendo com que possam ser facilmente localizados em seus nichos e trabalhados em termos de comunicação – the long tail.

No que diz respeito à comunicação publicitária, percebe-se claramente o quanto se desenvolve cada vez mais uma “personalidade web”. A Internet deixou de ser uma versão eletrônica de tradicionais veículos impressos e uma adaptação dos veículos eletrônicos, para ser ela mesma, a Internet.

Nos festivais publicitários, incluindo o principal deles, Cannes, constata-se cada vez mais que as peças virtuais adquirem uma nova personalidade. Não mais são planejadas e desenvolvidas no objetivo de se fazer uma comunicação online, mas sim uma comunicação na Internet. Qual a diferença? Enorme diferença. Uma peça online era um mero informe, uma espécie de “take-one eletrônico” onde se contava com a sorte de se encontrar um internauta interessado e, contar com mais sorte ainda para que este contato resultasse numa venda – “pelo amor de Deus, clique aqui!”. E como são hoje?

Hoje a comunicação publicitária na Internet exige um planejamento muito mais apurado e complexo, já que as novas gerações de internautas, e mesmo as gerações mais antigas que evoluíram, assumem um novo comportamento diante dos acessos à Internet, que não mais se restringem ao tradicional PC. Comunidades de interesse foram para além dos fóruns de discussão e dos sites de relacionamento que se banalizaram. Elas transformam-se em portais e websites desenvolvidos com recursos interativos muito mais sofisticados do que as antigas meras homes informativas. Os blogs são agora muito mais que brincadeiras de adolescentes e diários virtuais, e a comunicação via celular deixa de ser concebida como recepção de e-mails e torpedos para ampliar a interatividade dos PCs, levando-os para os bolsos dos internautas, fazendo-se então cada vez mais presentes e interativos, logo influentes.

Enfim, a Internet no Brasil e no mundo amadurece e evolui, tornando-se independente das mídias tradicionais para adquirir cada vez mais autonomia e, provavelmente, hegemonia em um prazo talvez não longo.

É o momento dos planejadores refletirem (agindo) sobre a Internet, atentando para o fato de que, com sua emancipação das mídias tradicionais, estabelece-se uma relação de interdependência e mesmo de fusão, já que a tecnologia pode reunir num único aparelho recursos de todas as mídias tendo a Internet como espinha dorsal, e sendo ela realidade cada vez mais presente na cultura tanto de novas como antigas gerações.

A Internet vem gerando, com uma velocidade incrível, novas linguagens e novas influências sobre o comportamento da sociedade contemporânea, muitos deles imprevisíveis, dada a tamanha dinâmica possível; não mais banners e flyers, mas sim advergames e podcasts; não mais links e spams, mas os feeds e comunicadores instantâneos cada vez mais presentes, só para citar alguns exemplos.

E quanto aos senhores anunciantes e comandantes das agências, é chegada a hora de criar mais coragem e dirigir investimentos para a mídia que mais futuro promete a partir de um presente real, apesar de toda sua virtualidade.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

A ÉTICA NA COMUNICAÇÃO

Um comentário que começa a partir de uma definição objetiva dos conceitos de ética e moral, as principais influências em nossa cultura e o comportamento dos meios de comunicação hoje.
Baseado numa palestra do prof. Dr. Clóvis de Barros Filho (ESPM), proferida no ano de 2005 na ECA-USP.
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Ética e moral – conceitos.
A primeira vista e segundo o senso comum, ética e moral aparecem como termos sinônimos. Porém, para que possamos discutir o conceito de ética de forma mais completa, torna-se necessário aprofundar este significado do modo como ele aparece na tradição filosófica ocidental.
Vamos partir então do estabelecimento da diferença entre os conceitos dualistas bem e mal de um lado, e bom e mau de outro.
Numa prova ginasiana seríamos elogiados pelo professor de língua e literatura se explicássemos a diferença falando que os primeiros dizem respeito a substantivos, e os segundos a adjetivos.
Apesar desta significação básica e gramatical dos conceitos lançarem uma pista para aquilo no qual queremos chegar, ainda não é o suficiente.
Vamos então nos cercar nesta pista gramatical – enquanto substantivos podem ocupar a posição de sujeito da oração, os adjetivos forçosamente são predicados, ou seja, qualidades aplicáveis a determinados sujeitos.
Uma vez sendo sujeito pressupõe-se que se trata de uma entidade autônoma ao nosso conhecimento, enquanto o segundo, predicado, não tem sentido se não aplicável ao primeiro.
Assim, bem e mal estão nos domínios da moral na medida em que são aplicáveis a princípios universais da cultura que regem julgamentos e comportamentos – princípios transcendentes por independerem de situações específicas e circunstanciais para serem aplicados.
Ética, por sua vez, está no domínio do bom e do mau, da relatividade imanente ao sujeito em questão, ou seja, se efetivam em situações específicas e circunstancias.
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Reflexão moral – legítima quando decorre de uma ação não coagida.
A reflexão moral, portanto, partindo do postulado acima, leva-nos à seguinte conclusão: ela surge de um acordo entre as partes que acatam princípios morais universalizando-os, pelo menos no tocante ao universo daqueles que culturalmente adotam uma codificação moral em comum.No que diz respeito à civilização ocidental, temos então um panorama histórico de reflexões sobre a essência da moral a qual passamos a discorrer de forma resumida.
Para Platão, um dos mais completos estudiosos da cultura ocidental, a moral é aquilo que você não faria mesmo que fosse invisível.Na idade média, os filósofos parecem ter centrado a questão ética sobre a polêmica entre vontade divina e livre-arbítrio. Institucional e politicamente o debate recaia sobre quem teria o direito de interpretação da vontade divina, debate este que antecedeu o movimento reformista e a contra-reforma.Na modernidade, a reflexão ética recaiu sobre a universalidade das decisões morais, como podemos observar em Espinosa, Descartes, Kant e outros.
Kant desenvolveu uma teoria que até os dias de hoje, provavelmente é a mais influente: a teoria do Imperativo Categórico, que diz respeito a uma fórmula universalista de definição dos critérios morais.Na contemporaneidade, Nietzsche colocou em cheque a universalidade dos imperativos morais; ainda mais recentemente, Adolfo Sanches Vasquez, pensador mexicano de linha marxista considerou a ética como a ciência da moral.Enfim, parece que esta discussão iniciada na modernidade perdura pela contemporaneidade – qual o critério de definição dos imperativos morais e quem tem legitimidade de estabelecer tais critérios?!
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Ética na comunicação.
Sobre o tema ética na comunicação, a discussão objetiva o estudo sobre os efeitos que as mensagens exercem sobre seus receptores.
Ocorre então na comunicação hoje um procedimento de cunho pragmático: o valor moral não depende da ação em si, mas sim dos efeitos produzidos.Um conflito na comunicação Pode-se observar entre as concepções kantianas nos quais a ação em si é julgada, e a concepção maquiaveliana, onde “os fins justificam os meios”.
Os meios de comunicação de massa exercem um procedimento de leitura da realidade onde a linha entre o ético e o cínico encontram uma tênue divisão.Isso pode ser explicado na medida em que analisamos os procedimentos jornalísticos vigentes nos dias atuais.
O que ocorre é a filtragem que transforma a media agenda em public agenda. Media agenda trata-se de todo o levantamento de fatos encaminhados aos agentes decisores da editoração que selecionarão o que vai compor a public agenda – aquilo que será publicado.
Qual é a legitimidade que as chefias de editoração dos departamentos jornalísticos dos meios de comunicação de massa possuem para exercerem o papel de juízes que farão a leitura do real traduzida naquilo que vai ao ar, e da forma que vai ao ar: quais os ênfases, quais os enfoques, quais as prioridades, qual a distribuição e classificação das notícias?! E principalmente, quais os critérios utilizados?!
Por outro lado, existe também a postura ética do receptor das mensagens nos meios de comunicação de massa.Uma polêmica ocorre entre os estudiosos do tema: a audiência em si assume uma postura passiva, absorvente, e vulnerável diante dos meios de comunicação de massa, ou possui senso crítico desenvolvido o suficiente para descartar e mesmo reagir a respeito daquilo que os meios procuram transmitir?!
Na verdade, esta polêmica ao que parece encontra uma solução na seguinte constatação: a de que os meios por si só não possuem poder de definir a opinião de forma absoluta, integrando sim uma rede de fatores que o fazem, mas não de forma independente e isolada.Essa limitação dos efeitos da mídia teria uma dupla causa: de um lado, a existência de uma rede de comunicações interpessoais que concorrem na produção e principalmente na difusão de informações e, de outro, os mecanismos seletivos que cada receptor coloca em prática e que condicionam a sua exposição, atenção, percepção e retenção da mensagem recebida.[1]
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[1] Barros Filho, C. / ÉTICA NA COMUNICAÇÃO / São Paulo, Moderna, 1997 – p. 127.

sábado, 8 de setembro de 2007

UNIVERSO DO CONTEÚDO - Felipe Morais.

“A popularização dos Personal Computers (PCs) impôs o universo de conteúdo, uma vez que milhares de pessoas podem produzir vídeos, fotos, jogos, músicas, sites e softwares”.
Trecho do livro A Cauda Longa, de Chris Anderson.


A internet hoje é movimentada por conteúdo. A parte principal desse conteúdo é aquela feita pelo usuário. A Cauda Longa é um efeito desse fenômeno participativo, afinal, cada usuário pode publicar o que quiser, abrindo diversos nichos na internet. Isso causa fortes mudanças na forma como se consome publicidade e produtos na internet.

Há cinco anos, Bill Gates veio a mídia dizer que os blogs seriam uma das maiores ferramentas de comunicação do planeta. E ele estava certo.Hoje, pessoas estão ganhando muito dinheiro com blogs ao compartilhar idéias, artigos, vídeos e fotos. Blogs como Cocadaboa e o Interney – que falam de humor e comunicação respectivamente - são exemplos de sucesso de receita gerada a partir do oferecimento de conteúdo focado em nichos específicos.

Isso é um exemplo da Cauda Longa, onde empresas menores começam a entrar em grandes mercados, apostando em pequenos nichos ou pequenos grupos de pessoas que estão atrás de diversos assuntos.

O Google que hoje é a marca mais valiosa do mundo, superando gigantes tradicionais como Coca Cola, Microsoft, IBM e McDonalds, conquistou a liderança mundial da Internet apostando nesse conceito: explorando a Cauda Longa da propaganda e oferecendo a sua ferramenta de busca natural para que empresas anunciem por centavos e só paguem por resultados.

O fenômeno do You Tube é semelhante. Apostando em uma forma muito simples de permitir que as pessoas publiquem seus vídeos, seu conteúdo cresceu exponencialmente. Em menos de 18 meses no ar, o site passou a valer 1,65 bilhões de dólares, valor pago pelo Google na sua compra.

Outro bom exemplo da força do usuário na geração de conteúdo são as redes sociais. Diversas empresas brasileiras tentam se aproveitar do sucesso do Orkut criando suas comunidades ou até mesmo sites similares.

Elas esperam usar esses recursos como ferramentas de marketing para pesquisas ou estratégias. Elas deixam que os usuários falem e interajam com a marca e viralizem suas campanhas, pois sabem que um blog ou uma comunidade no Orkut tem mais poder de influenciar o consumidor do que uma campanha de publicidade convencional. Afinal, o consumidor está cada vez mais exigente, está buscando na web informações sobre produtos e marcas.
Essa exigência do consumidor somada ao fenômeno da Cauda Longa explica o crescimento de sites comparativos de preços, como buscapé, bondfaro, shopping uol, terra compras (O Google tem o seu comparativo, mas ainda não disponível no Brasil). Esses sites se baseiam na avaliação dos próprios consumidores para recomendação de produtos. A Amazon.com, que é um ícone do comércio eletrônico, abusa desse recurso. Alguns de seus usuários já se tornaram referência para compra de determinados produtos.

Em resumo, a Cauda Longa é uma teoria onde demonstra que o usuário – que já é um produtor de conteúdo – pode produzir o que bem entender na internet, pois haverá sempre um nicho de mercado ou um pequeno grupo de pessoas interessadas nesse conteúdo, e ai, basta que esse usuário saiba como gerar interesse de patrocinadores para que essa sua produção lhe gere retorno financeiro.

O poder foi dado aos usuários. As empresas que se cuidem.

Felipe Morais, publicitário, pós-graduado em planejamento estratégico e especialista em planejamento de comunicação é planejamento e mídia online da agência CappuccinoHZTA.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

MARCAS E COMUNICAÇÃO NA ATUALIDADE - parte II

Nova economia, novas empresas.
Neste cenário de multiplos atores e numerosas e velozes troca de papéis, comunicação e marcas necessitam de estabelecer um íntimo relacionamento, tal que, em termos numéricos, o valor das marcas pode atingir entre 90% e 95% dos ativos das empresas – cifra nada desprezível.

A Interbrand avalia a Coca-Cola como a marca mais valiosa do mundo, com o valor de 67 bilhões de dólares; a Levi’s foi cotada para o centésimo lugar com o valor de 2,7 bilhões de dólares.[1]

Resumo da ópera: as marcas inevitavelmente estarão cada vez mais presentes nos mais altos escalões decisórios das empresas.

Marcas – o tangível e o intangível.
Todo consumidor quando inquirido em hipótese alguma vai admitir que consome uma marca simplesmente pelo status proporcionado. Via de regra, justificará a opção de duas formas: qualidade e atendimento ao gosto pessoal.

Nada há o que condenar em quem busca status consumindo esta ou aquela marca, uma vez que considerando as transformações pelas quais as mídias atravessam nos dias de hoje, consumir significa muito mais que buscar benefício agregado no produto.

Benefícios decorrentes do desempenho, ou seja, valores tangíveis, há muito deixaram de ser tão absolutos assim no processo de opção de consumo.

A experiência vivida em associação à marca constitui então aquilo o que chamamos de valores intangíveis, servindo assim como veículos de expressão do próprio conjunto de valores pessoais do consumidor, em privilégio às individualidades e confirmação psicossocial da autoconfiança e definição consolidada de sua postura no relacionamento interpessoal.
Atento para o fato de que não estamos falando aqui exatamente de modas e consumismo, onde exibir a roupa de determinada grife, ou o carro de determinado modelo em lançamento serve para propagandear degraus galgados acima na hierarquia de classes – sucesso, considerado neste ângulo.

Esta leitura da relação entre consumo e marcas costuma ser observada com certa restrição, na medida em que a propaganda é taxada de idiotizante, minando todo o senso crítico de um consumidor que é capaz de adquirir um produto de qualidade bem inferior por um preço muito mais caro que o concorrente acreditando estar comprando um status mais elevado na sociedade.

A abordagem dos valores intangíveis é algo bem diferente.

Trata-se de observar uma marca que acumula estes valores de modo a identificar seu complexo conjunto de percepções que lhe dá uma personalidade dinâmica definida na confirmação da satisfação do consumidor, fazendo com que ela se torne expressão dele proprio.

São exemplos de situações assim respostas que justificam a confiabilidade na marca algo como sua associação aos momentos felizes da história de vida das pessoas, como aquela consagrada marca de margarina que rememora os felizes momentos dos cafés-da-manhã vivenciados juntos aos pais no passado e agora junto aos filhos no presente, aquela marca de eletrodoméstico que é associada ao surgimento de uma nova e mais satisfatória fase da convivência familiar, os ícones culturais que não raro dão origem a fã-clubes de marcas, ou ainda aqueles produtos que fazem questão de manter seus logos e embalagens originais, cujas atualizações são meramente superficiais, como é o caso do bombom Sonho de Valsa, da pomada Minâncora, do amido de milho Maizena entre outras.

Assim, o consumidor cria um elo com a própria marca, independente do proprietário desta marca num processo contínuo de enriquecimento e incremento nos elementos que geram a identidade com o consumidor na dinâmica do mutante processo social e mercadológico.

Marcas e poder.
Certa vez recebi o telefonema de um amigo, produtor cultural e artista popular, onde conversamos sobre a questão do patrocínio. Na ocasião, ele falou sobre seu dilema de como transmitir confiabilidade aos patrocinadores de que seu trabalho agregaria, de fato, valor à marca de modo a ser determinante no processo de opção de compra onde o consumidor estaria diante de um equilíbrio de preços e atributos entre produtos e marcas concorrentes.

Assim, a identidade corporativa é algo cada vez mais presente no mercado e no imaginário dos consumidores da atualidade onde a imagem de comprometimento social cada vez mais ganha importância.

Comunicação empresarial hoje.
Enfim, a reflexão deste artigo nos leva ao entendimento de que o papel dos planejadores de comunicação hoje é muito mais importante que há anos atrás, em função de vários fatores, mas principalmente do boom da democratização dos meios e da tecnologia de comunicação.

O feedaback comunicacional é algo mais complexo que simplesmente observar a elevação dos números das vendas após a deflagração de uma campanha.
Não podemos mais inferir dogmas julgando que o consumidor é um agente estático. Ele vai reagir de diferentes formas quantas vezes for exposto a uma estratégia comunicacional.

Os significados e as relações que envolvem as opções de consumo e a busca das empresas por fatias maiores de mercado exigem a atuação de profissionais das mais diversas vertentes científicas, como psicólogos e sociólogos que, ao lado dos publicitários e marketeiros em geral, consigam desenvolver um acompanhamento de performance da comunicação empresarial para que esta mesma empresa consiga promover uma boa performance e crescimento de suas marcas.
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[1] Pinto, Ivan. A MARCA NA HIERARQUIA DAS ESTRATÉGIAS EMPRESARIAIS – Revista da ESPM.

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

MARCAS E COMUNICAÇÃO NA ATUALIDADE - parte I

Novo mundo, novas marcas, nova comunicação.
Ao observar a realidade do planejamento estratégico desenvolvido pelas empresas em geral, vamos perceber que a comunicação, não raro têm recebido muito menos atenção do que deveria.

Nesta nova civilização que emerge após todo um século de veloz desenvolvimento tecnológico, que afetou de sobremaneira a comunicação, vivemos num mundo menor e maior ao mesmo tempo; menor pela velocidade e alcance de mensagens cada vez mais complexas, e pequeno na medida em que os atores sociais e mesmo os elementos abstratos como as marcas se multiplicaram de sobremaneira rápida, ainda mais na pós-modernidade onde as múltiplas personalidades de uma mesma entidade são mais que aceitas, são exigidas. Second Life por exemplo.

Chama a atennção detro deste fenômeno a multiplicação das marcas.

Com a multiplicidade de opções no mercado e com a incrível velocidade do desenvolvimento tecnológico, nem sempre qualidade e desempenho são os fatores determinantes no sucesso de uma marca.

Consideremos os valores abstratos da marca, valores estes que só podem se desenvolver calcados na comunicação.


Novos valores, novos consumidores, novos mercados.
Neste mundo pós-moderno as marcas se multiplicam e se renovam com uma rapidez incrível, assim como observamos o fenômeno das marcas talibãs: aquelas que se desenvolvem localmente e assumem postura guerrilheira, batendo de frente com grades marcas globalizadas.

Realizei viagens culturais pelo Brasil na minha época de graduação. Estive em várias localidades do nordeste, onde com curiosidade observei a ocorrência de uma marca local de refrigerante, muito popular e apreciado em São Luiz, de coloração rosada e inusitado pelo próprio nome que a marca adota: Jesus.

Fato é que a marca permanece até hoje fazendo seu sucesso, ainda mais consolidado pelo desenvolvimento e adesão às novas tecnologias e modalidades comerciais.

Por outro lado, precisamos considerar as transformações culturais pelas quais a sociedade passa, assumindo novas posturas de valoração.

Entre estas novas posturas está a valorização do individual e do prazer do consumo os quais, até bem pouco tempo, eram valores negativos; hoje são aceitos e praticados de forma intensa. Percebe-se isso nas atuais formas como o comércio apresenta-se à sociedade na perspectiva varejista – observemos a “cara” dos supermercados e shoppings.

Noutra destas viagens, há mais de 20 anos estive pela primeira vez em Recife, Pernambuco. Na ocasião eu era um calouro de faculdade participando de seu primeiro congresso estudantil em nível nacional. Entrei numa lanchonete e pedi um Cheese Salada.

Os atendentes se entreolharam até que um deles teve a coragem de perguntar o que exatamente eu estava querendo.

Expliquei tratar-se de um sanduíche, um lanche. Foram oferecidas então duas opções praticadas no comércio local: misto-quente e fiambre.

Com certeza hoje episódios assim não mais vão se repetir, quer seja nas capitais, quer seja em regiões mais interioranas.
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(continua na próxima postagem).

terça-feira, 14 de agosto de 2007

PLANEJAMENTO E PESQUISA – o alcance real desta importante ferramenta.

Seguindo a linha temática que fala do planejar publicidade na transição de paradigmas e as mudanças que isto trás ao planejamento, falo agora sobre o relacionamento dos planejadores com a pesquisa, esta controvertida, porém indispensável ferramenta.

Parto de reflexões sugeridas há 13 anos por uma lenda viva do planejamento no Brasil: Julio Ribeiro[1]. A princípio, um texto antigo cujo teor corre grave risco de estar desatualizado. Mas, se me permitem filosofar só um pouquinho, julgo que em certa medida publicidade seja atemporal, e opera com elementos que estão aquém do aqui e agora, e é por isso que eu julgo que os postulados da física qüântica precisam ser estudados com carinho pelos planejadores.

Muitas vezes as pesquisas nos mostram aquilo o que já estamos todos carecas de tanto saber.

Escrevi há algumas semanas sobre uma polêmica levantada no blog do GP chamada de “Avestruz Esnobe” sobre uma pesquisa a respeito da preferência musical dos brasileiros, a qual mostrou que um produto considerado brega era o preferido, independente da classe social do consumidor, sendo mais consumido até que produtos considerados premium, mesmo quando divulgados de forma massiva e privilegiada pela mídia.

Será que já não sabíamos disso? Música Popular Brasileira – será que os grandes expoentes da MPB são tão populares assim, como o nome sugere?

Recordo ter lido uma entrevista com o Duda na qual ele falava sobre estratégias de propaganda política. Questionado sobre o uso das “baixarias” no horário gratuito como boatos, acusações, xingamentos e provocações entre candidatos, disse ele o seguinte: se fizermos uma pesquisa, 100% dos brasileiros afirmarão veementemente que não gostam de baixarias no horário eleitoral gratuito, mas... quem disse que realmente eles não gostam?!

Não raro os especialistas em pesquisa submetem-se à ditadura das fórmulas e softwares.

Por que fazer uma pesquisa para saber o que já se sabe? Por exemplo, para que pesquisar para entender a motivação do consumo do molho de tomate industrializado? Afinal, todos já sabemos que apesar do molho industrializado não estar à altura do caseiro, a praticidade motiva seu uso – diz Julio Ribeiro.

Estamos naquele patamar que muitos planejadores julgam perigoso: o feeling. E, se o feeling é perigoso, é porque ele oferece riscos.

Nós planejadores não podemos nos dar ao luxo de fazer investimentos a risco zero, como fazem os investidores estrangeiros que só deitam seus dólares por aqui sob compromisso formal do governo em arcar com os prejuízos caso a coisa degringolar. Nossos clientes investem seu dinheiro sob a garantia da confiança em nosso trabalho.

Se buscamos lucro para nossos clientes temos que entender que só alcançaremos sucesso se corrermos o risco de confiar em nosso feeling. Investimento risco zero é uma utopia, exceto é claro sob o aval do governo brasileiro, que não é o nosso caso.

Julio Ribeiro é um mestre em utilizar frases de efeito. Vejam esta: Não banque as irmãs da Cinderela.

Para pesquisar, antes é preciso saber perguntar. Só se pode pesquisar se antes definirmos de forma clara e objetiva aquilo o que queremos saber. Até aqui, o óbvio, mas ao contrário do que normalmente costumamos entender, ser claro e objetivo nem sempre significa ser simples e direto. E é neste momento que a habilidade do bom planejador manifesta-se.

Para ilustrar esta afirmação, tomemos o exemplo que Julio Ribeiro apresenta no mesmo texto, quando comenta sobre uma pesquisa que fez sobre inadimplência em prestações da casa própria.

Uma pesquisa comum não falaria nada além do que já se sabe: pontuais afirmariam que a prestação é prioridade do orçamento, e os inadimplentes afirmariam que alimentação é a prioridade. Uma pesquisa simples e tradicional com aquele questionário básico facilmente tabulado com softwares próprios não iria oferecer respostas para além destas.

Foi preciso pensar numa metodologia muito particular e diferenciada para chegar à conclusão de que vários fatores influenciavam na questão, tais como o prazer da sensação de estar driblando o governo, ou ainda o prazer de sentir-se esperto ao livrar-se dos juros ao pagar sob pressão judicial. A pesquisa descobriu que, excetuando-se aqueles com reais problemas financeiros, haviam alguns que escandalosamente investiam o dinheiro da inadimplência em especulação imobiliária.

Assim, para planejar hoje, há de se reservar uma grande parte de nosso tempo útil à contemplação. Não uma contemplação passiva, mas uma contemplação ativa, e mesmo especulativa para que a partir disso possamos, antes de encomendar uma pesquisa, entender com mais clareza aquilo o que precisamos saber e COMO precisamos saber.
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[1] Ribeiro, J. FAZER ACONTECER. Cultura, São Paulo, 1994. – Capítulo 07 – E AGORA, O QUE É QUE EU FAÇO COM ESTA PESQUISA? Págs. 63 a 68.

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

POESIA POPULAR, POESIA DA PERIFERIA.

Mavot Sirc declamando "Máscara"
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Mavot Sirc é o pseudônimo artístico de Cristovam Martins, poeta popular. É nascido na cidade mineira de Boa Esperança, a mesma Boa Esperança imortalizada por Lamartine Babo, terra de Rubem Alves. Ainda na infância transferiu-se com a família para São Paulo.
Eclético, Cristovam se auto-intitula "fã nº 01 de Pink Floyd", nos anos 70 foi ativista do movimento anarcopunk e mais tarde tornou-se técnico em eletrônica. Sem renunciar ao lado rockeiro, sonhou em tornar-se padre nos anos 80 após experiências gratificantes em movimentos de juventude católica, passando por institutos religiosos em Santa Catarina e São Paulo. Mas a vida o levou para outros caminhos. Não concluiu a faculdade de filosofia, mas foi lá que teve a oportunidade de participar de seus primeiros concursos literários.
Artista inovador e produtor cultural, nos anos 90 participou da extinta banda de hard rock "Bando Central", não como músico, mas introduzindo elementos exóticos nas apresentações como declamações dramatizadas de seus poemas e números de dança do ventre, recebendo elogios de Marcelo Nova, ex-parceiro de Raul Seixas.
Após a dissolução do Bando Central, Cristovam focou seu trabalho em movimentos populares de cultura. Hoje atua junto à Cooperifa, Cooperativa Cultural da Periferia na zona sul paulistana, participando de muitos projetos interessantes, com destaque para a publicação do livreto/CD "Sarau da Cooperifa", coletânea de 26 obras com artistas populares diversos, patrocinada pelo Itaú Cultural.
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"Feio é ter conta cheia lá no banco
E o coração vazio ali no canto.
Feio é ter muito bem
E não ter ninguém que te quer bem".
(extrato de "Pobreza", de Mavot Sirc)

APROXIMAR-SE E SENTIR O CONSUMIDOR - O QUE É ISSO?

Fórmulas mecânicas e exatóides aplicadas ao planejamento de comunicação não funcionam mais, se é que um dia funcionaram.

Pessoas com diploma universitário vão ouvir Maria Rita e vestir Brooksfield, e pessoas com alfabetização básica ou incompleta vão ouvir Calypso e vestir C&A. É verdade? Podemos confiar nisso? Claro que não. Planejar publicidade usando fórmulas “universais” tipo A + B = C é uma furada. O dogma acabou virando heresia.

Um caminho possível para entender o desafio de planejar propaganda hoje é entender os processos sociológicos e psicológicos pelos quais as pessoas estabelecem suas identidades e valores – isso é uma das formas que mostra o que eu quero dizer quando falo em aproximar-se e sentir o consumidor.

Toda cultura social possui seus processos de valoração; na atualidade, entre outros, dois deles nos chamam a atenção: o culto do perfeccionismo ególatra, e o culto da velocidade.

Estudantes hoje em hipótese alguma aceitam serem avaliados por seus professores, sequer toleram uma observação sobre erros ortográficos, por exemplo. Vê-se neste caso o culto ao perfeccionismo; não aquele perfeccionismo compreendido a partir da obstinação, mas a partir de uma não intervenção absoluta sobre atos e decisões, nada de critérios externos: o ego torna-se o único critério de valoração.

O diferencial oferecido hoje pelos produtos tecnológicos é justamente o da velocidade de execução. Universidades oferecem cursos de pós-graduação a serem iniciados por estudantes com 50% da graduação concluída. São exemplos do culto à velocidade – o tempo da civilização digital é um tempo que transcorre numa velocidade incrível.

Mas, o que isso tem a ver com a perplexidade de se observar que consumidores que, apesar de sua elevada posição na pirâmide social, consomem produtos culturais tidos como de baixa qualidade, ou seja, o brega, o populacho, o “kitch” dos frankfurtianos?!

Vladimir Safatle, analisando a publicidade contemporânea afirma que “(...) não é um posicionamento de valores “exclusivos”, mas um posicionamento “bipolar”. Ou seja, ele é assentado em valores contrários. O que, aparentemente, seria um erro crasso de posicionamento revela-se uma astúcia. Por um lado, permite ao consumidor identificar-se com a marca, sem, necessariamente, identificar-se com um dos seus pólos. Mas, principalmente, este posicionamento bipolar pode funcionar porque os próprios consumidores são incitados a não se identificarem mais com situações estáticas. A publicidade contemporânea e a cultura de massa estão repletas de padrões de condutas, construídos através de figuras para as quais convergem disposições, aparentemente, contrárias. (...)”[1]

Assim sendo, ouvir Calypso ou assistir Ratinho tornam-se atitudes permitidas ao professor universitário, à advogada que atua numa grande multinacional, ao proprietário da rede de concessionárias de uma marca de veículos importados, ao assessor da diretoria da empresa e assim por diante na medida em que os “dispositivos” que justificam o consumo produtos com a característica “kitch” são acionados.

O dispositivo da velocidade diz que os tidos produtos culturais elitistas prescindem de tempo para que se possa desenvolver critérios para a sua valoração, através dos processos mentais de compreensão dos mesmos, o que exige coisas como a leitura e o domínio de conceitos cada vez mais profundos, afim de ter acesso às difíceis linguagens dos produtos culturais “de qualidade”, o que a princípio agregaria valor de refino e distinção social ao consumidor que conseguisse concluir tal processo.

Tudo isso desemboca em conjunto num processo de reflexão, que é uma prática lenta por excelência... e, se não há tempo a perder, então a apreciação da “qualidade elitista” torna-se inviável.

Diante disso, por que não consumir o neoforró do Calypso? Afinal de contas, minha posição e meu ego são perfeitos, e ainda há de surgir algum fator que macule minha posição e status na sociedade. Por que então considerar isso um rebaixamento social?

Assim, temos aqui comentários que versam sobre uma das explicações possíveis aos novos paradigmas de consumo na atualidade, um verdadeiro desafio aos planejadores de comunicação.



[1] Safatle, V. ALGUMAS HIPÓTESES SOBRE A RECONFIGURAÇÃO DA RETÓRICA DE CONSUMO. In: Revista da ESPM, vl. 13 ano 12 ed. 5 – set./out. 2006, págs. 110 a 118.

segunda-feira, 30 de julho de 2007

A arte de Alcides Pereira

Alcides Pereira dos Santos nasceu na Bahia em 1932, mas migrou para Cuiabá na mocidade. Teve inúmeras profissões e foi aluno de Dalva de Barros no Atelier Livre da Prefeitura de Cuiabá, montado em meados dos anos 70 de onde saíram os principais nomes atuais das artes plásticas mato-grossenses. É um artista único dentre os pintores populares brasileiros, por fazer um trabalho que não descende de nenhuma das vertentes tradicionais que os inspiram: a história em quadrinhos, a ilustração e a fotografia. Alcides vem de uma linguagem "estradeira", que se manifesta nas imagens de paralamas de caminhões, nas placas de propaganda dos mais remotos recantos do território brasileiro. É um artista que tem um certo parentesco com os da escola Pop.
Por uma triste coincidência veio a falecer no último dia 05 de julho, dia em que foi aberta uma exposição de suas obras na Estação São Paulo, http://www.galeriaestacao.com.br/ . As obras podem ser apreciadas até 29 de setembro.